A princípio esse tema só renderia um texto, porém devido aos comentários pró e contra meu ponto de vista, pretendo aprofundar um pouco a análise a fim de provar, dentre outras teses, a de que você pode estar perdendo tempo fazendo faculdade.
Primeiramente o tema baianas foi utilizado pelo "folclore" que há em sua existência e por ser um exemplo que realmente vi em Salvador. Obviamente não há que ser baiana para ter um nível de renda superior a boa parte da população. O mesmo raciocínio aplica-se a qualquer tipo de vendedor de rua desde o que vende frutas, carregador de celular ou comida. A fim de se enquadrar em um médio-alto estrato de renda basta que o indivíduo tenha um retorno diário de R$200,00 (os quais em 26 dias renderiam R$5.200,00 líqüidos/mês). Isso posto, qualquer atividade comercial que renda esse spread torna-se tão ou mais rentável que o caminho clássico de estudar e arrumar um bom emprego.
Naturalmente não venho contestar o estudo, porém nem sempre é estudando que se ganha um bom dinheiro, prova disso são esses exemplos que dei. Há outros, é claro, porém não se cria um Sílvio Santos por semana, logo é preferível nem citá-los por completo. Talvez devido a um passado de instabilidade econômica, desenvolvemos um apego exarcebado a títulos e posições. Se considerarmos a existência de algum charme em trabalhar empacotado, o mesmo talvez não exista para quem tenha uma barraquinha de açaí. Entretanto, no fim das contas ambos estão economicamente em paridade.
De cara, no entanto, essa análise esconde dois fatores que envolvem ter um negócio próprio ainda que informal. O primeiro é o investimento inicial algo que dependendo da necessidade pode variar de R$500,00 até milhares de reais e o outro é a incerteza que se tem em lançar-se num empreendimento. Aqui, porém, cabe uma pequena digressão. Se o cidadão, partamos desse pressuposto, não tem educação formal e não atende aos requisitos que elenquei no primeiro artigo (línguas, estudo e informática, por exemplo), o que ele tem propriamente a perder? O mercado hoje não absorve quem sai das universidades e, em muitos casos, se absorver, lhe oferece um sub-emprego graduado.
Não é à toa a quantidade de dentistas, arquitetos e fisioterapeutas (todos obviamente com educação superior) que atuam em áreas em nada relacionadas às suas formações, para citar uns poucos. Muitos deles, inclusive, partindo para inicialmente negócios informais que após bastante esforço e mérito tornam-se pequenos e médios empreendimentos gerando diversos empregos. A própria baiana, fruto do primeiro exemplo, tinha dois ajudantes em sua barraca.
Em um país em que engenheiros e advogados recém-formados recebem propostas de trabalho de 40h semanais por um salário de R$800,00 (muitas vezes menores até que a mensalidade da faculdade, se privada) , ser baiana de acarajé, vender sanduíche natural ou qualquer atividade informal acaba sendo um escolha sensata e lucrativa. Em última análise, nós clientes comeríamos empadinhas bastante culturais.
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