Thursday, December 11, 2008

Pausa para reflexão

Recado rápido só para comunicar que retornarei às publicações somente em fevereiro/09. Uma pequena pausa (digamos, semestral, de agosto a fevereiro) ao fim da qual voltarei com atualizações mais frequentes e interessantes. Escrever sem muita vontade não dá e assim encontro-me, sem idéias literárias, desde o último post em agosto último. Um grande abraço.

Tuesday, August 19, 2008

Miguel Mossoró 2008




Na última eleição para prefeito, em 2004, surgiu em Natal um fenômeno das urnas chamado Miguel Mossoró. Militar reformado, de cabelos grisalhos e cheio de idéias bastante curiosas, Miguel terminou o pleito como terceiro mais votado onde conquistou 67.065 votos (mais que a soma de Ney Lopes e Fátima Bezerra, respectivamente quarto e quinto colocados). Seu apoio veio sobretudo da "classe média, estudantes e jovens em geral" os quais, segundo muito se debateu, utilizavam-se do voto como protesto e não em real exercício de democracia.

Em um texto de outubro de 2004 (Miguel Mossoró - O prefeito da Cidade do Sol), escrevi a respeito de uma carreata que participei com Miguel na última quinta antes das eleições. Acredito que esse ano o fenômeno seja de mesma proporção e talvez ele termine, novamente, mais bem colocado que outros nomes mais conhecidos da política potiguar.

Ontem, na TV Universitária, houve o primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Natal e suas primeiras propostas incluem plantar uma árvore para cada criança nascida em Natal bem como instalar um teleférico, escada rolante e mirante no Morro do Careca. Para começo de campanha ele está indo bem, entretanto as propostas de 2004 como a ponte Natal-Fernando de Noronha dariam um espaço bem maior na mídia. Acredito que seu apelo popular virá com o tempo e é bem possível que tenha apoio das mesmas camadas de 2004 o que fatalmente atrairá um pouco de atenção ao desgastado cenário político.

Links:
http://www.miguelmossoro36.can.br/

http://tribunadonorte.com.br/84615.html


Monday, August 18, 2008

Alterações no blog

O blog agora está um pouco modificado. Andei mexendo no template e finalmente consegui indexar todos os textos que produzi até hoje. Há um total de 136 posts (14 em rascunho, ainda) com o primeiro datado de 29/07/04. Os temas, como ainda é possível perceber atualmente, passam pelos mais diversos campos incluindo finanças, gastronomia, política e vida diária.

Nessa indexação tive oportunidade de ler todas as poesias que escrevi até hoje. Foram um total de 8 as quais seguem em ordem cronológica (da mais antiga até a última em 05/2007).


Wednesday, August 13, 2008

Moquecas

O cardápio do último sábado foi moqueca de peixe com camarão. A moqueca é um prato baiano de origens afro-brasileiras porém é também reclamado pelos capixabas como sendo originário daquelas bandas. Já comi ambos preparos, tanto baiano quanto o capixaba, entretanto, a nossa (baiana) é mais saborosa por dois motivos: o azeite de dendê e o leite de coco. É comum ouvir as pessoas comentarem que esses ingredientes são engordativos e pouco saudáveis. Concordo. O problema é conseguir fazer pratos apetitosos sem recorrer à gordura e/ou açúcar. Pago para ver.

Vamos à receita, para seis pessoas usei:

- 1Kg de camarão limpo
- 500g de robalo limpo cortado (pode ser em dois pedaços)
- Suco de 3 limões
- 3 tomates em cubos
- 3 cebolas em cubos
- 3 dentes de alho amassados
- 1/2 pimentão em cubo
- 1 tomate em rodelas
- 1 cebola em rodelas
- 1/2 pimentão em rodelas
- 1 xícara de azeite de oliva
- 1/2 xícara de azeite de dendê
- 200ml de leite coco (usei engarrafado, mas o fresco fica melhor)
- Sal
- Pimenta-do-reino branca.

O preparo é simples e descomplicado, bem baiano:

- Lave os camarões e o peixe no suco de limão, tempere com sal e pimenta. Em uma panela (de barro, se houver) junte os camarões, o peixe, o alho e os ingredientes picados, regue com todo o azeite de oliva e metade do dendê. Leve tudo a fogo baixo.
- Após levantar fervura, misture o resto do azeite de dendê, o leite de coco , os ingrediente s cortados em rodelas e deixe cozinhar por mais três minutos.
- Sirva quente, de preferência, leve à mesa ainda em ebulição. Acompanha arroz branco e pirão (cuja receita está logo mais abaixo).

Ressalto que moqueca não leva água. Todo líquido do cozimento vem dos ingredientes e do leite de coco colocado já no final. Por fim, esse é o preparo básico para qualquer tipo de moqueca: peixe, camarão, ostra, mariscada, dentre outros.

O pirão é nível zero de complicação gastronômica. Para a mesma quantidade de pessoas, usei três xícaras de farinha de mandioca com mais duas ou três xícaras do caldo. A depender da qualidade e moagem da farinha, você irá precisar de mais ou menos caldo, porém a questão resolve-se no olho. Por fim, para o pirão, duas colheres de azeite de dendê dão cor e sabor ainda mais baianos.

Para quem topar, uma cocada ou quindim concluem bem a refeição. O nível calórico deve ser bombástico, porém sugere-se comer somente aos sábados para aliviar a consciência.




Monday, August 04, 2008

Molho Pesto

O pesto, originário de Gênova - Itália, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesto) traduz para mim o conceito da tão falada comfort food - a evocação de boas lembranças através de pratos caseiros e trivais. De composição simples, preparo rápido e sobretudo armazenável (se bem guardado dura até um mês na geladeira), sempre tenho um pouco dessa receita que aprendi há alguns anos com meu pai e que depois revi em cursos aqui na Bahia. Originalmente, a receita leva pinhole que é uma noz italiana e que depois de importada torna-se muito cara aqui no país - R$150,00/kg. O mais comum é substituir por castanha-de-cajú, porém outras nozes (lato sensu) conseguem efeito similar.

Pesto de manjericão com castanha-de-cajú
  • 1 maço de manjericão lavado e sem os talos (só as folhas)
  • 250 de castanha-de-cajú
  • Duas xícaras de azeite de oliva
  • 100g de parmesão (melhor se ralado na hora, caso de pacote recomendo o Faixa Azul).
O preparo é bem fácil. É só ir colocando/batendo no liquidificador até homogeinizar. É bom, logicamente, ter cuidado ao ir misturando para não forçar demais ou até queimar o liquidificador. Se tiver mixer, é mais simples ainda. Depois de pronto, uma colher de sopa serve uma pessoa e aí é só misturar com uma massa bem quente, recém-escorrida: spaghetti, fusilli, penne ou gnocchi de preferência. O Pesto não deve ser levado a fogo para não derreter o parmesão, por isso é que o calor deve estar todo na massa recém-cozida.

Além dessa, há muitas variações para o mesmo conceito, dentre outras: substituir o manjericão por rúcula, o pinhole por castanha-de-cajú ou do pará (bem mais baratas que se seguirmos a receita original) ou fazer um mix de ervas - salsa, coentro, rúcula e manjericão - essa última nunca fiz.

Por último, uso esse mesmo Pesto para servir carpaccio. É uma alternativa muito boa ao preparo tradicional a base de alcaparras. Convém testar.

Sunday, August 03, 2008

Últimas corridas - Fuzileiros Navais e ECORUN



12/07/08 -Fuzileiros Navais 2008 (Natal) - 8,5km - 51'
Largando da Cervejaria Continental ao som de Cartola e Roberta Sá, a corrida foi leve e de visual muito bacana. Confesso que uma parte longa era descida e além disso os aclives muito raros e pouco acentuados ajudaram muito quem saia de uma dengue como eu. O ruim foi o percurso ser só de ida, encerrando no Forte dos Reis Magos, ou dependia-se de carona ou de um ônibus que a Marinha iria organizar. Imagine.

19/07/08 -Fuzileiros Navais 2008 (Salvador) - 10,0km - 1:05'
Resolvi participar dessa justo na véspera, assim corri sem inscrição e tirando o número no peito a diferença foi nula. Resolvi que das próximas vou começar a economizar o dinheiro das inscrições e gastar em chope ao final da prova. Certamente essa tinha mais que 10k pois andei bastante puxado e meu tempo não baixou nada, pelo contrário aumentou. Fora que o trajeto passava por ruas movimentadas para um domingo e já do meio para o final, dividíamos a pista com ônibus. Para quem não iria correr foi uma agradável surpresa, sobretudo ao som de Saia Rodada e Solteirões do Forró.

03/08/08 - Eco Run 2008 (Salvador) - 10,0km - 1:03'
Em uma proposta da New Balance junto com a Mitsubishi, a ECORUN pretendeu promover a consciência ecológica através de circuitos de corrida que percorrem várias cidades brasileiras. São Paulo, Rio e agora Salvador correndo 5 ou 10km para apoiar a causa ecológica. O bom dessa prova foi a camisa da NB (geralmente as camisas são fracas - estilo abadá) que no comércio é vendida pelo mesmo preço da inscrição - R$40,00 (caro considerando que 90% dos eventos não custam mais que R$10,00). A trilha foi Paralamas do Sucesso e o tempo de conclusão foi satisfatório.

Como pode-se ver, não tenho obtido progressos em termos de tempo, mas também não tenho treinado com o mesmo afinco de outrora. Ultimamente, apenas tenho corrido provas e elas, em si, não contribuem muito para um aprimoramento técnico. Elas dão ritmo, resistência, mas sem treinamento durante a semana, não fazem milagre.

Concluindo falando de músicas e planos; sobre as trilhas sonoras, obviamente, elas seguem meu gosto musical, ou seja, de A a Z. De Solteirões do Forró a Cartola tenho ouvido de tudo - para crítica e risadagem de muitos. Para o futuro, tenho planos de correr uma meia* ainda esse ano, talvez a do Rio em 12/10. Se começar a treinar por agora, terei dois meses até lá e considerando que já percorro os 10k sem problema, talvez dobrá-los não sejam tão difícil. Ou não.

*Meia, caso você não tenha entendido, é como os corredores referem-se às meias-maratonas (ô plural difícil, deve ser assim mesmo) ou 21,1 km - distância entre a Pituba-Aeroporto de Salvador ou o Midway Mall-Pirangi (em Natal). Resumindo, é chão. Para maiores informações - en.wikipedia.org/wiki/Half_marathon .

Tuesday, July 29, 2008

Camaleão (ou Olhar para Trás)

É sempre bom olhar para trás. Refletir sobre o passado, o quanto se caminhou e as diversas experiências que o dia-a-dia proporcionou. Às vezes é tarefa leve e comum, porém em alguns casos é difícil deparar-se com momentos de fraqueza, dúvida e até certa loucura. A rotina de cada qual consigo mesmo (espécie de auto-análise) ajuda a entender que o desgaste natural da vida pode ser também combustível para melhor posicionarmos-nos e evitar os erros tão freqüentes das mentes bem intencionadas.

De olhar para dentro de e refletir sobre o que ocorre no dia-a-dia, percebo que a repetição da experiência não deveria me surpreender mais. São tantos cumprimentos, despedidas, adeus e perdas que de certa maneira deveríamos estar anestesiados. Pelo contrário, a realidade é outra. É como se o mundo estivesse cada vez mais a flor da pele.
Olhar para trás é importante: Não refiro-me à nostalgia. Não é saudade nem vontade de querer trazer o passado de volta. Falo de utilizar um olhar crítico e imparcial sobre o que se passou na vida. Os tratamentos, retribuições, propostas e contrapartidas que as pessoas e as situações nos ofertam. Olhando para o meu passado, termino entendendo melhor meu presente, ficando quieto e esperando a maré passar.

Às vezes o corpo reflete o que sentimos: falta ou excesso de sono, fome, cansaço ou euforia. Em outras lembro-me de um trecho que há na bíblia, não sei bem onde, para ser sincero, mas que fala que existem momentos onde o melhor é fazer nada. Nada. Esperar a onda passar, aguardar o fim do gosto amargo do remédio (ou do veneno) e somente ser. É o tom que devemos adotar para cada momento que define como encaramos o contador regressivo que é a vida. Às vezes é necessário ser camaleão, melhor se esse for surdo e mudo.

Recomendação de blog - Cadê os Galetinhos

A partir de hoje, assim como já fiz com outros blogs amigos, adicionarei mais um à lista: Cadê os Galetinhos é o blog do meu amigo Gustavo Henrique (Nêgo), cujas perícias e vida pregressa mereciam um livro e não apenas uma página na internet. A tirar pelo título e primeiros textos, seus relatos serão um sucesso. Segue o link: - http://cadeosgaletinhos.blogspot.com/

Thursday, July 24, 2008

Quatro anos de blog



Ao longo dessa semana, o blog completará quatro anos de existência. Inaugurado em 30/07/04 com o post intitulado "Nostalgia" de lá para cá seguiram-se aproximadamente 150 postagens - média de uma a cada dez dias (de certa maneira menos do que imaginei poder fazer). Entre poesias, versinhos, críticas de filme, crônicas, contos, análises esquisitas, textos sobre economia, política, vida alheia e generalidades, encho-me de satisfação - e nisso reforço o uso da primeira pessoa - ao completar quatro anos de tudo-no-mundo em termos de sentimentos colocados em "papel". Houve momentos alegres, tristes, eufóricos, melancólicos, de despedidas, mas sobretudo bem vividos.

Manter um blog não é tarefa fácil. Escrever, em si, requer de mim algum esforço, como já deixei claro em alguns textos ao longo desse período, por um simples fato: filtro demais a idéia que quero deixar chegar até aqui. Em conversas com outros companheiros de blog, percebo que essa é, muitas vezes, uma preocupação recorrente: a de dosar a quantidade de emoção, lirismo e auto-exposição que se coloca na rede. Ao reler muitos de meus textos, dentre eles as poesias, tenho vontade de tirar algumas publicações do ar, porém vou deixando aí pois o momento no qual escrevi e publiquei, ainda que distante, existiu um dia e para fins históricos é bom deixá-lo registrado.

Em ler textos passados há uma alegria imensa aopercebê-los em uma espiral de progresso, ainda que sutil. A forma de escrever, a linguagem e o estilo de certa maneira mudaram. No geral houve algo que reputo como sendo benéfico: a capacidade de criar. Continuo vendo textos e situações a cada dia, mas o rigor da rotina antes de estudante, agora de trabalhador, impõe menos tempo para o lazer e reflexão.

Agradecimentos devem ser feitos: primeira e unicamente a mamãe, cuja figura merece menção pessoal, pelas leituras, revisões e correções (tarefa divina imposta à ela, não só nos textos, mas em diversos aspectos de minha vida). Depois a todos meus outros leitores: família, amigos, blogueiros ou não, sejam eles do colégio, da faculdade, de Natal, de Salvador, do Rio, da Petrobras. A todos vocês comunico que a jornada irá continuar.

No entanto, não sei até quando o fenômeno blog vai durar. Talvez a democracia da informação, e assim espero, tenha conquistado um espaço irredutível em nosso meio. Que assim seja. Concluo, reforçando votos e citando-me conforme está no primeiro post em 30/07/04 "Pretendo compartilhar com quem passar por aqui, anônimos ou não, algumas das minhas opiniões, sentimentos, questionamentos, constatações e afins. O objetivo principal é poder expressar as idéias que às vezes demoram a se materializar, mas que através do texto tomam vida. Para mim o principal de um blog é seu cárater democrático."

Saturday, July 05, 2008

Abaixo a lei seca

Tenho acompanhado atentamente o debate sobre a lei seca. Sou politicamente esclarecido, porém meu interesse no tema tem sido outro: meus fins de semana. Falando assim, algum estranho, que não me conheça, é capaz de acreditar na falácia de que eu bebo demais. Em relação a quantidades, não opino, mas mamãe, que convive comigo desde 1982, externou uma época dessas que todos meus programas giravam em torno de álcool - um completo pré-julgamento.

Nossos legisladores deveriam pensar também em outro problema de saúde pública que criaram: hoje, sábado, fui a uma feijoada e em não podendo beber, todo mundo encheu a pança de torresmo e coca-cola. Tá na cara que o ímpeto de beber vai ser transferido para a alimentação e em alguns anos, caso essa lei pegue mesmo, teremos um país de obesos - basta analisar a relação entre limites de álcool x obesidade nos Estados Unidos. Sem falar, claro, no tiro que demos na dieta mediterrânea que reza um cálice (que fatalmente nunca é um) de vinho ao dia. Se até suco de uva da Parmalat já acusa no bafômetro que dirá o tal cálice.

Em meu caso, como não como torresmo e não pretendo pagar R$1.000,00 de multa (mas muito propenso estou a dar uns cem de bola), tornei-me uma pessoa chata. Cansei de abordar o assunto bafômetro, quantos decigramas (ou mili, sei lá) de álcool é para ter por litro de sangue e fazer piadinhas sobre bebidas. Em resumo, minha interação social caiu a níveis pré-adolescentes. Assim como minhas tiradas e verve habitual, minha não, do álcool - tudo piorou. Ontem, por exemplo, tomei um chope somente (0,2 mg/l de sangue, ou seja, guilhotina) e voltei para causa para dormir com as galinhas (no bom sentido).

Sem beber, além disso, como os casais se formarão? Em não se formando, como geraremos futuros brasileiros? É uma questão complexa, Dr. Temporão. O déficit de mão-de-obra que temos no INSS só vai aumentar na medida em que ninguém vai conhecer sua cara metade comendo torremos e tomando coca, além do que todos estaremos gordos, chatos e de artérias entupidas.

Essa noite estou em dúvida se realmente devo sair. E se sair se devo tomar nem que seja um chope igual a ontem. Um não dá pra nada. Nem pra mim nem pro dono do bar. Fechando a questão, essa nova lei seca terá repercussões de saúde pública e mental, econômicas, sociais e de crescimento vegetativo. Um completo caos.

Thursday, June 05, 2008

Ceviche peruano

Conheci o Ceviche (cê-bí-tchê, em espanhol) na Califórnia em 2001 e desde então tenho comido essa maravilha da culinária peruana. A verdade é que há uma disputa (dentre diversas outras) entre Chile e Peru a fim de saber de quem é realmente a receita original, confesso que a primeira vez que comi foi em um restaurante peruano, porém já comi em diversos outros lugares e a origem pode ser facilmente compartilhada, é claro.

O Ceviche nada mais é que frutos do mar (em geral peixes) marinados em limão e servidos frios. Mal comparando, é como se fosse um sushi porém meio cozido através da reação química do ácido cítrico sobre as proteínas.

A composição, a qual segue em receita-vídeo logo mais abaixo, é peixe (pescada branca, atum, salmão, robalo, por exemplo), sal, pimenta-do-reino branca, cebola roxa e suco de limão. Aqui em Salvador, por exemplo, servem com polvo e pimenta biquinho*. No Chile, onde comi o melhor de todos, servem com muito coentro e salsão. É possível variar utilizando kani, camarão, porém segundo pesquisei a receita clássica leva somente o peixe.

Segue o vídeo:

http://youtube.com/watch?v=_RbBDLf18Zo&feature=related

*Pimenta biquinho é uma pimenta muito pequena, redonda e vermelha que possui pouco ou nenhum ardor e por isso pode ser comida inteira, sem problemas. Mais informações, Google.

Tuesday, June 03, 2008

Perigo: FOFOCA! (Por Flávio Pinheiro)


Extraído de: http://www.palavrasdebotequim.blogspot.com/

De uns tempos para cá, o mundo mudou em demasia. Evoluções colossais foram empreendidas nos mais diversos âmbitos do mundo contemporâneo. Medicina, transporte, comunicações... De e-mails a células-tronco, não resta buços de dúvidas que a mudança mais gritante, sob o meu prisma, foi o comportamento das mocinhas!
E que ninguém se engane; não usarei metáforas, nem tampouco eufemismos. A mudança de que falo concerne a sexo. Ora mais ta, há alguns poucos anos, as mocinhas deste estado demoravam para transar. Apenas o faziam depois de vários anos de namoro fixo, e ainda assim, não raro, eram taxadas de modernas. Hoje, a coisa está debandada. As jovens, de modo geral, transam em banda de lata. Pouco importa tempo de relacionamento, ou sentimento. E se a porteira já estiver aberta, aí é que é só deixar passar a boiada. As mulheres se comportam como os caras, e acham bonito; sinônimo de independência. Alguns adoram, outros, nem tanto. Mas todos preferem as menos sambadas!
Meu escopo não é criticar, sequer julgar, até porque fico bastante satisfeito com a tal evolução. Mas, elementar, meu caro; tanto benefício teria de trazer alguma desvantagem. E é aí onde reside todo o perigo: a fofoca feminina.
Ora, mulher fofoca por natureza; comenta sobre tudo mesmo. É inegável que acerca de sexo não seria diferente. Elas, com suas listinhas, empreendem debates de deixar qualquer um estupefato. Não dispensam um detalhe: intensidade pentelhal, freqüência dos batimentos (não-cardíacos) e tamanho da madeira.
Foi aí que complicou! Com tanto comentário, o homem tem de fazer bonito; sua responsabilidade aumentou; cada trepada é uma auto-propaganda. E ai daquele que despombalecer... depois tem de correr atrás para se redimir.
As mulheres que não pensem que nossa tarefa é fácil como a delas. Temos que estar sempre alertas, trepar regularmente e ter o timing da explosão. Tem muito cabra aí pelo meio do mundo consultando sexólogo para melhorar as performances. Aqui, num estado como nosso Rio Grande do Norte, apenas se ouve do acontecido.
Em um interior muito longe, lá onde o peido perdeu a catinga, tinha um camarada chamado de Chico Tripa. Ele era só o pavil, magro que só traveco em final de carreira. Mas o infeliz adorava se empabular das trepadas que dava; segundo ele, impotência era invenção da mídia. Pois bem, um certo dia, depois de muito forró, dançando mijador com mijador, ele conseguiu levar Shirlinha, a jovem mais fogosa da cidade, para o motel. Foi o caminho todinho taiado. Chagando lá, ela se despiu – boa que só uma porra! Ele ficou tão nervoso com a gostosura da nega que seu pau amoleceu. Fez de tudo, o coitado – bomebeou, arregalaçou, sacudiu – mas não tinha jeito daquela macaxeira endurecer. Já ciente que seu pau tinha dado pra trás, Chico Tripa apagou a luz do quarto e fez o serviço de outros modos. Depois de 20 minutos, já com o xibiu engilhado, Shirlinha deu um berro das arábias e gozou. Chico Tripa sorriu; pagou a conta do motel de foi embora conformado. Levou consigo o que dizia o velho poeta: “Em homem com língua e dedo, mulher nenhuma mete medo”. Shirlinha, como era de se esperar, arregaçou; contou a estória pra Deus e o mundo. Já Chico Tripa, depois desse dia, nunca mais abriu a boca para falar de pau mole.
Em um outro interior, vizinho de onde Judas perdeu as botas, tinha um rapaz abonitado; cabelos lisos, rosto alvo, dentes brancos e feições afiladas. Era Medeirinhos. Medeirinhos era comedorzinho de gente; comia as menininhas todas daquela região. Chegava no forró, perfumado e sacudindo relógio no pulso. Logo as negas ficavam doidas. Ele tomava seu goro, e se encangava com alguma jovem. Forrrozinho daqui, forrozinho dali, e ele convidava a jovem pra tomar um ar fresco. Era só o que bastava. O sarrabuiado começava ali mesmo no estacionamento, e Medeirinhos, com um tesão do jumento bolinha, tirava direto para motel. Chegando lá, ele não perdia tempo: tirava a roupa da jovem e lambia até o útero. Quando o gemido estava acima de 100 decibéis, ele tirava sua própria roupa e botava aquele mangará de 30 cm pro lado de fora. Geralmente, a jovem não sabia se ria ou se chorava. No entanto, ele não a dava tempo pra pensar, botava-lhe logo pra dentro. E aí era que dava problema: se Medeirinhos não estivesse envernizado, o negócio era ligeiro. Ele dava uma, dava duas, na terceira ele já estava se tremendo, na quarta, o tiro era grande. O moleque era rápido no gatilho. Assim num tinha trepada que prestasse.
Medeirinhos já muito preocupado com suas gozadas, fez de tudo: arrancou o cabresto da chiola; tomou viagra; batia duas bronhas antes de sair de casa. Mas não tinha jeito, o negócio com ele era bateu-levou.
Um certo dia, conversando com uma turma de papudinhos, ele contou de seu mal. Foi quando um deles disse: “Homem, isso é muito fácil de se controlar”. E acrescentou: “Você toma um viagra e passa um gelolzinho nos ovos. É tiro e queda!”. Medeirinhos ficou meio assim, mas resolveu tentar. No forró da sexta, ele chegou naquela mesma bossa. Saculejou o relógio no pulso e pegou uma mocinha. Maciota daqui, maciota dali, ele levou-a pro motel. Já tinha tomado o viagra no forró. Tava com o mangará que parecia um cacetete. Despiu Kátia e foi ao banheiro. Tirou o tubo de gelol do bolso, estirou dois dedos e passou uma pataraca de gel nos ovos. Imediatamente seus ovos começaram a queimar. Ele rebolou a calça pra cima e fez carreira pra o quarto, com os ovos congelando. Chegando na cama, Kátia estava de costas e ele não contou conversa: lascou-lhe a madeira. Até que demorou mais a gozar, mas foi a sensação mais esquisita que sentiu na vida. No outro dia, disse ele no bar: “Homem, pelo amor de Deus. Foi estranho demais. Eu fechei os olhos e lasquei-lhe a peia; era quente por dentro e gelado por fora. Eu jurava que tava comendo o cu d’um pingüim!”. Depois desse dia, Kátia caboetou a estória para todas a meninas da cidade, e Medeirinhos que era só bossa, agora era motivo de chacota. Onde chegava, gritava um gaiato: “Ovo de pinguimmmmm”!
E assim foram as estórias tristes de dois cabras da terra, que sofreram com a homérica evolução comportamental das mulheres locais. Nem tudo são flores. Os homens não entram em detalhes sobre sexo, mas as mulheres não pararão de falar. E é assim que o mudo gira. Para quem quiser se aventurar, a diversão está ai em toda esquina, bares e boates. Quem se garante, que bote seu boneco, e quem, nem tanto, vá com mais calma, pois já dizia o velho poeta: “Passarinho que come pedra, sabe o cu que tem”!


Flávio Pinheiro

Tuesday, April 29, 2008

Raul

Desde sempre escuto uma história de um primo de minha mãe que começou a ouvir Elvis logo após sua morte (a de Elvis, não do primo). Acredito que o furdunço com a "morte" do rei do rock fez com que o camarada tive interesse em seu trabalho. Lá em casa, porém, desde que o mundo é mundo, esse tem sido exemplo para quem é desorientado em termos de tempo.


Comigo, ultimamente, ocorreu algo similar. Em um dia engarrafado aqui em Salvador, ouvi, pela 1a vez, "o dia em que a terra parou", de Raul Seixas. Confesso que a letra da música me deixou curioso e à noite baixei um cd dele no emule. Coloquei no ipod e fui correr ouvindo Raul. Desde então (e isso ocorreu semana passada), já ouvi quatro cds e tem sido uma experiência bacana demais. Em tempo, Raul morreu em 1989, quando eu tinha 6 anos.


Em Natal, no último fim-de-semana, comentei que estava ouvindo Raul e acho que fui motivo de chacotas. Comparado a quem sempre malhei por ter virado fã do póstumo Elvis. Parei por aí e não comentei dos cds de Roberto Carlos, Cazuza, Chorinho e Cartola que andei pegando. Seria pedir para ser malhado.
Nesse mercado cada vez mais cheio de forró, axé e outro ritmos, nada como também escutar o passado. A quem interessar, segue breve descrição dele: http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Seixas .


Saturday, February 09, 2008

O quilo do filé na Bahia (ou Imbecilidades do Consumo II).

Em mercados, quaisquer que sejam eles, freqüentemente existem os fenômenos das bolhas. Elas são de forma geral distorções na relação de demanda x oferta as quais elevam os preços a níveis impensáveis - até mais do que de fato valem. Por isso chamam-se bolhas - um universo paralelo e alheio à realidade. O que comumente nelas ocorre é a precificação de um ativo (títulos, imóveis, ações ou qualquer coisa que seja vendável) a um preço muito mais elevado do que ele efetivamente vale.

Vindo para primeira capital do Brasil, o quilo do filé limpo estava a R$39,90 ontem no Bompreço do Salvador Shopping. Nesses 25 anos de vida foi a primeira vez que vi tamanho assalto com relação ao preço da carne. Tudo bem que estejamos falando de filé e, logicamente por ser nobre, esse corte deve custar um pouco mais. No entanto, o filé com córdão (= nervuras, gorduras, pele, etc), estava por R$29,90. Se você considerar que nada no bompreço sai de graça e que os americanos do Wal-Mart não dão ponto sem nó, veremos que o camarada ao vender um filé limpo por R$39,90 também vende as "aparas de filé" (servem para cozidos, caldos, por exemplo) por uma valor não menor do que R$4,90 o quilo. Ora, efetivamente o filé, para o empresário gordinho americano lá do Arkansas, sai por R$39,90 + o valor da venda da apara. Eu,o aspirante a gourmet, desembolsaria 11% de um salário-mínimo por um quilo de carne.

Antigamente, é importante ressaltar, as parte menos nobres dos bovinos eram dadas. Ossos, aparas, córdões e afins eram franqueados aos pobres. Infelizmente não alcancei essa época, porém foi o que os mais velhos me disseram. Inclusive nesse tempo, bacalhau era dado e não vendido. Acho que tudo isso ocorreu na era em que se amarrava cachorro com lingüiça - fenômeno do qual duvido muito.

Seguindo em minha análise gastro-econômica, atravessei a rua daqui de casa e fui a um self-service cujo quilo custa R$28,90. Lá, o mesmo filé, possivelmente até proveniente do mesmo bovino, já pronto, preparado com qualquer tipo de molho, estava pelos mesmos R$28,90 que se pedem em qualquer lugar por um filé qualquer. Tudo bem que o preço do self-service considera uma refeição variada em termos de pratos principais e acompanhamentos. Percebendo isso, fui um pouco mais a fundo e perguntei ao maître quanto seria se eu quisesse levar um quilo da carne já preparada. Após certa hesitação, disse-me o jovem que por R$33,90 leva-se 1000g de qualquer prato principal. Sinceramente não me surpreendi. Levei 300g do filé para comer com um couscous marroquino que eu mesmo já estava pensando em fazer. Incrivelmente, foi mais barato comprar a carne fora do que prepará-la eu mesmo.

Não quero com isso dizer que aqui na Bahia esteja em curso a bolha da carne. Jamais. Entretanto, é importantíssimo que, nesse âmbito de preços, sejamos cozinhados aos poucos, tipo a lenda do sapo na panela de água quente. De uma hora pra outra não dá. Se o filé já preparado custa R$33,90, mais em conta sairia então ele cru, caso vendem-se ali no restaurante. Conversei então com o gerente a fim de inquirir quanto me sairia um filé limpo para preparar em casa. Afinal, se excluírmos os outros ingredientes, o serviço e as despesas do estabelecimento, é natural que me seja oferecido um desconto e a carne saia por no máximo R$28,90 o quilo - preço que efetivamente terminei pagando para levar as 300g de filé.

No fim das contas, sinto-me mais esperto que o americano gordinho dono do Wal-Mart lá do Arkansas. E de barriga cheia economizando a fortuna de aproximadamente R$3,30.

Thursday, January 10, 2008

É 2008

Meu último post, o sobre preços, foi escrito em meio a uma correria enorme de fim-de-ano e preparativos pré-férias. Acho que o tema deveria ser melhor explorado, entretanto já estou escrevendo uma série de artigos as quais eu dei o título de "imbecilidades do consumo". O rótulo talvez seja grosseiro demais, porém em falta de palavra mais apropriada vai a que vem primeiro à cabeça.

A respeito desse ano que há pouco iniciou-se, ainda em seu primeiro dia, tive grande satisfação ao ler o texto do meu amigo Flavinho Piúba. Ao lado está o link para o seu Palavras de Botequim, porém se preguiça for seu problema, clique abaixo e leia um de seus melhores textos - http://palavrasdebotequim.blogspot.com/2007/12/o-que-vai-nem-sempre-volta_9882.html.

Em viradas de ano evito cair no antigo costume de me prometer coisas que não irei fazer. É simples. Se eu não me coloco as mesmas metas nas outras 364 noites, por que deveria ser diferente a cada 31 de dezembro? Isso não quer dizer, logicamente, que entro 2008 sem almejar nada de especial. Entretanto, não sei se em mecanismo de auto-defesa ou pura preguiça, só pensei , até agora, nas duas viagens que estão planejadas para esse ano (fevereiro e junho). A princípio Venezuela e Colômbia em fevereiro (sobretudo para mergulhar) e a outra ainda a resolver.

Falando em Venezuela, pretendo dedicar-me mais ao mergulho ao longo desse ano. Tirei minhas duas certificações nos últimos tempos e desde o ano passado tenho tentado encaixar mais mergulhos na minha rotina. Ultimamente, tive o prazer de mergulhar em Cozumel e em Cayman, algo "diversão estilo pinto em beira de cerca".

Pretendo também escrever mais aqui no blog. Ao longo de 2007 foram aproximadamente 80 postagens. Desde já, comprometo-me a escrever ao menos 100 - quase duas por semanas. De antemão, só as de viagem - e nelas trato de ter um olhar mais crítico e investigativo ainda - contarão por ao menos 30 dessas todas.

Mais uma vez, e tem sido sempre assim, encaro o novo ano com serenidade. Naturalmente irei ter alegrias imensas e, por outro lado, vou querer mandar meio mundo praqueles lugares os quais não convém citar em um texto polido como o meu. Ainda bem que você entendeu. É sempre assim, o mal que nos ocorre é importante para sabermos como o bom é realmente o que interessa.

Ao longo desse ano, e falando de atitudes corriqueiras, irei cumprimentar mais pessoas, dar gorjetas, tomar vinho, mergulhar, perguntar a opinião dos outros, dormir menos, participar de outras provas de corrida de rua, preocupar-me bem menos (estou muito muito perto de ter preocupação zero, já já chego lá), operar bolsa, ler sobre tudo no mundo (comecei lendo um sobre mercado financeiro), enfim, vou fazer praticamente o que já venho fazendo, logo, não precisaria citar.

Um feliz 2008 para quem passa por aqui. Saiba que sua companhia é um tremendo combustível para minha escrita e razão de grande parte de minhas reflexões.