Hoje quando entrei no avião vi três pessoas fazendo sinal da cruz. Na saída até a aeromoça fez. Engrossando as fileiras, lá no trabalho alguns fazem isso também, logo que chegam. Nada contra a religião, óbvio, mas acredito que em momentos de maior violência, talvez, essa simbologia toma corpo entre nós.
Fugindo um pouco disso, vive-se fazendo sinal da cruz pra tudo. Refiro-me a nós como povo, até porque eu nem esse hábito tenho. Entretanto, do Presidente da República aos surfistas na praia da Pipa, todo mundo faz sinal da cruz por qualquer motivo. Há goleiros, inclusive, que fazem um para cada pau da trave como se algo sobrenatural fosse evitar a alegria da torcida adversária. É engraçado isso. Se perguntados, boa parte não tem idéia precisa do motivo de fazerem isso. Eles não se confessam, comem hóstia ou vão à missa.
Acredito que vivemos cercados de cacoetes sendo um grande expoente desses o Presidente Lula. Expandindo um pouco esse conceito, ele tem cacoetes verbais, em grande parte, para sustentar seus frágeis posicionamentos. Ele, até onde entendo esse hábito, opta, assim como boa parte da população brasileira, por essa e outras simbologias como forma de compartilhamento de responsabilidades. Algo como se dissesse, que se o errado ocorresse, ele seria culpado só em parte.
Os cacoetes, assim como os clichês, são recursos simples e acessíveis a todos. É mais fácil, por exemplo, recorrer ao sinal da cruz ao invés de agarrar as bolas como se com isso o goleiro passasse a mensagem de que a tarefa dele é compartilhada com o plano espiritual. Assim como é cômodo para uma figura pública, da mesma forma que o goleiro, "tirar o seu da reta". Os símbolos como os sinais da cruz e cacoetes em geral estão ligados diretamente a isso, acredito. É uma maneira de eximir-se de culpa ou responsabilide por eventos futuros.
Não entendo por completo a mística das simbologias muito menos o motivo de tantos cacoetes, mas na dúvida é bom bater na madeira três vezes.
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