Wednesday, May 23, 2007

Poeminho do Contra

Poeminho do Contra

Mário Quintana

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

(Prosa e Verso, 1978)

Monday, May 14, 2007

Risoto de vinha d'alhos

Pela primeira vez irei postar uma receita aqui no blog. Estou começando a catalogar as que tenho criado e o blog é uma maneira interessante de salvá-las e torná-las públicas. Muitos amigos pedem dicas, assim que uma vez publicada, cada receita será de domínio público.

Hoje jantei um Risoto de Vinha d'Alhos. A criação é minha e o título também. Entretanto, antes de entrar propriamente na receita, convém abordar um pouco o que me levou a criá-la. Não sou dos mais carnívoros, assim que quando possível prefiro comer peixe ou carne branca, porém não resisti em comprar um filé que vi no Hiper na semana passada. Pedi ele cortado em tirinhas, usei uma parte na quinta passada, fiz uma vinha d'alhos e deixei descansando na geladeira. Exatos quatro dias.

Para fins didáticos, vinha d'alhos é uma espécie de preparo que se faz com vinho (tinto ou branco), alho e pimenta do reino. Essa é a que sempre uso, contudo tem gente que faz com o que dá na cabeça. Estou sem dicionário de cozinha aqui em Salvador, porém acredito que seja de origem portuguesa. Esse preparo é muito utilizado para maturar carnes e dar-lhes sabor através da permanência nessa salmoura durante algum tempo. Geralmente, por horas ou até 24 horas - o que já seria bastante suficiente - contudo, bem ou mal, usei um filé que havia passado 4 dias em vinha d'alhos (naturalmente, dentro da geladeira e tampado).

Risoto de vinha d'alhos
Para 4 pessoas

300 ml de vinho tinto
três dentes de alho picados
1 colher de sopa de pimenta do reino moída

500 gramas de filé limpo em tiras
Sal a gosto
azeite e manteiga para fritar

3 xícaras de arroz carnaroli (ou arbório)
4 colheres de azeite
dois dentes de alho picados
500 ml de caldo de carne
2 colheres de sopa de parmesão ralado

Preparo

Vinha d'alhos
Em um recipiente coloque o filé em tiras, a pimenta do reino moída e os três dentes de alhos levando para descansar na geladeira. Recomendo 24h, embora tenha deixado o meu durante quatro dias.

Risoto
Em uma panela aqueça as quatro colheres de azeite e refogue rapidamente os dois dentes de alho picados. Junte o arroz e deixe fritar por mais ou menos um minuto. Coloque caldo de carne suficiente para cobrir todo o arroz e deixe cozinhar em fogo baixo. Após alguns minutos, coloque 50 ml da vinha d'alhos no preparo do risoto. Aqui eu abro um parêntese: em boa parte dos risotos, utiliza-se comumente o vinho branco pois o tinto dá um caráter escuro aos alimentos. No caso da receita em tela, o x da questão em termos de sabor de carne imagino que esteja em adicionar parte da vinha d'alhos no cozimento do arroz visto que ela passou bastante tempo em contato com o filé além do vinho tinto ter sabor bastante marcante.

Em mais ou menos dez minutos, dependendo da potência do fogão, o risoto estará pronto, porém é bom ficar sempre conferindo a água para não secar demais, pegar na panela ou queimar.

Filé
O preparo do filé é o básico. Aqueça uma mistura de metade de azeite metade de manteiga em uma caçarola em fogo alto e frite todo o filé durante uns três minutos. Imagino que seja tempo suficiente para fritá-lo sem queimar demais. Após fritar, tempere o filé com o sal. Não é bom colocar sal antes porque ele certamente vai tirar parte dos sucos da carnes e a queremos suculenta para o risoto.

Finalização
Uma vez pronto o risoto, teste o sal, adicione o parmesão ralado e mexa. Em seguida, adicione o filé em tiras previamente frito e mexa novamente. A essa altura o seu risoto estará pronto. Sirva em um prato fundo previamente aquecido e decore com um raminho de salsa.

Acompanha bem tintos de sabor marcante.

Por fim, o resultado é um prato com um sabor muito intenso de carne e alho. Primeiramente devido ao filé, ao caldo de carne e a utilização da vinha d'alhos dentro do próprio risoto. É um prato interessante e bastante saboroso. Evitei usar manteiga para finalizar o risoto por motivos calóricos, mas quem quiser pode adicionar uma colher de sopa quando ele estiver no ponto de servir. É um ótimo recurso para dar cremosidade, porém logicamente o torna mais engordativo e o benefício em termos de paladar, ao menos para mim, é questionável.

No mais, aguardo a fim de ver quem será o primeiro a testar. Que venham as dúvidas!

Thursday, May 10, 2007

Ela lá

De repente como seria
O dia de não ter te conhecido
O dia de cruzar teu caminho
E ser mais que um amigo

Se tivesse vivido esse dia
No qual hoje não estaria só
Nem pensaria mais de uma amiga
De lindo sorriso, singela presença


Se esse dia houvesse existido
Sim, eu te amaria
Também, te consolaria nos dias ruins
E nesses mesmos, choraria

Mas,

De repente não deveria ter escrito
E o dito não seria o dito
E ele seria mistério
E o mistério estaria em você
E você seria só amiga
Mas eu continuaria só

Ela lá
A que hoje não deveria ser
Mas sendo quem é
Vai entender
O verso que se encerra
E cujo tema é você

Wednesday, May 02, 2007

Bater a poeira

"Mas, onde quer que não vos receberem, saindo daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles". (Lucas 9:5).
É verdade que não sou grande especialista em Bíblia, contudo esses dias andei lembrando desse verso e traçando alguns paralelos entre ele e o dia-a-dia. O contexto é de alguém que vai levar uma mensagem a uma determinada localidade e não é bem aceito pelos receptores. Verso praticamente auto-explicável.
Se visto como perda, a não recepção de uma mensagem ou intuito pode gerar traumas e inseguranças a quem se lança na aventura de viver. Diversas vezes falaram que "rapadura é doce, mas não é mole" e que "quem tem medo de cagar, não coma". Fato é, muito já se explorou sobre o risco de tomar decisões, envolver-se, arriscar-se, enfim, viver. Entretanto, tive extrema dificuldade em encontrar ditados ou mensagens a respeito das derrotas.
Em detrimento de um parâmetro de vitória e vida bem sucedida, vive-se uma angústia na busca por uma repetição de experiências fenomenais que infelizmente não ocorre. Não fomos ensinados a vivenciar qualque tipo de perda. Seja financeira, amorosa ou social, toda estrutura pessoal de alguém é programada e condicionada para ser vencedora. Pena que a regra não seja essa. Perder ensina, porém didático mesmo eu acho que é saber recomeçar.
Em minha vida juntar os cacos tem sido prova de maturidade. Ao longo dos anos tenho aprendido que nem sempre é possível vencer, alcançar, atingir e conquistar. Em muitas ocasiões, o mais prudente é "sacudir o pó dos pés". Alegremente, tenho sido ensinado a bater a poeira, juntar os cacos e tocar o barco. Naturalmente, em meio a alguma dor e sofrimento. No geral, ainda bem, o saldo é positivo.
A quem interessar, encaro derrotas olhando para dentro: sem culpas, ressentimentos ou busca por justificativas. Olha-se onde errou, o que poderia ter sido feito e ainda o que fica para ser aproveitado. Após mirar-se nesse espelho, bater a poeira é o próximo passo e por fim abrir-se para a vida, afinal ela requer vivência em plenitude. Já lotei minha cota de experiência pela metade.