Wednesday, August 26, 2009

Torta de Limão





Ingredientes
200g de biscoito maizena
100g de manteiga
1 lata de leite condensado

3 limões
2 claras de ovo
4 colheres de sopa de açúcar


Modo de fazer
Sugestão: Ligue o forno em 180C (temperatura média) para ir aquecendo.
Prepare a casquinha: Para fazer a casquinha da torta é necessário moer os biscoitos até obter uma farinha fina. Para isso use o liquidificador e uma peneira. Aos poucos coloque alguns biscoitos no liquidificador e bata por alguns segundos. Vire tudo numa peneira encima de uma tigela e coe retirando os pedaços que ainda ficaram grandes. Volte esses pedaços para o liquidificador e acrescente mais alguns biscoitos. Repita essa operação até todos os biscoitos serem reduzidos a farinha. Em um potinho pequeno derreta a manteiga no microondas por uns 30 a 40 segundos. Misture a manteiga com a farinha até obter uma farinha mais grossa e uniforme. Vire tudo num pirex médio (aproximadamente 30cm de diâmetro) e com as mãos vá apertando a farinha nas bordas e no fundo para que ela fique uniforme e forme a casquinha da torta. Com a manteiga, a farinha de biscoitos vai ficar mais úmida e com liga o que ajuda a formar uma "massa" à medida que fôr apertando com os dedos. Ponha para assar por uns 10 minutos até a casquinha ficar levemente dourada. Retire do forno.
DICA: Para desenformar a torta é necessário usar uma forma especial que solte o fundo e a lateral.

Prepare o recheio: Para o recheio basta apenas misturar o leite condensado com o caldo dos limões, em uma tigela mas antes de cortá-los, lave-os bem com uma escovinha e com a ajuda de um raspador ou ralador, retire lascas ou raspinhas nas cascas dos limões para usar na cobertura da torta.
DICA: O suco cítrico dos limões faz com que o leite condensado talhe e engrosse tornando o recheio mais encorpado e grosso.

Facas com lâminas feitas de cerâmica não reagem com a acidez de alguns alimentos e também não enferrujam. São bem mais leves para usar e mantém o sabor natural dos alimentos além de não escurecer frutas, legumes e verduras.

Prepare a cobertura: Para a cobertura é preciso preparar um suspiro bem durinho com as claras e o açúcar. Na batedeira bata as claras na velocidade máxima por 5 minutos. Elas deverão ficar bem durinhas. Depois aos poucos vá colocando o açúcar e continue batendo. Por último acrescente as raspinhas dos limões e deixe bater mais um pouco para dar um gosto ao suspiro.

DICA: Não coloque o açúcar todo de uma vez para evitar que o suspiro perca o ponto e fique mole.
Prepare a torta: Espalhe o recheio dentro da casquinha uniformente e cubra tudo com o suspiro formando picos com as costas de uma colher. Volte ao forno em temperatura média e deixe até o suspiro dourar. Retire e deixe esfriar para servir.

Fonte: http://www.muitogostoso.com.br/informacao/view/Sobremesas/Bolos-e-Tortas/Torta-de-LimA%A3o/

Monday, July 13, 2009

Camarão Tailandês

Retornando após quase um ano sem postar nada, aproveito para comemorar o aniversário de 5 anos de blog (que se descontados os recessos talvez não dêem nem quatro), com uma receita de um amigo meu, grande culinarista, Jô da Bahia, a qual executei sábado último. Considero esse um prato peculiar por dois motivos: é picante e agridoce. A culinária tailandesa, embora pouco popular no Brasil, é destaque nas mesas do exterior e tem sido alçada ao posto de culinária chic e moderna - tal qual quase tudo que vem daquelas bandas. Falando em Ásia, é comum perceber a quantidade de sabores, texturas, aromas e, sobretudo, cores existente na culinária tailandesa. A mistura agridoce (e isso é, ao meu ver, uma clara distinção entre a Tailândia e a maior representante da culinária continental asiática, a China), está presente em uma mistura bastante marcante de frutas tropicais (das que lembro agora posso citar abacaxi, manga e coco).

Em Natal, há um representante dessa maravilha da mesa asiática e está localizado em Ponta Negra por detrás do Camarões Restaurante (não o Potiguar, mas o dito "antigo").

Chama-se Sala Thai*. Confesso que só estive ali uma vez, mas fui seduzido pela mistura de sabores e também pela novidade de ter legítima Thai Food em Natal. No geral, os pratos servem duas pessoas e uma entrada de rolinho primavera tailandês completa o banquete.


Sobre a receita que executei, o acompanhamento é arroz branco (o alimento mais consumido no mundo) pois a ideia é não sobressair-se ao prato e servir como alívio da ardência.



Camarão Tailandês
(4 porções)

600g de filé de camarão temperado (sal, pimenta-do-reino branca e suco de limão)
1/3 de xícara de óleo de amendoim
1/2 xícara de leite de coco
1/2 xícara de molho shoyu
1/2 abacaxi cortado em cubos
1/2 pimentão vermelho cortado em tiras
1/2 pimentão amarelo cortado em tiras
1/2 pimentão verde cortado em tiras
3 colheres de sopa de açúcar mascavo
1/2 colher de sopa de pimenta calabresa
1/2 colher de sopa de páprica picante


Preparo

Em uma frigideira (ou panela tipo wok) aqueça em chama alta o óleo de amendoim, agregue o açúcar mascavo e deixe derreter um pouco. Em seguida adicione os pimentões e o abacaxi deixando-os refogar por dois minutos. Mexendo sempre, junte os camarões e refogue por 3-5 minutos ou até que fiquem rosados. Acrescente a páprica e a pimenta calabresa e finalize com o shoyu e em seguida o leite de coco. Sirva imediatamente com arroz branco.


Sala Thai
Rua Praia de Ponta Negra, 9012 - Ponta Negra - Natal/RN
Telefone - 3219-4401

Thursday, December 11, 2008

Pausa para reflexão

Recado rápido só para comunicar que retornarei às publicações somente em fevereiro/09. Uma pequena pausa (digamos, semestral, de agosto a fevereiro) ao fim da qual voltarei com atualizações mais frequentes e interessantes. Escrever sem muita vontade não dá e assim encontro-me, sem idéias literárias, desde o último post em agosto último. Um grande abraço.

Tuesday, August 19, 2008

Miguel Mossoró 2008




Na última eleição para prefeito, em 2004, surgiu em Natal um fenômeno das urnas chamado Miguel Mossoró. Militar reformado, de cabelos grisalhos e cheio de idéias bastante curiosas, Miguel terminou o pleito como terceiro mais votado onde conquistou 67.065 votos (mais que a soma de Ney Lopes e Fátima Bezerra, respectivamente quarto e quinto colocados). Seu apoio veio sobretudo da "classe média, estudantes e jovens em geral" os quais, segundo muito se debateu, utilizavam-se do voto como protesto e não em real exercício de democracia.

Em um texto de outubro de 2004 (Miguel Mossoró - O prefeito da Cidade do Sol), escrevi a respeito de uma carreata que participei com Miguel na última quinta antes das eleições. Acredito que esse ano o fenômeno seja de mesma proporção e talvez ele termine, novamente, mais bem colocado que outros nomes mais conhecidos da política potiguar.

Ontem, na TV Universitária, houve o primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Natal e suas primeiras propostas incluem plantar uma árvore para cada criança nascida em Natal bem como instalar um teleférico, escada rolante e mirante no Morro do Careca. Para começo de campanha ele está indo bem, entretanto as propostas de 2004 como a ponte Natal-Fernando de Noronha dariam um espaço bem maior na mídia. Acredito que seu apelo popular virá com o tempo e é bem possível que tenha apoio das mesmas camadas de 2004 o que fatalmente atrairá um pouco de atenção ao desgastado cenário político.

Links:
http://www.miguelmossoro36.can.br/

http://tribunadonorte.com.br/84615.html


Monday, August 18, 2008

Alterações no blog

O blog agora está um pouco modificado. Andei mexendo no template e finalmente consegui indexar todos os textos que produzi até hoje. Há um total de 136 posts (14 em rascunho, ainda) com o primeiro datado de 29/07/04. Os temas, como ainda é possível perceber atualmente, passam pelos mais diversos campos incluindo finanças, gastronomia, política e vida diária.

Nessa indexação tive oportunidade de ler todas as poesias que escrevi até hoje. Foram um total de 8 as quais seguem em ordem cronológica (da mais antiga até a última em 05/2007).


Wednesday, August 13, 2008

Moquecas

O cardápio do último sábado foi moqueca de peixe com camarão. A moqueca é um prato baiano de origens afro-brasileiras porém é também reclamado pelos capixabas como sendo originário daquelas bandas. Já comi ambos preparos, tanto baiano quanto o capixaba, entretanto, a nossa (baiana) é mais saborosa por dois motivos: o azeite de dendê e o leite de coco. É comum ouvir as pessoas comentarem que esses ingredientes são engordativos e pouco saudáveis. Concordo. O problema é conseguir fazer pratos apetitosos sem recorrer à gordura e/ou açúcar. Pago para ver.

Vamos à receita, para seis pessoas usei:

- 1Kg de camarão limpo
- 500g de robalo limpo cortado (pode ser em dois pedaços)
- Suco de 3 limões
- 3 tomates em cubos
- 3 cebolas em cubos
- 3 dentes de alho amassados
- 1/2 pimentão em cubo
- 1 tomate em rodelas
- 1 cebola em rodelas
- 1/2 pimentão em rodelas
- 1 xícara de azeite de oliva
- 1/2 xícara de azeite de dendê
- 200ml de leite coco (usei engarrafado, mas o fresco fica melhor)
- Sal
- Pimenta-do-reino branca.

O preparo é simples e descomplicado, bem baiano:

- Lave os camarões e o peixe no suco de limão, tempere com sal e pimenta. Em uma panela (de barro, se houver) junte os camarões, o peixe, o alho e os ingredientes picados, regue com todo o azeite de oliva e metade do dendê. Leve tudo a fogo baixo.
- Após levantar fervura, misture o resto do azeite de dendê, o leite de coco , os ingrediente s cortados em rodelas e deixe cozinhar por mais três minutos.
- Sirva quente, de preferência, leve à mesa ainda em ebulição. Acompanha arroz branco e pirão (cuja receita está logo mais abaixo).

Ressalto que moqueca não leva água. Todo líquido do cozimento vem dos ingredientes e do leite de coco colocado já no final. Por fim, esse é o preparo básico para qualquer tipo de moqueca: peixe, camarão, ostra, mariscada, dentre outros.

O pirão é nível zero de complicação gastronômica. Para a mesma quantidade de pessoas, usei três xícaras de farinha de mandioca com mais duas ou três xícaras do caldo. A depender da qualidade e moagem da farinha, você irá precisar de mais ou menos caldo, porém a questão resolve-se no olho. Por fim, para o pirão, duas colheres de azeite de dendê dão cor e sabor ainda mais baianos.

Para quem topar, uma cocada ou quindim concluem bem a refeição. O nível calórico deve ser bombástico, porém sugere-se comer somente aos sábados para aliviar a consciência.




Monday, August 04, 2008

Molho Pesto

O pesto, originário de Gênova - Itália, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesto) traduz para mim o conceito da tão falada comfort food - a evocação de boas lembranças através de pratos caseiros e trivais. De composição simples, preparo rápido e sobretudo armazenável (se bem guardado dura até um mês na geladeira), sempre tenho um pouco dessa receita que aprendi há alguns anos com meu pai e que depois revi em cursos aqui na Bahia. Originalmente, a receita leva pinhole que é uma noz italiana e que depois de importada torna-se muito cara aqui no país - R$150,00/kg. O mais comum é substituir por castanha-de-cajú, porém outras nozes (lato sensu) conseguem efeito similar.

Pesto de manjericão com castanha-de-cajú
  • 1 maço de manjericão lavado e sem os talos (só as folhas)
  • 250 de castanha-de-cajú
  • Duas xícaras de azeite de oliva
  • 100g de parmesão (melhor se ralado na hora, caso de pacote recomendo o Faixa Azul).
O preparo é bem fácil. É só ir colocando/batendo no liquidificador até homogeinizar. É bom, logicamente, ter cuidado ao ir misturando para não forçar demais ou até queimar o liquidificador. Se tiver mixer, é mais simples ainda. Depois de pronto, uma colher de sopa serve uma pessoa e aí é só misturar com uma massa bem quente, recém-escorrida: spaghetti, fusilli, penne ou gnocchi de preferência. O Pesto não deve ser levado a fogo para não derreter o parmesão, por isso é que o calor deve estar todo na massa recém-cozida.

Além dessa, há muitas variações para o mesmo conceito, dentre outras: substituir o manjericão por rúcula, o pinhole por castanha-de-cajú ou do pará (bem mais baratas que se seguirmos a receita original) ou fazer um mix de ervas - salsa, coentro, rúcula e manjericão - essa última nunca fiz.

Por último, uso esse mesmo Pesto para servir carpaccio. É uma alternativa muito boa ao preparo tradicional a base de alcaparras. Convém testar.

Sunday, August 03, 2008

Últimas corridas - Fuzileiros Navais e ECORUN



12/07/08 -Fuzileiros Navais 2008 (Natal) - 8,5km - 51'
Largando da Cervejaria Continental ao som de Cartola e Roberta Sá, a corrida foi leve e de visual muito bacana. Confesso que uma parte longa era descida e além disso os aclives muito raros e pouco acentuados ajudaram muito quem saia de uma dengue como eu. O ruim foi o percurso ser só de ida, encerrando no Forte dos Reis Magos, ou dependia-se de carona ou de um ônibus que a Marinha iria organizar. Imagine.

19/07/08 -Fuzileiros Navais 2008 (Salvador) - 10,0km - 1:05'
Resolvi participar dessa justo na véspera, assim corri sem inscrição e tirando o número no peito a diferença foi nula. Resolvi que das próximas vou começar a economizar o dinheiro das inscrições e gastar em chope ao final da prova. Certamente essa tinha mais que 10k pois andei bastante puxado e meu tempo não baixou nada, pelo contrário aumentou. Fora que o trajeto passava por ruas movimentadas para um domingo e já do meio para o final, dividíamos a pista com ônibus. Para quem não iria correr foi uma agradável surpresa, sobretudo ao som de Saia Rodada e Solteirões do Forró.

03/08/08 - Eco Run 2008 (Salvador) - 10,0km - 1:03'
Em uma proposta da New Balance junto com a Mitsubishi, a ECORUN pretendeu promover a consciência ecológica através de circuitos de corrida que percorrem várias cidades brasileiras. São Paulo, Rio e agora Salvador correndo 5 ou 10km para apoiar a causa ecológica. O bom dessa prova foi a camisa da NB (geralmente as camisas são fracas - estilo abadá) que no comércio é vendida pelo mesmo preço da inscrição - R$40,00 (caro considerando que 90% dos eventos não custam mais que R$10,00). A trilha foi Paralamas do Sucesso e o tempo de conclusão foi satisfatório.

Como pode-se ver, não tenho obtido progressos em termos de tempo, mas também não tenho treinado com o mesmo afinco de outrora. Ultimamente, apenas tenho corrido provas e elas, em si, não contribuem muito para um aprimoramento técnico. Elas dão ritmo, resistência, mas sem treinamento durante a semana, não fazem milagre.

Concluindo falando de músicas e planos; sobre as trilhas sonoras, obviamente, elas seguem meu gosto musical, ou seja, de A a Z. De Solteirões do Forró a Cartola tenho ouvido de tudo - para crítica e risadagem de muitos. Para o futuro, tenho planos de correr uma meia* ainda esse ano, talvez a do Rio em 12/10. Se começar a treinar por agora, terei dois meses até lá e considerando que já percorro os 10k sem problema, talvez dobrá-los não sejam tão difícil. Ou não.

*Meia, caso você não tenha entendido, é como os corredores referem-se às meias-maratonas (ô plural difícil, deve ser assim mesmo) ou 21,1 km - distância entre a Pituba-Aeroporto de Salvador ou o Midway Mall-Pirangi (em Natal). Resumindo, é chão. Para maiores informações - en.wikipedia.org/wiki/Half_marathon .

Tuesday, July 29, 2008

Camaleão (ou Olhar para Trás)

É sempre bom olhar para trás. Refletir sobre o passado, o quanto se caminhou e as diversas experiências que o dia-a-dia proporcionou. Às vezes é tarefa leve e comum, porém em alguns casos é difícil deparar-se com momentos de fraqueza, dúvida e até certa loucura. A rotina de cada qual consigo mesmo (espécie de auto-análise) ajuda a entender que o desgaste natural da vida pode ser também combustível para melhor posicionarmos-nos e evitar os erros tão freqüentes das mentes bem intencionadas.

De olhar para dentro de e refletir sobre o que ocorre no dia-a-dia, percebo que a repetição da experiência não deveria me surpreender mais. São tantos cumprimentos, despedidas, adeus e perdas que de certa maneira deveríamos estar anestesiados. Pelo contrário, a realidade é outra. É como se o mundo estivesse cada vez mais a flor da pele.
Olhar para trás é importante: Não refiro-me à nostalgia. Não é saudade nem vontade de querer trazer o passado de volta. Falo de utilizar um olhar crítico e imparcial sobre o que se passou na vida. Os tratamentos, retribuições, propostas e contrapartidas que as pessoas e as situações nos ofertam. Olhando para o meu passado, termino entendendo melhor meu presente, ficando quieto e esperando a maré passar.

Às vezes o corpo reflete o que sentimos: falta ou excesso de sono, fome, cansaço ou euforia. Em outras lembro-me de um trecho que há na bíblia, não sei bem onde, para ser sincero, mas que fala que existem momentos onde o melhor é fazer nada. Nada. Esperar a onda passar, aguardar o fim do gosto amargo do remédio (ou do veneno) e somente ser. É o tom que devemos adotar para cada momento que define como encaramos o contador regressivo que é a vida. Às vezes é necessário ser camaleão, melhor se esse for surdo e mudo.

Recomendação de blog - Cadê os Galetinhos

A partir de hoje, assim como já fiz com outros blogs amigos, adicionarei mais um à lista: Cadê os Galetinhos é o blog do meu amigo Gustavo Henrique (Nêgo), cujas perícias e vida pregressa mereciam um livro e não apenas uma página na internet. A tirar pelo título e primeiros textos, seus relatos serão um sucesso. Segue o link: - http://cadeosgaletinhos.blogspot.com/

Thursday, July 24, 2008

Quatro anos de blog



Ao longo dessa semana, o blog completará quatro anos de existência. Inaugurado em 30/07/04 com o post intitulado "Nostalgia" de lá para cá seguiram-se aproximadamente 150 postagens - média de uma a cada dez dias (de certa maneira menos do que imaginei poder fazer). Entre poesias, versinhos, críticas de filme, crônicas, contos, análises esquisitas, textos sobre economia, política, vida alheia e generalidades, encho-me de satisfação - e nisso reforço o uso da primeira pessoa - ao completar quatro anos de tudo-no-mundo em termos de sentimentos colocados em "papel". Houve momentos alegres, tristes, eufóricos, melancólicos, de despedidas, mas sobretudo bem vividos.

Manter um blog não é tarefa fácil. Escrever, em si, requer de mim algum esforço, como já deixei claro em alguns textos ao longo desse período, por um simples fato: filtro demais a idéia que quero deixar chegar até aqui. Em conversas com outros companheiros de blog, percebo que essa é, muitas vezes, uma preocupação recorrente: a de dosar a quantidade de emoção, lirismo e auto-exposição que se coloca na rede. Ao reler muitos de meus textos, dentre eles as poesias, tenho vontade de tirar algumas publicações do ar, porém vou deixando aí pois o momento no qual escrevi e publiquei, ainda que distante, existiu um dia e para fins históricos é bom deixá-lo registrado.

Em ler textos passados há uma alegria imensa aopercebê-los em uma espiral de progresso, ainda que sutil. A forma de escrever, a linguagem e o estilo de certa maneira mudaram. No geral houve algo que reputo como sendo benéfico: a capacidade de criar. Continuo vendo textos e situações a cada dia, mas o rigor da rotina antes de estudante, agora de trabalhador, impõe menos tempo para o lazer e reflexão.

Agradecimentos devem ser feitos: primeira e unicamente a mamãe, cuja figura merece menção pessoal, pelas leituras, revisões e correções (tarefa divina imposta à ela, não só nos textos, mas em diversos aspectos de minha vida). Depois a todos meus outros leitores: família, amigos, blogueiros ou não, sejam eles do colégio, da faculdade, de Natal, de Salvador, do Rio, da Petrobras. A todos vocês comunico que a jornada irá continuar.

No entanto, não sei até quando o fenômeno blog vai durar. Talvez a democracia da informação, e assim espero, tenha conquistado um espaço irredutível em nosso meio. Que assim seja. Concluo, reforçando votos e citando-me conforme está no primeiro post em 30/07/04 "Pretendo compartilhar com quem passar por aqui, anônimos ou não, algumas das minhas opiniões, sentimentos, questionamentos, constatações e afins. O objetivo principal é poder expressar as idéias que às vezes demoram a se materializar, mas que através do texto tomam vida. Para mim o principal de um blog é seu cárater democrático."

Saturday, July 05, 2008

Abaixo a lei seca

Tenho acompanhado atentamente o debate sobre a lei seca. Sou politicamente esclarecido, porém meu interesse no tema tem sido outro: meus fins de semana. Falando assim, algum estranho, que não me conheça, é capaz de acreditar na falácia de que eu bebo demais. Em relação a quantidades, não opino, mas mamãe, que convive comigo desde 1982, externou uma época dessas que todos meus programas giravam em torno de álcool - um completo pré-julgamento.

Nossos legisladores deveriam pensar também em outro problema de saúde pública que criaram: hoje, sábado, fui a uma feijoada e em não podendo beber, todo mundo encheu a pança de torresmo e coca-cola. Tá na cara que o ímpeto de beber vai ser transferido para a alimentação e em alguns anos, caso essa lei pegue mesmo, teremos um país de obesos - basta analisar a relação entre limites de álcool x obesidade nos Estados Unidos. Sem falar, claro, no tiro que demos na dieta mediterrânea que reza um cálice (que fatalmente nunca é um) de vinho ao dia. Se até suco de uva da Parmalat já acusa no bafômetro que dirá o tal cálice.

Em meu caso, como não como torresmo e não pretendo pagar R$1.000,00 de multa (mas muito propenso estou a dar uns cem de bola), tornei-me uma pessoa chata. Cansei de abordar o assunto bafômetro, quantos decigramas (ou mili, sei lá) de álcool é para ter por litro de sangue e fazer piadinhas sobre bebidas. Em resumo, minha interação social caiu a níveis pré-adolescentes. Assim como minhas tiradas e verve habitual, minha não, do álcool - tudo piorou. Ontem, por exemplo, tomei um chope somente (0,2 mg/l de sangue, ou seja, guilhotina) e voltei para causa para dormir com as galinhas (no bom sentido).

Sem beber, além disso, como os casais se formarão? Em não se formando, como geraremos futuros brasileiros? É uma questão complexa, Dr. Temporão. O déficit de mão-de-obra que temos no INSS só vai aumentar na medida em que ninguém vai conhecer sua cara metade comendo torremos e tomando coca, além do que todos estaremos gordos, chatos e de artérias entupidas.

Essa noite estou em dúvida se realmente devo sair. E se sair se devo tomar nem que seja um chope igual a ontem. Um não dá pra nada. Nem pra mim nem pro dono do bar. Fechando a questão, essa nova lei seca terá repercussões de saúde pública e mental, econômicas, sociais e de crescimento vegetativo. Um completo caos.

Thursday, June 05, 2008

Ceviche peruano

Conheci o Ceviche (cê-bí-tchê, em espanhol) na Califórnia em 2001 e desde então tenho comido essa maravilha da culinária peruana. A verdade é que há uma disputa (dentre diversas outras) entre Chile e Peru a fim de saber de quem é realmente a receita original, confesso que a primeira vez que comi foi em um restaurante peruano, porém já comi em diversos outros lugares e a origem pode ser facilmente compartilhada, é claro.

O Ceviche nada mais é que frutos do mar (em geral peixes) marinados em limão e servidos frios. Mal comparando, é como se fosse um sushi porém meio cozido através da reação química do ácido cítrico sobre as proteínas.

A composição, a qual segue em receita-vídeo logo mais abaixo, é peixe (pescada branca, atum, salmão, robalo, por exemplo), sal, pimenta-do-reino branca, cebola roxa e suco de limão. Aqui em Salvador, por exemplo, servem com polvo e pimenta biquinho*. No Chile, onde comi o melhor de todos, servem com muito coentro e salsão. É possível variar utilizando kani, camarão, porém segundo pesquisei a receita clássica leva somente o peixe.

Segue o vídeo:

http://youtube.com/watch?v=_RbBDLf18Zo&feature=related

*Pimenta biquinho é uma pimenta muito pequena, redonda e vermelha que possui pouco ou nenhum ardor e por isso pode ser comida inteira, sem problemas. Mais informações, Google.

Tuesday, June 03, 2008

Perigo: FOFOCA! (Por Flávio Pinheiro)


Extraído de: http://www.palavrasdebotequim.blogspot.com/

De uns tempos para cá, o mundo mudou em demasia. Evoluções colossais foram empreendidas nos mais diversos âmbitos do mundo contemporâneo. Medicina, transporte, comunicações... De e-mails a células-tronco, não resta buços de dúvidas que a mudança mais gritante, sob o meu prisma, foi o comportamento das mocinhas!
E que ninguém se engane; não usarei metáforas, nem tampouco eufemismos. A mudança de que falo concerne a sexo. Ora mais ta, há alguns poucos anos, as mocinhas deste estado demoravam para transar. Apenas o faziam depois de vários anos de namoro fixo, e ainda assim, não raro, eram taxadas de modernas. Hoje, a coisa está debandada. As jovens, de modo geral, transam em banda de lata. Pouco importa tempo de relacionamento, ou sentimento. E se a porteira já estiver aberta, aí é que é só deixar passar a boiada. As mulheres se comportam como os caras, e acham bonito; sinônimo de independência. Alguns adoram, outros, nem tanto. Mas todos preferem as menos sambadas!
Meu escopo não é criticar, sequer julgar, até porque fico bastante satisfeito com a tal evolução. Mas, elementar, meu caro; tanto benefício teria de trazer alguma desvantagem. E é aí onde reside todo o perigo: a fofoca feminina.
Ora, mulher fofoca por natureza; comenta sobre tudo mesmo. É inegável que acerca de sexo não seria diferente. Elas, com suas listinhas, empreendem debates de deixar qualquer um estupefato. Não dispensam um detalhe: intensidade pentelhal, freqüência dos batimentos (não-cardíacos) e tamanho da madeira.
Foi aí que complicou! Com tanto comentário, o homem tem de fazer bonito; sua responsabilidade aumentou; cada trepada é uma auto-propaganda. E ai daquele que despombalecer... depois tem de correr atrás para se redimir.
As mulheres que não pensem que nossa tarefa é fácil como a delas. Temos que estar sempre alertas, trepar regularmente e ter o timing da explosão. Tem muito cabra aí pelo meio do mundo consultando sexólogo para melhorar as performances. Aqui, num estado como nosso Rio Grande do Norte, apenas se ouve do acontecido.
Em um interior muito longe, lá onde o peido perdeu a catinga, tinha um camarada chamado de Chico Tripa. Ele era só o pavil, magro que só traveco em final de carreira. Mas o infeliz adorava se empabular das trepadas que dava; segundo ele, impotência era invenção da mídia. Pois bem, um certo dia, depois de muito forró, dançando mijador com mijador, ele conseguiu levar Shirlinha, a jovem mais fogosa da cidade, para o motel. Foi o caminho todinho taiado. Chagando lá, ela se despiu – boa que só uma porra! Ele ficou tão nervoso com a gostosura da nega que seu pau amoleceu. Fez de tudo, o coitado – bomebeou, arregalaçou, sacudiu – mas não tinha jeito daquela macaxeira endurecer. Já ciente que seu pau tinha dado pra trás, Chico Tripa apagou a luz do quarto e fez o serviço de outros modos. Depois de 20 minutos, já com o xibiu engilhado, Shirlinha deu um berro das arábias e gozou. Chico Tripa sorriu; pagou a conta do motel de foi embora conformado. Levou consigo o que dizia o velho poeta: “Em homem com língua e dedo, mulher nenhuma mete medo”. Shirlinha, como era de se esperar, arregaçou; contou a estória pra Deus e o mundo. Já Chico Tripa, depois desse dia, nunca mais abriu a boca para falar de pau mole.
Em um outro interior, vizinho de onde Judas perdeu as botas, tinha um rapaz abonitado; cabelos lisos, rosto alvo, dentes brancos e feições afiladas. Era Medeirinhos. Medeirinhos era comedorzinho de gente; comia as menininhas todas daquela região. Chegava no forró, perfumado e sacudindo relógio no pulso. Logo as negas ficavam doidas. Ele tomava seu goro, e se encangava com alguma jovem. Forrrozinho daqui, forrozinho dali, e ele convidava a jovem pra tomar um ar fresco. Era só o que bastava. O sarrabuiado começava ali mesmo no estacionamento, e Medeirinhos, com um tesão do jumento bolinha, tirava direto para motel. Chegando lá, ele não perdia tempo: tirava a roupa da jovem e lambia até o útero. Quando o gemido estava acima de 100 decibéis, ele tirava sua própria roupa e botava aquele mangará de 30 cm pro lado de fora. Geralmente, a jovem não sabia se ria ou se chorava. No entanto, ele não a dava tempo pra pensar, botava-lhe logo pra dentro. E aí era que dava problema: se Medeirinhos não estivesse envernizado, o negócio era ligeiro. Ele dava uma, dava duas, na terceira ele já estava se tremendo, na quarta, o tiro era grande. O moleque era rápido no gatilho. Assim num tinha trepada que prestasse.
Medeirinhos já muito preocupado com suas gozadas, fez de tudo: arrancou o cabresto da chiola; tomou viagra; batia duas bronhas antes de sair de casa. Mas não tinha jeito, o negócio com ele era bateu-levou.
Um certo dia, conversando com uma turma de papudinhos, ele contou de seu mal. Foi quando um deles disse: “Homem, isso é muito fácil de se controlar”. E acrescentou: “Você toma um viagra e passa um gelolzinho nos ovos. É tiro e queda!”. Medeirinhos ficou meio assim, mas resolveu tentar. No forró da sexta, ele chegou naquela mesma bossa. Saculejou o relógio no pulso e pegou uma mocinha. Maciota daqui, maciota dali, ele levou-a pro motel. Já tinha tomado o viagra no forró. Tava com o mangará que parecia um cacetete. Despiu Kátia e foi ao banheiro. Tirou o tubo de gelol do bolso, estirou dois dedos e passou uma pataraca de gel nos ovos. Imediatamente seus ovos começaram a queimar. Ele rebolou a calça pra cima e fez carreira pra o quarto, com os ovos congelando. Chegando na cama, Kátia estava de costas e ele não contou conversa: lascou-lhe a madeira. Até que demorou mais a gozar, mas foi a sensação mais esquisita que sentiu na vida. No outro dia, disse ele no bar: “Homem, pelo amor de Deus. Foi estranho demais. Eu fechei os olhos e lasquei-lhe a peia; era quente por dentro e gelado por fora. Eu jurava que tava comendo o cu d’um pingüim!”. Depois desse dia, Kátia caboetou a estória para todas a meninas da cidade, e Medeirinhos que era só bossa, agora era motivo de chacota. Onde chegava, gritava um gaiato: “Ovo de pinguimmmmm”!
E assim foram as estórias tristes de dois cabras da terra, que sofreram com a homérica evolução comportamental das mulheres locais. Nem tudo são flores. Os homens não entram em detalhes sobre sexo, mas as mulheres não pararão de falar. E é assim que o mudo gira. Para quem quiser se aventurar, a diversão está ai em toda esquina, bares e boates. Quem se garante, que bote seu boneco, e quem, nem tanto, vá com mais calma, pois já dizia o velho poeta: “Passarinho que come pedra, sabe o cu que tem”!


Flávio Pinheiro

Tuesday, April 29, 2008

Raul

Desde sempre escuto uma história de um primo de minha mãe que começou a ouvir Elvis logo após sua morte (a de Elvis, não do primo). Acredito que o furdunço com a "morte" do rei do rock fez com que o camarada tive interesse em seu trabalho. Lá em casa, porém, desde que o mundo é mundo, esse tem sido exemplo para quem é desorientado em termos de tempo.


Comigo, ultimamente, ocorreu algo similar. Em um dia engarrafado aqui em Salvador, ouvi, pela 1a vez, "o dia em que a terra parou", de Raul Seixas. Confesso que a letra da música me deixou curioso e à noite baixei um cd dele no emule. Coloquei no ipod e fui correr ouvindo Raul. Desde então (e isso ocorreu semana passada), já ouvi quatro cds e tem sido uma experiência bacana demais. Em tempo, Raul morreu em 1989, quando eu tinha 6 anos.


Em Natal, no último fim-de-semana, comentei que estava ouvindo Raul e acho que fui motivo de chacotas. Comparado a quem sempre malhei por ter virado fã do póstumo Elvis. Parei por aí e não comentei dos cds de Roberto Carlos, Cazuza, Chorinho e Cartola que andei pegando. Seria pedir para ser malhado.
Nesse mercado cada vez mais cheio de forró, axé e outro ritmos, nada como também escutar o passado. A quem interessar, segue breve descrição dele: http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Seixas .


Saturday, February 09, 2008

O quilo do filé na Bahia (ou Imbecilidades do Consumo II).

Em mercados, quaisquer que sejam eles, freqüentemente existem os fenômenos das bolhas. Elas são de forma geral distorções na relação de demanda x oferta as quais elevam os preços a níveis impensáveis - até mais do que de fato valem. Por isso chamam-se bolhas - um universo paralelo e alheio à realidade. O que comumente nelas ocorre é a precificação de um ativo (títulos, imóveis, ações ou qualquer coisa que seja vendável) a um preço muito mais elevado do que ele efetivamente vale.

Vindo para primeira capital do Brasil, o quilo do filé limpo estava a R$39,90 ontem no Bompreço do Salvador Shopping. Nesses 25 anos de vida foi a primeira vez que vi tamanho assalto com relação ao preço da carne. Tudo bem que estejamos falando de filé e, logicamente por ser nobre, esse corte deve custar um pouco mais. No entanto, o filé com córdão (= nervuras, gorduras, pele, etc), estava por R$29,90. Se você considerar que nada no bompreço sai de graça e que os americanos do Wal-Mart não dão ponto sem nó, veremos que o camarada ao vender um filé limpo por R$39,90 também vende as "aparas de filé" (servem para cozidos, caldos, por exemplo) por uma valor não menor do que R$4,90 o quilo. Ora, efetivamente o filé, para o empresário gordinho americano lá do Arkansas, sai por R$39,90 + o valor da venda da apara. Eu,o aspirante a gourmet, desembolsaria 11% de um salário-mínimo por um quilo de carne.

Antigamente, é importante ressaltar, as parte menos nobres dos bovinos eram dadas. Ossos, aparas, córdões e afins eram franqueados aos pobres. Infelizmente não alcancei essa época, porém foi o que os mais velhos me disseram. Inclusive nesse tempo, bacalhau era dado e não vendido. Acho que tudo isso ocorreu na era em que se amarrava cachorro com lingüiça - fenômeno do qual duvido muito.

Seguindo em minha análise gastro-econômica, atravessei a rua daqui de casa e fui a um self-service cujo quilo custa R$28,90. Lá, o mesmo filé, possivelmente até proveniente do mesmo bovino, já pronto, preparado com qualquer tipo de molho, estava pelos mesmos R$28,90 que se pedem em qualquer lugar por um filé qualquer. Tudo bem que o preço do self-service considera uma refeição variada em termos de pratos principais e acompanhamentos. Percebendo isso, fui um pouco mais a fundo e perguntei ao maître quanto seria se eu quisesse levar um quilo da carne já preparada. Após certa hesitação, disse-me o jovem que por R$33,90 leva-se 1000g de qualquer prato principal. Sinceramente não me surpreendi. Levei 300g do filé para comer com um couscous marroquino que eu mesmo já estava pensando em fazer. Incrivelmente, foi mais barato comprar a carne fora do que prepará-la eu mesmo.

Não quero com isso dizer que aqui na Bahia esteja em curso a bolha da carne. Jamais. Entretanto, é importantíssimo que, nesse âmbito de preços, sejamos cozinhados aos poucos, tipo a lenda do sapo na panela de água quente. De uma hora pra outra não dá. Se o filé já preparado custa R$33,90, mais em conta sairia então ele cru, caso vendem-se ali no restaurante. Conversei então com o gerente a fim de inquirir quanto me sairia um filé limpo para preparar em casa. Afinal, se excluírmos os outros ingredientes, o serviço e as despesas do estabelecimento, é natural que me seja oferecido um desconto e a carne saia por no máximo R$28,90 o quilo - preço que efetivamente terminei pagando para levar as 300g de filé.

No fim das contas, sinto-me mais esperto que o americano gordinho dono do Wal-Mart lá do Arkansas. E de barriga cheia economizando a fortuna de aproximadamente R$3,30.

Thursday, January 10, 2008

É 2008

Meu último post, o sobre preços, foi escrito em meio a uma correria enorme de fim-de-ano e preparativos pré-férias. Acho que o tema deveria ser melhor explorado, entretanto já estou escrevendo uma série de artigos as quais eu dei o título de "imbecilidades do consumo". O rótulo talvez seja grosseiro demais, porém em falta de palavra mais apropriada vai a que vem primeiro à cabeça.

A respeito desse ano que há pouco iniciou-se, ainda em seu primeiro dia, tive grande satisfação ao ler o texto do meu amigo Flavinho Piúba. Ao lado está o link para o seu Palavras de Botequim, porém se preguiça for seu problema, clique abaixo e leia um de seus melhores textos - http://palavrasdebotequim.blogspot.com/2007/12/o-que-vai-nem-sempre-volta_9882.html.

Em viradas de ano evito cair no antigo costume de me prometer coisas que não irei fazer. É simples. Se eu não me coloco as mesmas metas nas outras 364 noites, por que deveria ser diferente a cada 31 de dezembro? Isso não quer dizer, logicamente, que entro 2008 sem almejar nada de especial. Entretanto, não sei se em mecanismo de auto-defesa ou pura preguiça, só pensei , até agora, nas duas viagens que estão planejadas para esse ano (fevereiro e junho). A princípio Venezuela e Colômbia em fevereiro (sobretudo para mergulhar) e a outra ainda a resolver.

Falando em Venezuela, pretendo dedicar-me mais ao mergulho ao longo desse ano. Tirei minhas duas certificações nos últimos tempos e desde o ano passado tenho tentado encaixar mais mergulhos na minha rotina. Ultimamente, tive o prazer de mergulhar em Cozumel e em Cayman, algo "diversão estilo pinto em beira de cerca".

Pretendo também escrever mais aqui no blog. Ao longo de 2007 foram aproximadamente 80 postagens. Desde já, comprometo-me a escrever ao menos 100 - quase duas por semanas. De antemão, só as de viagem - e nelas trato de ter um olhar mais crítico e investigativo ainda - contarão por ao menos 30 dessas todas.

Mais uma vez, e tem sido sempre assim, encaro o novo ano com serenidade. Naturalmente irei ter alegrias imensas e, por outro lado, vou querer mandar meio mundo praqueles lugares os quais não convém citar em um texto polido como o meu. Ainda bem que você entendeu. É sempre assim, o mal que nos ocorre é importante para sabermos como o bom é realmente o que interessa.

Ao longo desse ano, e falando de atitudes corriqueiras, irei cumprimentar mais pessoas, dar gorjetas, tomar vinho, mergulhar, perguntar a opinião dos outros, dormir menos, participar de outras provas de corrida de rua, preocupar-me bem menos (estou muito muito perto de ter preocupação zero, já já chego lá), operar bolsa, ler sobre tudo no mundo (comecei lendo um sobre mercado financeiro), enfim, vou fazer praticamente o que já venho fazendo, logo, não precisaria citar.

Um feliz 2008 para quem passa por aqui. Saiba que sua companhia é um tremendo combustível para minha escrita e razão de grande parte de minhas reflexões.

Monday, December 17, 2007

Preços

Com a chegada de 2008, certas tarefas que deixei pendentes ao longo desse ano tornam-se urgentes. Necessariamente não deveriam ser levadas a cabo até 31/12, porém, por uma questão moral, comecei a reparar os objetos quebrados, furados, descolados, queimados, colocar quadros na parede e desembalar metade da suposta "decoração" que comprei para vir pro novo (porém no mesmo edifício) apartamento. Nesse meio estavam um par de sandálias descoladas (um pé só) e um jeans com bolso furado. Cabe dizer, em um parêntese, que passei 2007 inteiro querendo usar esses artigos porém sempre eles estiveram encostados.

Hoje, entretanto, seria o dia de resolver as pendências e levei tudo para dois pequenos negócios no Shopping Salvador. Pequenos, porém com preços de 5a avenida, foi o que pensei quando a jovem balconista teve o desplante de me cobrar R$13,00 para costurar o bolso da calça e R$18,00 (+R$8,00 da mão-de-obra e R$25,00 caso eu fosse pintar) pelo conserto da sandália. O mais impressionante foi ela dizer que só me custaria R$51,00 ter uma sandália "novinha"(a mesma que há um ano custou R$75,00). Ou eu ganho pouco ou a ninfeta gasta demasiado (justo ela a qual muito provavelmente ganha salário comercial). Senti vontade de dizer algumas verdades, porém engolei a seco, juntei minhas trouxinhas e fui embora pensativo.

Imagino, momentaneamente, o que você pensa sobre o desfecho do enredo ao chegar a esse ponto. Caso tenha lido meia dúzia do que já escrevi aqui, obvia e previsivelmente, saberá que eu mesmo resolvi consertar tudo: me furei duas vezes com a agulha (e prometi deixar mamãe costurar o bolso) e, pela primeira vez em dezenas, não colei os dedos usando Super Bonder (e após isso, ainda com 3/4 do vidrinho, posso colar o que quiser!). Para quem encarou pintar o apartamento, colar a sandália seria fichinha e de fato foi. Fiquei R$64,00 menos pobre e muito satisfeito em ter contribuído para o fim dos preços abusivos.

Além disso, acabo de minutar um email pra o Dr. Henrique Meirelles. Imagino que esteja em curso um processo inflacionário no mercado de serviços (de baixa qualifacação, frise-se) ou então meu nível de renda não me permite terceirizar o antes doméstico, das duas uma. Alguém pode evocar, após ouvir o Café com o Presidente, que o Brasil está crescendo e as pessoas com mais dinheiro. Talvez, entretanto duvido muito que o nível (excesso) de liquidez internacional e a taxa de juros americana influenciem a sola da minha sandália modernosa. Para mim isso leva outra nome: roubalheira.

Friday, December 07, 2007

Sinal da cruz

Hoje quando entrei no avião vi três pessoas fazendo sinal da cruz. Na saída até a aeromoça fez. Engrossando as fileiras, lá no trabalho alguns fazem isso também, logo que chegam. Nada contra a religião, óbvio, mas acredito que em momentos de maior violência, talvez, essa simbologia toma corpo entre nós.
Fugindo um pouco disso, vive-se fazendo sinal da cruz pra tudo. Refiro-me a nós como povo, até porque eu nem esse hábito tenho. Entretanto, do Presidente da República aos surfistas na praia da Pipa, todo mundo faz sinal da cruz por qualquer motivo. Há goleiros, inclusive, que fazem um para cada pau da trave como se algo sobrenatural fosse evitar a alegria da torcida adversária. É engraçado isso. Se perguntados, boa parte não tem idéia precisa do motivo de fazerem isso. Eles não se confessam, comem hóstia ou vão à missa.
Acredito que vivemos cercados de cacoetes sendo um grande expoente desses o Presidente Lula. Expandindo um pouco esse conceito, ele tem cacoetes verbais, em grande parte, para sustentar seus frágeis posicionamentos. Ele, até onde entendo esse hábito, opta, assim como boa parte da população brasileira, por essa e outras simbologias como forma de compartilhamento de responsabilidades. Algo como se dissesse, que se o errado ocorresse, ele seria culpado só em parte.
Os cacoetes, assim como os clichês, são recursos simples e acessíveis a todos. É mais fácil, por exemplo, recorrer ao sinal da cruz ao invés de agarrar as bolas como se com isso o goleiro passasse a mensagem de que a tarefa dele é compartilhada com o plano espiritual. Assim como é cômodo para uma figura pública, da mesma forma que o goleiro, "tirar o seu da reta". Os símbolos como os sinais da cruz e cacoetes em geral estão ligados diretamente a isso, acredito. É uma maneira de eximir-se de culpa ou responsabilide por eventos futuros.
Não entendo por completo a mística das simbologias muito menos o motivo de tantos cacoetes, mas na dúvida é bom bater na madeira três vezes.

Sunday, December 02, 2007

Baianas como business II

A princípio esse tema só renderia um texto, porém devido aos comentários pró e contra meu ponto de vista, pretendo aprofundar um pouco a análise a fim de provar, dentre outras teses, a de que você pode estar perdendo tempo fazendo faculdade.
Primeiramente o tema baianas foi utilizado pelo "folclore" que há em sua existência e por ser um exemplo que realmente vi em Salvador. Obviamente não há que ser baiana para ter um nível de renda superior a boa parte da população. O mesmo raciocínio aplica-se a qualquer tipo de vendedor de rua desde o que vende frutas, carregador de celular ou comida. A fim de se enquadrar em um médio-alto estrato de renda basta que o indivíduo tenha um retorno diário de R$200,00 (os quais em 26 dias renderiam R$5.200,00 líqüidos/mês). Isso posto, qualquer atividade comercial que renda esse spread torna-se tão ou mais rentável que o caminho clássico de estudar e arrumar um bom emprego.
Naturalmente não venho contestar o estudo, porém nem sempre é estudando que se ganha um bom dinheiro, prova disso são esses exemplos que dei. Há outros, é claro, porém não se cria um Sílvio Santos por semana, logo é preferível nem citá-los por completo. Talvez devido a um passado de instabilidade econômica, desenvolvemos um apego exarcebado a títulos e posições. Se considerarmos a existência de algum charme em trabalhar empacotado, o mesmo talvez não exista para quem tenha uma barraquinha de açaí. Entretanto, no fim das contas ambos estão economicamente em paridade.
De cara, no entanto, essa análise esconde dois fatores que envolvem ter um negócio próprio ainda que informal. O primeiro é o investimento inicial algo que dependendo da necessidade pode variar de R$500,00 até milhares de reais e o outro é a incerteza que se tem em lançar-se num empreendimento. Aqui, porém, cabe uma pequena digressão. Se o cidadão, partamos desse pressuposto, não tem educação formal e não atende aos requisitos que elenquei no primeiro artigo (línguas, estudo e informática, por exemplo), o que ele tem propriamente a perder? O mercado hoje não absorve quem sai das universidades e, em muitos casos, se absorver, lhe oferece um sub-emprego graduado.
Não é à toa a quantidade de dentistas, arquitetos e fisioterapeutas (todos obviamente com educação superior) que atuam em áreas em nada relacionadas às suas formações, para citar uns poucos. Muitos deles, inclusive, partindo para inicialmente negócios informais que após bastante esforço e mérito tornam-se pequenos e médios empreendimentos gerando diversos empregos. A própria baiana, fruto do primeiro exemplo, tinha dois ajudantes em sua barraca.
Em um país em que engenheiros e advogados recém-formados recebem propostas de trabalho de 40h semanais por um salário de R$800,00 (muitas vezes menores até que a mensalidade da faculdade, se privada) , ser baiana de acarajé, vender sanduíche natural ou qualquer atividade informal acaba sendo um escolha sensata e lucrativa. Em última análise, nós clientes comeríamos empadinhas bastante culturais.

Wednesday, November 21, 2007

Baianas como business

Dia desses, enquanto comia um acarajé, comecei a reparar no fluxo de pessoas em volta da barraca. Era perto das 17h e uma fila quilométrica se amontoava em torno da cobertura de 2x2 onde uma baiana devidamente paramentada (vestidos, colares e afins) junto com dois ajudantes despachavam acarajés, abarás, cocadas e coca-cola (por algum motivo nunca vi uma vendendo cerveja, mas ainda vou descobrir o porquê).
Fazendo uma análise empírica, e considerando que essa não é a baiana mais famosa de Salvador (não é Cira, Dinha nem Regina), reparei que ali se vende um acarajé por minuto. Ora, se cada acarajé é vendido a R$3,00, em uma hora faturam-se R$180,00 e em quatro horas apuram-se R$720,00. É uma meta simples de alcançar: 240 vendas de R$3,00 (já dando um bom desconto afinal não estou incluindo cocadas, bebidas ou acarajés em uma freqüência maior que a cada sessenta segundos).
Continuando a matemática, as baianas de acarajé, no geral, trabalham de segunda a sábado das 16h às 20h. Nunca vi acarajé antes do fim-de-tarde e em dia de domingo só se vende em pontos turísticos. Entretanto, para sermos fiéis, além desse regime de 4h/dia, vamos considerar que elas necessitam de duas horas antes e duas depois para preparo, montagem e desmontagem de sua estrutura quituteira. Enfim, as jovens de branco rendado também trabalham 8h/dia.
Calculando sobre um faturamento médio/dia de R$700,00 (dei R$20,00 pro "santo"), teremos que ao final de um mês (vinte e seis dias de trabalho, quatro folgas), a baiana terá faturado 700*26 = R$18.200,00. Se cada ajudante lhe custar R$1.000,00/mês (o mesmo que ganhei para andar engravatado e ser escriturário no BB) e que ela paga a sei-lá-quem um aluguel de mais R$1.000,00, ainda assim sobrariam R$15.200,00.
As baianas no geral são pessoas de muito boa índole e reputação. Dessa forma, vou supor que elas doam R$200,00/mês para ONGs como Greenpeace, WWF ou similares. Por fim, seu faturamento bruto é de R$15.000,00. Se considerarmos que ela gasta 33% do seu faturamento com o custo de produzir os acarajés, facilmente chegamos a conta de R$10.000,00 mensais líquidos.
Para melhor explicar, segue Demonstrativo de Resultado do Exercício para o mês I:
(+) R$18.200,00 - Vendas Brutas
(-) R$5.000,00 - Custo de Produtos Vendidos
(=) R$13.200,00 - Lucro Operacional
(-) R$1.000,00 - Empregado I
(-) R$1.000,00 - Empregado II
(-) R$1.000,00 - Instalações
(-) R$200,00 - Greenpeace
(=) R$10.000,00 - Lucro líqüido
Rapidamente conclui-se que ser vendedor de rua é mais rentável que estudar para concurso público. Baianas de acarajé necessariamente não precisavam fazer faculdade, quiçá mestrado; não estudam línguas ou informática; não são obrigatoriamente líderes, proativas, motivadas, ambiciosas e "hands on"; em resumo, as baianas praticam o mesmo ofício há décadas (o qual é inclusive Patrimônio Cultural Imaterial) e com isso obtêm renda que as coloca no topo da pirâmide social.
Se você estiver pensando em mudar de carreira, vá em frente. Eu ainda prefiro não me vestir de baiana.

Tuesday, November 20, 2007

Procura-se um revisor

Meus textos em alguns casos estão carregados de erros, foi o que constatei após uma leitura que fiz esses dias. Em grande parte acho que isso se deve à minha constumeira impaciência com tudo que me cerca e como diferente não seria, digito feito um doido e nem me dando o tempo de reler, já clico em publicar e só então, com um pouco mais de calma, dias depois, paro, leio e vejo o que passa despercebido por mim.

Comigo, a escrita flui de maneira muito rápida e direcionada. Às vezes tenho uma idéia de escrever algo, faço alguns parágrafos e vou salvando no site. Atualmente estou com menos, afinal fiz uma campanha para publicar o que estava pendente (esse é inclusive um deles) e terminei limpando boa parte dos textos rascunhados, porém já cheguei a ter dez rascunhos por meses sem nem tocá-los. Resultado, quando tenho vontade, sento, publico e pronto. Nisso entram no ar diversas falhas que não reparo. Enfim, isso foi para falar que não tenho muita paciência em escrever pausada e delicadamente.

O resultado de minha personalidade apressada são os erros que passam batido e que aqui ou ali, pessoas com muito jeito e delicadeza vem me apontando. Agradeço a todas, obviamente, mas necessito algo além disso: estou em busca de um revisor. Pode ser revisora também. Alguém que tenha um delta de calma a mais que eu para acertar defeitos que ficam após o texto ser publicado e para os quais eu dificilmente retorno a fim de consertar.

Estou disposto, inclusive, a dar minha senha para que quem for revisar entre e corrija itens como pontuação e ortografia, sobretudo. Acho que na impaciência e até pressa em colocar novidades aqui, termino perdendo um pouco o critério e nessa esteira muitos textos truncados vêm a público num claro atentado à minha imagem de bom e atencioso blogueiro.
Por fim, está feito o convite, adianto que o trabalho é voluntário. Hoje em dia isso é chique.

Tuesday, November 13, 2007

Um prato de cuscuz resolve

Assim que entrei na natação a nutricionista mandou cuidar da ingestão calórica. Ora, se fosse bom ela não estaria me avisando previamente, foi o que pensei. E não era que a infeliz tava certa? Já saio da piscina com uma fome absurda e às vezes não é fácil manter uma linha nutricional após nadar 2000m.

Foi o que ocorreu hoje. Já saí d'água com uma fome das arábias. No caminho de casa havia Burger King, Habib's, Mc Donald's, acarajés e todo tipo de veneno fast-food. Resisti bravamente, cheguei em casa e comi uma maçã. Naturalmente uma maçã não dá nem pra saída, logo comi um iogurte e por último três morangos. Foi então quando comecei a pensar em retomar um texto que iria concluir aqui. Sentei na cadeira e lembrei de uma caixinha de couscous que ainda estava aberta na geladeira: aí começou meu martírio.

A cada digitada eu só pensava no cuscuz (ou couscous) que, convém ressaltar, nem é essas comidas todas, mas pra quem tá com fome né? Foi aí então que minuciosamente minha mente começou a trabalhar contra mim mesmo: passei a avaliar os prós e contras de comer o primo do fuba e finalmente cheguei a conclusão que se eu tivesse parado no Mc Donald's teria sido muito pior. Pronto, estava dada a ordem para comer o cuscuz como se fosse a mais fina das iguarias.

O preparo seguiu o passo-a-passo que já coloquei aqui (massa de couscous marroquino, caldo de galinha ou carne, cinco minutos de fogo) e além disso fritei dois ovos com azeite. Enquanto comia, também tentando aplacar a consciência, pensei que poderia ter colocado itens bem mais engordativos (se houvesse na geladeira também né?) e assim minha mente aceitou passivamente o prato de couscous com ovos na medida em que cada colherada (sim, eu como como pedreiro) descia goela abaixo.

Ah, se os males do mundo fossem simples assim. Em meu caso, um prato de cuscuz resolve.

Saturday, November 03, 2007

Rap das Armas

De tempos em tempos nossa produção cultural nos brinda com obras de caráter bastante duvidoso. É desnecessário citar exemplos, porém o último hit que estoura em todas caixas de som (dos postos de gasolinas às nights ensacadinhas) é o tema da produção de Tropa de Elite, para quem não lembra é a música do "Parapapapapapapapapa".

Após assistir o filme por duas vezes fiquei curioso em procurar a letra e finalmente me deparei com o bastante sugestivo título do "Rap das Armas". Sua estrutura, caso queira ler, encontra-se no link a seguir - Rap das Armas. Sugiro que dê uma rápida olhada só para entender a que me proponho.

Não sou especialista em armas, mas claramente se vê, a partir do título, que a intenção do seu autor é intimidar, além de logicamente incitar e propagar a cultura da violência. Arrisco dizer, inclusive, que esse tipo de produção é financiado pelo próprio tráfico em uma relação promíscua e ilegal. Ironicamente, a prática do mecenato foi de Roma aos morros. O pior de tudo, porém, não é nem a produção ou financiamento desse tipo de "cultura" e sim, seu consumo. Esses marginais travestidos de artistas, incitam a violência em um claro atentado à ordem democrática e o estado de coisas que fazem do Brasil que construímos um país onde há respeito às diferenças. Nós, enquanto classe A-B-C, rimos e achamos gostoso descer até o chão enquanto o camarada propaga que "lá vem aquele de AK-47". Em tempo, essa é a arma mais utilizada por forças terroristas como os Taleban, os rebeldes da Chechênia e atuais insurgentes no Iraque. Para falar somente de um exemplo, sob pena de ser repetitivo.

É urgente a construção de um critério mínimo de consumo da cultura dos morros. Um lado da moeda é calça da Gang, popozudas e essa maneira lasciva de dançar. De outro, em muito relacionado também à cultura funk, há um claro ataque ao poder constituído ao mesmo tempo em que se romantiza um elemento cuja forma de divertir é propagar artefatos de destruição massiva e desproporcional ao ambiente urbano. A condescendência com a qual tratamos o que desce de lá será uma conta bastante alta de pagar, se já não o é, ao que passo em que se acha natural ouvir a palavra granada enquanto se paquera a gatinha ao lado.

Já tornou-se lugar comum a pujança do poderio militar da indústria do crime no Brasil. Isso é fato, o que critico e questiono é que nós enquanto reféns desse enredo social, consumamos uma cultura que se propõe unicamente a exaltar uma máquina capaz de nos fazer perder o sono e até a vida, em muitos casos. O problema da criminalidade vai mais além de uma canção, eu sei. Entretanto, de tanta tolerância, fico aqui pensando onde iremos parar nessa roda-viva de romantização da criminalidade, seja ela descortinada ou velada, como esses pancadões o são.

Ultimamente, ou pelo menos até onde lembre, todo verão lançam-se músicas que vão bombar. Ao ouvir essa exaltação ao poder paralelo, confesso que me dá uma saudade danada do É o Tchan, Calypso e músicas de rebolado. Lixo por lixo, é preferível o que se dedica somente a entreter.

Tuesday, October 30, 2007

Dois anos de Bahia III

(CONTINUAÇÃO)


O pior de querer, e até em parte, alcançar ser gente grande é a solidão. Não durou mais de dez dias para perceber que viveria boa parte dos meus momentos sozinho. Claro que existem pessoas muito importantes para mim aqui, porém eu sentia uma falta de tudo. Não demora muito até você perceber que o ônus de se lançar em certas aventuras (ou até doidice, dependendo do intérprete) tem um preço bastante alto e isso, em muitas vezes, beira o arrependimento. Ao chegar aqui, saí de um ambiente bastante acolhedor em Macaé para encarar o que seria a rotina de morar numa Salvador que em muito diferia do que eu estava acostumado tanto em Natal, quanto em meio à minha turma de CF no Rio (muita gente e agitação).


O que a época de chegar aqui me reservaria seria, a princípio, um esquema de casa-trabalho, arrumação de mudança e tarefas chatas as quais em nada se pareciam o que eu sempre imaginei de ser o fato de morar só. A época em que aportei à Bahia, entretanto, é a que imagino ser a melhor: o verão. Salvador faz jus a fama de cidade festeira e, da 1a semana até pouco antes do carnaval, onde não fiquei aqui, mas fui para Caicó, frequentei todo tipo de festa: ensaio de tudo no mundo, festas, lavagens e correlatas. Nesse período, meu banco de horas pulou do azul claro para o vermelho encarnado, mas tudo era festa. Mais uma vez, o ciclo se inicia nas próximas semanas, porém hoje não vivo mais a mesma tara de festas como todo turista (e assim me considerava quando vim pra cá) tem. Pelo fato de se mencionar Salvador, automaticamente diversas pessoas têm uma visão de "acarajé, Pelourinho e capoeira", mais ou menos a mesma que tive.


No entanto, fato é morar em uma cidade, algo totalmente distinto é ser turista nela. São Paulo, por exemplo, é excelente para passear, porém se fosse morar ali, eu teria que me acostumar com aquele trânsito FDP, algo no qual Salvador não deixa muito a desejar não. Vivo dizendo que me considero também baiano, mas o trânsito aqui é capaz de irritar o mais apaixonado dos soteropolitanos e isso é sem dúvida meu maior incômodo com relação à essa bela cidade.


A solidão, continuando, em meu caso, vinha do excesso de tempo livre pós-trabalho. Nessa esteira, resolvi que iria ocupá-lo, logo eu fiz curso de redação, mergulho, culinária (japonesa, italiana, francesa, brasileira, chinesa), drinks, vinhos, natação, corrida, musculação, boxe. Fui a degustações de whiskey, vinho, vodka, cerveja. De positivo nisso tudo teve perda de peso (8kg) e muitas amizades que fiz. Por último entrei numa confraria na qual nos reunimos quinzenalmente para cozinhar e tomar vinho. Como se vê, minha rotina é bastante relacionada com a mesa. Por fim, aprendi a lidar com a solidão e talvez seja por isso que hoje consigo viajar sozinho (como relatado abaixo) e não sofrer ou me amedrontar com o fato de deparar-se somente com minha própria compahia.


Por outro lado, ainda tocando no tema solidão, no geral os domingos ainda são terríveis para mim. Lá em casa, em Natal, eles são historicamente dias bastante "famíla", sobretudo os almoços, e isso faz falta. Arrisco até dizer que é o tipo de ocasião insubstituível na vida de alguém, afinal invariavelmente em quase todos domingos sinto falta deles, dos bons papos, porém isso é algo que ainda terei que trabalhar e possivelmente quando fizer outro retrospecto já terei evoluído um pouco mais.


A dor, a qual me referi acima, produz crescimento na maioria dos casos. Contudo o pior misto de dor que já senti ao longo desse período foi o de ficar seriamente doente e não ter o apoio dos meus mais próximos. Peguei um rotavírus (imagino que seja o vírus que vem por aí rodando) e rapidamente fiquei acamado por dois dias. Não sei se por peculiaridade da doença ou por falta de cuidado, na segunda noite acordei com uma febre de 40C e fui dirigindo para o pior hospital que um ser humano pode ir: Hospital Aliança. Lá chegando às três da manhã começaram uma bateria de exames que incluiu radiografia, ultrassonografia e tomografia; exame de sangue, fezes, urina e toda uma saraivada de procedimentos os quais possivelmente foram só para fazer caixa a fim de manter uma estrutura nababesca. Resultado: ao meio-dia eu ainda não havia sido medicado e arranquei o soro da mão, atirei contra a parede e sai com mais de mil de lá. Minha saúde não me permitia rompantes de cólera, porém o negão 2x2 deve ter sentido o clima fechar quando eu mandei ele tomar naquele canto, após tentar me impedir de sair do hospital, enfim eu mesmo me liberei dos cuidados médicos e hoje guardo um "atestado de alta por evasão hospitalar". Como pude comprovar, ainda continuo metido a esquentado, mas nada que o tempo não cure e o fato de engolir muitos sapos contribui para isso.


Já concluindo, por aqui encerro esse meu relato, com a única certeza que não sei do meu amanhã seja ele de fato amanhã ou daqui a alguns anos. Não tenho idéia se e nem quando volto para Natal, apenas vivo o dia-a-dia como sendo um presente divino e o melhor de tudo são as histórias para contar que felizmente vão se somando às muitas que já foram contadas e outras que estão aqui relatadas. O que vivi nesses dois anos, acredito, me habilita a alçar vôos ainda maiores (o que quer que isso queria dizer) e sou bastante grato pelo fato de que a balança de dois anos de Bahia pende bastante para o lado positivo.

Por último, gostaria de aprofundar ainda mais o cárater auto-biográfico desse texto, porém sob pena de tornar-me chato e repetitivo deixarei para explorar temas específicos como viagens e festas (muitos dos quais já falei em diversos textos) isoladamente a fim de não matar ninguém de tanto ler pois sei que na tela tudo cansa bem mais. Através desse blog, algumas pessoas lêem meus textos e me chamam de aventureiro. Pois bem, dentre todos esses relatos, esse talvez seja o que mais conta de mim: nessa minha aventura de viver.

Dois anos de Bahia II

Continuando, essa chegada à Bahia foi o término de um período que eu imaginava ter acabado quando saí da faculdade: o de estar sob a "proteção" constante de alguém. Assim que me formei, passei quase dois meses na Argentina, entrei pro Banco e logo vim para a Petrobras. Eu não havia até então entendido a dimensão na qual me inseriria enquanto adulto, justamente por ter saído de casa em maio de 2005 e automaticamente ingressado em um grupo incrível que foi a turma com a qual entrei na Companhia e comecei propriamente minha carreira profissional. Até a 1a noite no meu apartamento em Salvador, onde entrei com um colchão, uma vela, uma garrafa d'água e toda minha mudança (resumia-se a duas malas), minha vida tinha sido totalmente protegida: durante vinte e poucos anos pelos pais aos quais Deus encarregou-se de dar a hercúlea tarefa de me fazer gente e depois, mesmo que momentaneamente e guardada a proporção do que isso pode significar, por uma turma de Curso de Formação na qual todos (ou ao menos a maior parte) eram de fora e o máximo que sabiam de seus destinos é que deixaram para trás muitas coisas.


A realidade do que a independência significaria começou a descortinar-se na medida em que tive que assumir tarefas que até então passavam ao largo da minha percepcão faculdade-estágio-academia-vida noturna. Pode parecer uma espécie de manha, mas eu nunca imaginei como seria difícil lidar com uma casa e ser realmente independente, o que até então eu só vinha vivenciando em parte já que por seis meses morei em hotel, não tive chefe, aborrecimentos, encheção de saco, ou seja, ainda vivia o fator novidade de ser "gente grande". A partir de então, há exatos dois anos, foi quando eu passei a perceber que o buraco era mais embaixo.


Ao longo desse tempo, uma antiga lei da física provou-se verdade pra mim: a de que se um corpo for deixado em repouso a menos que uma força externa atue, ele permanecerá assim indefinidamente. Lembro a lei, mas de cor eu não sei o número. Com 33% de chance de acertar ou foi a 1a, 2a ou 3a. Enfim, os copos, tênis, roupas, livros, chave de carro, eles simplesmente adormeciam onde eu tinha deixado e amanheciam guardados, pendurados, lavados, limpos, enxutos e prontos para uso. Minha percepção míope não atentava para o fato de que alguém (ou Mamãe ou Raimunda, nossa lendária companheira) havia estrategicamente passado por ali e organizado o que eu não tinha feito, possivelmente ao chegar de madrugada de algum canto. Essas pessoas não iriam mais estar no meu apartamento em Salvador.

Os copos, pratos, talheres e toda imundície-bagunça-alvoroço que eu fizesse estariam de volta aqui em casa como se testemunhassem uma vida inteira de gente indo atrás do que você poderia facilmente ter feito e nunca fez. As nadadeiras ainda salgadas quinze dias em cima do sofá eram a prova cabal de que eu não tinha a mínima competência para gerenciar um apartamento de 50m2, quiçá uma vida. Esses pequenos detalhes da rotina ensinam e desgatam bastante porém eles são uma das facetas, talvez a ponta do iceberg.

(CONTINUARÁ)

Dois anos de Bahia I



Esse apanhado já foi conversado e discutido em muitas esferas: mesa de bar, trabalho, msn, mas só agora sento para tentar fazer um relato de dois anos de Bahia. A verdade é que essa idéia surgiu ainda no ano passado, porém com a correria do fim-de-ano terminei sem escrever e passei 2007 inteiro esperando chegar esse momento para enfim abordar talvez os dois anos mais intensos da minha vida.


Naturalmente tenho vivido intensamente desde que saí do segundo grau, imagino. O período de faculdade e o após ele foram cheios de novidades, mas esse foi mais peculiar, e suponho que você concordará comigo caso encare a maratona da leitura. É claro que outras épocas de minha vida também tem seus pontos altos, porém me manterei fiel aos últimos vinte e quatro meses.


Para começar, cheguei aqui de pára-quedas. Talvez exagerando um pouco foi mais ou menos com uma mão na frente outra atrás. Não era tão mal assim, afinal vinha empregado e com todas frescuras do mundo, porém no aspecto pessoal, além de Thiago, que vinha comigo de Macaé, as pessoas que conhecia na Bahia se resumiam a colegas de trabalho (alguns dos quais tornaram-se também amigos próximos).


Nunca esqueço quando cheguei aqui em 31/10/05, véspera do meu aniversário, e me espantei com a distância até o aeroporto. Mal sabia que iria ir e voltar essa Avenida Paralela pelo menos umas vinte vezes para ir à Natal (pelas minhas contas deve ter sido isso mais ou menos). O dia seguinte, 01/11, seria o que até hoje imagino ter sido um dos piores da minha vida: além de ser meu aniversário, lembrei muito da minha família, dos amigos que deixei em Macaé, de um "amor" (complicado dizer como evoluiria, mas ainda assim especial) deixado no Rio e o medo de tudo que estava por vir. Eu havia trocado de cidade como quem muda de roupa, explicarei mais abaixo.

São nessas horas que começam a aparecer os torturantes "e se...". Confesso que eles ocuparam minha mente por um tempo, acho que pelo menos os seis primeiros meses foram cheios de "e se..." e até onde percebi eles não contribuiram com muita coisa. Fato era, hoje eu percebo, em uma questão de dias eu havia dado um rumo totalmente diferente à minha vida e não sabia aonde isso iria me levar, se eu iria gostar,me adaptar, ficar aqui para sempre, em resumo, eu não sabia de nada do meu presente e futuro imediato. Pode parecer exagero porém até hoje imagino que as repercussões dessa minha decisão impactaram toda minha vida: trabalho, família, amigos. É mais ou menos a tese da Teoria do Caos, ou seja, um "sim, eu concordo" mudou possivelmente o trabalho que eu desempenho, a pessoa com a qual vou me casar, um eventual acidente que eu poderia vir a ter. É viagem demais começar a conjecturar a esse respeito, mas espero ter sido claro no valor que acho que esse sim pode ter tido.

A verdade é que a situação era essa pelo fato de haver aceitado uma transferência para cá e sobre ela convém abordar mais profundamente. Cheguei de Buenos Aires na véspera do dia em que concordaria vir pra cá. Após um papo de cinco minutos eu havia acabado de decidir que moraria na Bahia. É hilário, mas o que me passou pela cabeça foram três coisas: acarajé, capoeira e Pelourinho. Juro que em momento algum pensei em vida, rotina. Nada. Quando ouvi a mulher sugerir vir para Salvador (após seis meses de RJ), concordei como se ela tivesse dito "vamos tomar um café" e a tal da ficha não veio cair até essa terça-feira, 01/11 - meu aniversário, hospedado em um hotel mixuruca (os melhores estavam lotados) no antro da prostituição baiana. Hoje acho graça, mas não nego que um leve desespero começava a tomar conta de mim.


A sabedoria popular, e é sempre oportuno recorrer à ela, diz que não há desespero que dure pra sempre, ou algo do tipo. Foi nisso que me peguei há exatos dois anos e saí para tomar uma cerveja em comemoração ao meu aniversário. Em respeito a quem me levou para uma véspera de finados em Salvador, não vou dizer que foi uma merda, mas foi bem ruim. Poderia ter sido pior caso tivesse ficado assistindo Casseta & Planeta em uma terça-feira de aniversário. Em parte aí começou-se a formar dentro de mim um conceito que evoluiria ao longo do tempo que é o de que as coisas podem sempre piorar. De certa forma está relacionado à Lei de Murphy, mas fato é que hoje, após tantas situações trágicas e engraçadas, penso que o motivo de uma reclamação hoje pode ser o de uma alegria amanhã e vice-versa. O que temos de fato é hoje, o amanhã é mera especulação.


Lembrei que escrevi uma carta para Flocos, no meio de 2004 (inclusive está abaixo, basta procurar por "Flocos" em seu navegador) a qual dentre outros conselhos dizia assim " Saiba que o crescimento vem acompanhado de dor. Se vier a senti-la, lembre que eu, a torcida do América e mais um monte de gente estaremos com você. Sempre.". Ironicamente, eu iria me pegar lendo a carta que eu tinha escrito para um amigo como forma de entender tudo o que se passava na minha vida.


(CONTINUARÁ)

Wednesday, October 24, 2007

V Meia Maratona Internacional da Bahia

Como comentei abaixo em Pintura de apartamento, tenho o hábito de "inventar novidades e abraçá-las como metas a alcançar". Uma delas, iniciada no meio do ano passado, foi a de iniciar um treinamento de corrida e entrar para o Clube de Corrida da academia. Até aí nada diferente do sempre eu: inventar uma novidade para ter com quê se preocupar.

Para começar um treinamento assim, de início cada quilômetro é sofrível e uma mistura de dor generalizada, ofegância e uma completa sensação de desmonte corporal tomaram conta de mim. Dóia tudo, é claro, afinal o máximo que eu tinha corrido até então tinha sido as Olimpíadas Infantis do Colégio Marista de Natal aí pelo começo dos anos 90. E como não poderia ser diferente, a medida que fui ganhando condicionamento, resistência, ousadia e gaiatice, passei a percorrer maiores distâncias no asfalto até que participei da 1a prova em agosto último.

Naturalmente, e como reforcei abaixo em XXXV Corrida Duque de Caxias, após vencida uma prova de 10km, a meta seria a Meia Maratona que ocorreria dois meses depois. Conhecendo esse Daniel que conheço, e fiel a meus princípios-auto-flagélicos (para quem ler hoje, 24/10, amanhã no escritório olho no dicionário se existe essa palavra, mas até lá fica assim), treinei feito um corno: aclives, corridas diurnas, a favor/contra o vento, noturnas, longas distâncias, ritmo intenso; em resumo, melhorei meu tempo, mas o principal foi minha resistência. Estava pronto para correr exatos 21,1 km na V Meia Maratona Internacional da Bahia marcada para o domingo dia 25/10.

Nos últimos dias antes da corrida estava em Recife. Lá, na quinta-feira anterior à prova, corri 7km em Boa Viagem. Fiz um tempo bom (41' - para os meus termos) e fui descansar crente que a meia seria tranquila. Na sexta, entretanto, saí na noite pernambucana e, digamos, tomei umas cinco doses de whiskey. Logo, partindo do axioma popular de que "quem nunca come mel, quando come se lambuza", por analogia, associo que "quem está sem beber, quando bebe se ferra"e foi exatamente o que ocorreu: acordei o sábado com uma ressaca de matar qualquer queniano.

Nesse dia não caminhei, nem mesmo corri ou alonguei. Deixei minha cabeça latejar e passei o dia inteiro em completo repouso na vã ilusão de que estaria pronto para correr no dia seguinte. Puro engano. A ressaca entrou pelo domingo de tal maneira que desde às seis da manhã quando o despertador tocou e ainda ousei levantar para tentar me aprontar, percebi que meu dia seria da redinha na varanda do décimo andar do Itaigara pro sofá e nada de muito movimento - que dirá meias maratonas. Não sei se me arrependi, ainda nem formei opinião a esse respeito, mas desde então eu ri muito. Só de vingança em 2008 vou correr uma maratona inteira: 42,2 km hahaha.

(Ao longo do próximo ano irei postar aqui o desenrolar desse mais novo auto-flagelo).

Wednesday, October 17, 2007

40 docinhos




Em um fim-de-semana desses, fui ao casamento de um casal amigo. Tudo como manda o ritual. A respeito da cerimônia e desdobramentos, nada a comentar. Já dos convidados, o único senão foi uma senhora que, após aberta a mesa dos doces, achou por bem levar 40 docinhos. Ora, ela nem devia poder comer tanto açúcar. Possivelmente por problemas de idade: triglicerídes, glicose e talvez até diabetes. Cárie não ataca chapa, logo essa preocupação não existia. Em todo caso fiquei com a cena na cabeça: a inofensiva velhinha (daquelas bem vovozinhas mesmo) carregando 40 docinhos.

O que leva alguém a avançar sobre uma mesa e insatisfeito com tal voracidade, carregar 40 docinhos? Gula? Falta de educação? Ajudar os netinhos a "garantir o seu"? Se restar dúvida de como comumente as pessoas avançam, sugiro assistir Coração Valente justo na parte em que Mel Gibson grita "SCOTLAND!!!". A foto de início desse post exemplifica bem.

Antes de tudo doce não é minha praia, logo ela não era uma ameaça ao meu intuito alimentar. Se ela voasse nas garrafas de uísque, aí sim eu tomaria partido, mas até então ela podia morrer com brigadeiros e olhos-de-sogra (se bem que atualmente tudo em bufê leva nome em francês, né?) que de minha parte eu não ofereceria resistência.

Analisando o fenômeno, já de volta a meu computador, passei a associar o mesmo comportamento de manada a diversas atitudes do dia-a-dia. É fácil perceber como a velhinha perdeu a racionalidade frente aos docinhos se traçarmos um paralelo com o alvoroço que é não só para embarcar, porém sobretudo para desembarcar de um avião. Basta o piloto tocar a pista e o avião começar a andar um pouquinho mais devagar que metade do vôo se inquieta ao ponto de a comissária ter que chamar a atenção de um ou outro. Por fim, assim que chega-se à ponte, 99% do avião fica em pé, mesmo sabendo que naquela posição ainda permanecerão por pelo menos cinco minutos.

E nos self-services? Alguém já reparou como as pessoas "avoam" sobre os pratos? Até parece que aquilo tudo é boca livre. No fim das contas, todo mundo se serve, pesa a comida e paga proporcional ao que levou. Esse último exemplo foi para contrastar com os bufês em geral. Basta algum cristão dizer "o bufê abriu" que meio mundo de mortas-fome (p.s. acabei de tirar a dúvida de hífens em - http://www.pucrs.br/manualred/hifen.php) avança feito um bando de hienas rumo à carniça. Discovery Channel perde feio.

Como é de costume, alguém pode dizer que as mortas-fome (em maior número mulheres, infelizmente, por isso o feminino) quando se digladiam pela coxa do peru (e haja porrada aí pois até onde sei as aves-não-transgênicas detêm apenas duas) estão fazendo "o prato dos meninos" ou "do marido". Pra cima de mim?

Por último, lembrei da história do Lobo Mau. O diálogo dele com a Vovó seria mais ou menos assim:

L - Vovó, pra quê essas mãos tão grandes?
V - É pra poder carregar mais doces, lobinho.
L - Ahhhh.

Festa do Padroeiro de Maracaípe

Pela 5a vez em dois anos percorri o trecho Salvador-Natal (ou o oposto) por carro. Muitos dizem que é loucura e não tiro suas razões. Enfrentar 1150km não é para qualquer dia tampouco qualquer um. Entretanto, como tudo na vida, há vantagens as quais, dependendo do ponto de vista, amenizam a trajetória de em média 15h.
Conhece-se um Brasil distinto das grandes cidades. Lugares remotos como Piaçabuçú (AL), São José da Coroa Grande (PE) e Mamanguape (PB). Saindo de Salvador às 11h da manhã, cruzava a PE-060 às 21h e o cansaço começou a chegar. Olhei em volta, só havia canavial e , não dá pra negar, o camarada sente um medinho de qualquer coisa. Sei lá o quê. Ainda faltavam, mais ou menos, 350km até Natal e seguindo no mesmo ritmo aportaria na Capital Potiguar por volta de uma da matina. Era de fato o que eu queria, chegar em casa o mais cedo possível, contudo o destino me reservaria uma experiência diferente.
Parei em um posto de gasolina (que felizmente apareceu antes de uma "pousada" qualquer) para perguntar a um cidadão muito despreocupado, como boa parte dos frentistas de interior, qual era a parada mais próxima. Qual não foi minha surpresa ao saber que estava a meros 20km da paradisíaca Porto de Galinhas. Pronto, ali descansaria.
Lá chegando e após a busca por uma hospedagem, soube por fontes seguras que o movimento da noite seria em Maracaípe (conhecido pico do surfe) em sua pública festa do padroeiro. Justiça seja feita, não me animei muito, é verdade, mas já escaldado de outras festas de rua, públicas, povões e afins, coloquei uma camiseta furada, uma bermuda até mais ou menos e vinte conto no bolso. Subi no mototáxi e após quinze minutos de "pó-pó-pó" eu estava a beira do apocalipse.
Não quero ser preconceituoso, que fique claro, porém é necessário uma dose cavalar de mente aberta, álcool e empolgação para se soltar em festas assim. Após 11h de direção, fato era, eu juntava mais ou menos todos os requisitos auto-impostos para o lazer a baixo custo em meio à população nativa de um point do surfe nacional. Além disso, tomar algumas cervejas (e o dinheiro também não tinha como dar para mais que isso) ouvindo um cover de Aviões do Forró era seguramente melhor que ter dormido em alguma hospedagem de BR (entedida em seu sentido lato sensu, ou seja, motel) ou seguir dirigindo mais 350km até Natal.
O público, em sua maioria, era estranho à minha convivência. Novamente não quero soar preconceituoso, afinal foi bastante divertido, porém meu dia-a-dia não me brinda com a convivência entre pessoas tão animadas e soltas. Os nativos, no geral, são assim soltos e felizes à sua maneira.
...
[Gostaria, aqui, de fazer uma pequena intervenção e analisar meu próprio texto. Comecei a escrevê-lo há uma semana e só hoje, 17/10, retomei a redação. Ri muito ao ler o último parágrafo o qual muito se assemelha À Carta de Pero Vaz de Caminha escrita assim que os portugueses aportaram aqui (A Carta, Pero Vaz de Caminha - http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html). A maneira como descrevi os locais soou, ao meus olhos, preconceituosa e elitista, entretanto não cabe alterar].
...
Voltando à festa, restavam R$2,00 no bolso que seriam a condução de retorno. Subi numa kombi velha e voltei para minha realidade menos crua. No caminho comecei a pensar no que ainda me falta ocorrer. Certamente, na próxima Festa do Padreiro de Maracaípe, em outubro/08, estarei menos preocupado com o ambiente e mais imerso na multidão. Por fim, a experiência valeu: as cervejas, as risadas e o texto.

Tuesday, October 16, 2007

Pintura de apartamento

Tenho um mau hábito de inventar novidades e abraçá-las como metas a alcançar. Reputo como sendo um mau hábito, afinal não raras vezes me arrependo de ter pensado demais e quero desistir, mas uma espécie de auto-orgulho me inibe de cair fora do que nem deveria ter sido iniciado. Se eu fosse reler esse parágrafo, certamente não iria entender muito bem o que quis dizer, porém com um exemplo todos conseguem compreender.
Após uma extensa negociação, mudei de apartamento aqui em Salvador. Não foi nada grandioso, afinal saí do nono para o décimo andar. A mudança, no entanto, ocasionou uma série de pequenos acertos e reparos em ambos apartamentos - o vago e o novo. Até aí tudo bem, afinal não é a primeira vez que faço e desfaço malas, mas, no geral, dessa última meu tempo foi bastante tomado e, momentaneamente, deixei de lado algumas atividade cotidianas como o blog, por exemplo.
Dentre um dos reparos necessários estava a pintura do novo apartamento. A idéia inicial seria pintar tudo, porém fui diminuindo até que restringi-me somente ao quarto. O pintor, um camarada da mais alta polidez e simpatia, furou quatro vezes. Essas evasivas mexeram comigo e então tive a infeliz idéia de eu mesmo pintar a nova morada. Repito: I-N-F-E-L-I-Z. Melhor teria sido se nesse momento de loucura, eu estivesse dormindo e a atividade de pintura fosse um mero pesadelo.
De idéia na cabeça, comprei todo o material e no último domingo comecei o que seria um lazer mas terminou como um parto. Faço aqui uma pequena interrupção: tenho uma tese de que tudo no começo é bom e, como não deveria ser diferente, minha missão iniciou-se às 8h como ares de grande acontecimento e encerrou-se, já pelas 17h de um domingo de sol em Salvador, com uma tremenda sensação de alívio.
De começo é uma beleza: o cara começa devagarzinho, dá uma pincelada aqui, se mela um pedaço, em resumo acha tudo bacana. Esse é o momento novidade. Lá pra uma hora de pintura, o cidadão já se acha o Salvador Dalí. A prática adquirida em sessenta minutos de pintura, o habilita até a ganhar um extra nas férias e ele começa a se perguntar "por que eu nunca pintei antes?". Terminada a primeira demão (camada) de tinta, já dói tudo: braço, perna, costas, cabeça. Se for destro, o mané vai tentar pintar com a esquerda pra aliviar e é aí que o caldo começa a entornar. Muitos podem associar isso ao casamento, mas deixo as analogias por conta de cada leitor.
Após duas horas de tinta, o imbecil vai querer parar por algum motivo. Seja café, cigarro ou banheiro, qualquer auto-desculpa o tirará do seu flagelo. Comigo não foi diferente. A visão de todo, algo que a filosofia há muito vem discutindo, não chegou nem a sua metade. Se eu já achava que tinha chegado ao inferno, faltava pintar o teto... Ah, o teto. Por que danado a gente não mora em casa sem teto? Podia ser aquela da música que não tinha teto não tinha nada! Meu domingo iria piorar exponencialmente ao começar levantar o pincel em direção ao céu...
Pintar o teto, e aí peço uma pequena abstração de sua parte, é ficar feito um otário com um cabo de vassoura na mão esfregando um rolo pra lá e pra cá pelo menos umas setecentas vezes. Se for usuário de lente de contato, como eu, dê um jeito de acostumar-se com os pingos ou use óculos de proteção (eu tinha mas nem lembrei disso). No geral, dá pra cansar, isso eu garanto. E lembremos que aí conclui-se a primeira demão. Falta a segunda.
Pós-almoço, é hora de pedir pra morrer. Primeiro já se fez a merda de iniciar uma pintura que por qualquer cem conto alguém faria, depois porque você ainda não chegou a lugar nenhum. O máximo que há, e haja boa vontade aí, é uma camada esbranquiçada sobre a antes suja parede, mas nada de fato alcançado.
O foda-se é ligado nesse momento. Tudo que se quer é atingir algo minimamente bonito e cômodo. Essa é a hora do erro, da culpa e do arrependimento. Se estiver acompanhado, guarde para si todas as queixas, afinal o menos necessário no momento é desmotivar quem está ali para contribuir.
O resultado final ficou bom, confesso. Agora não sei se minha percepção foi influenciada pelo esforço ou se de fato pintamos bem. A sensação de se alcançar algo difícil é ótima, mas o desenrolar é miserável. Fica aqui uma recomendação: por favor só invente novidades fáceis de serem levadas até o fim. Para quem quiser um exemplo de algo a não fazer é pintar seu próprio apartamento. Se ainda tiver dúvidas, lembre-se de mim ao pintar o teto.

Monday, October 01, 2007

Pensamentos quase póstumos

Artigo - Luciano Huck
Folha de S. Paulo


Pago todos os impostos. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.


LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura. Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio. Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia. Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa. Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável. Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres. Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito. Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso. Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro. Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase "infantis" para uma sociedade moderna e justa. De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui. Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber. Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de "extraterrestres" fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo? Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no "Roda Vida" da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, "Tropa de Elite" é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando. Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei". Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar. Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.Isso não está certo.