Friday, December 10, 2004

Ângulos

Sinceramente me encanta a forma quase mágica que as pessoas têm de ver as coisas por diferentes pontos de vista. Discurso democrático e petista à parte, somente o fato de ouvir e muitas vezes entender outras perspectivas sobre o mesmo assunto, enriquece e no caso dos meus textos, motiva. A referência ao PT aí acima foi só para lembrar que depois vou terminar um texto que fala de política, um tema que evito abordar e até mesmo emitir opinião unicamente porque toda vez que opino me sinto enfiado em meio a vermelhos e termino pichado de neoliberal, sem falar nos destemperos que vez por outra rolam.
Um dos pontos positivos de um bom blog e de todo meio de comunicação unilateral (a aula por exemplo, que é, talvez, o supra-sumo da antidemocracia, afinal só o professor fala e a própria turma, muitas vezes, cria um clima de constrangimento e auto-reprovação que só reforçam o caráter unilateral da comunicação) é a possibilidade de exprimir qualquer tipo de opinião sem oferecer-se ao risco da censura direta ou pelo menos imediata. Por ser unilateral e democrático, vem aqui quem quer, lê o que se passa aqui quem assim optou sem é claro ter a possibilidade ou mesmo o recurso direto de exprimir-se de volta. Continuo sendo democrático, mas encaro isso como sendo positivo afinal dá isenção a quem escreve, até porque ninguém é obrigado a continuar lendo.
Entretanto, esse caráter unilateral, no meu caso pelo menos, tem sido prejudicial ultimamente. De tão unilateral, tenho tido um critério muitíssimo elevado antes de publicar qualquer texto meu. Obviamente eles não agradam a todos e de fato por ser unilateral, talvez eu nem devesse me preocupar com isso. Mas acabo me encucando com o que digito e no final enrolo enrolo enrolo e não mando nada pra frente.
Nessa luta de publico X não-publico, há dias em que estou mais a fim de colocar pra frente o que produzi e ao publicar, recebo comentários de interpretações que nunca passaram, ou talvez passariam, pela minha cabeça. Esse texto vai ao ar como se fosse um espelho, não para que eu me veja, mas para que venha outro espelho, e então, com sua nova imagem, me mostre algo que não vi.

Monday, November 29, 2004

Oscar Wilde

Esse texto não é meu, porém é bem interessante. Vale a pena ler e refletir.


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

Saturday, November 13, 2004

Últimos acontecimentos

A vida Porteña é algo a parte. Alèm de viverem em uma cidade belíssima, que sim, se parece com Europa. Os Porteños, os que habitam Buenos Aires, a sabem aproveitar muito bem. Quarta passada fui ao que chamam de boliche que é o correspondente argentino de balada e não tem nada a ver com o esporte. Mesmo numa quarta, o boliche after-office tá lotadissimo e segue ate a tres da matina. Engana-se quem pensa que ali so tem vagabundo. Por ser em uma area comercial, saindo do trabalho emenda-se o happy hour e apos este comeca o boliche.

A respeito de um dos ultimos posts que fala do preconceito, gostaria de esclarecer um ponto que ficou duvidoso e gerou polemica via email: nao tenho preconcenito com gauchos ou qualquer outro tipo de pessoa. O que quis dizer é que a menos que viva uma experiência, nao se deve opinar e eventualmente condicionar-se a pensar de uma forma de ou de outra. Em grande parte passados pela midia, tais valores acabam tornando as pessoas preconceituosas porem sem conhecimento de causa. Apos haver vivido, ai sim, posto em uma posicao de juiz, um pode emitir paraceres. Ate lá, tudo é só teorias. E as vezes das piores.

Ainda em Porto Alegre, a cidade é muito bonita sobretudo a arquitetura. Cada prédio é como se fosse uma obra de arte, uns bem e outros um pouco mal cuidados. O centro da cidade é um dos mais legais que já fui, assim como o de Buenos Aires, o qual tive oportunidade de conhecer essa semana. Seria excelente uma praia em Poa, porem sua falta nao foi perceptivel visto que ha zilhoes para fazer e praia por praia, ja tenho em Natal.

Hoje vou a Puerto Madryn, litoral da Patagonia. Dizem ser muito bonito, porem, seguindo minha propria teoria, so vou opinar quando vir.

Grande abraco,

D.

Tuesday, November 09, 2004

Bola

Bola

De repente até rola
mas tu só enrola enrola
hoje não, hoje não rola

Mas por que?
ah sei lá
só não rola

Pisa então
mas por que?
não disse que não rola?

Não, não rola
é tu só enrola

Saturday, October 30, 2004

Porto Alegre

Cheguei a Porto Alegre hoje às 6 da manhã. Antes de mais nada, é fácil perceber como construímos valores sem qualquer embasamento real. Também chamados de preconceito. No vôo até aqui vim repassando tudo que me tem sido dito há tempos sobre o sul do país, Porto Alegre e os gaúchos. Se pensar bem, a balança do preconceito, uma medida do que se tem por idéia de algo que não se viveu e o que efetivamente foi vivido para poder elaborar conceitos, pende para que eu pense como e aja como preconceituoso. Em grande parte as pessoas são moldadas para julgar, para dizer se algo é bom ou ruim, preto ou branco, sem necessariamente vivenciar aquilo. Primeiramente o que importa é essa reflexão que tive hoje, algo como se eu dissesse que um eventual preconceito (algo não acho não tenho) não irá influenciar minha percepção e desfrute do tempo aqui. Em segundo lugar, ouvi muito bem daqui e afinal isso foi o que me tirou de casa. Afinal, se não tivesse a expectativa de me divertir, não teria deixado Natal.
Na medida do possível, vou colocar o que tenho feito dia-a-dia. Por hora, a reflexão do preconceito já abre caminho para encarar a experiência de maneira previamente positiva.
Saindo daqui vou a Buenos Aires, Patagônia Argentina, Mendoza, Santiago do Chile, Atacama, Norte da Argentina e por fim volto a Porto, para então fazer meu caminho de volta à Cidade do Sol.
Em termos de valores, certamente já carrego inúmeros a respeito dos argentinos, patagônicos, chilenos, andinos e todas classes de gente. Cabe a mim somente e a cada qual que se coloque a mesma questão que me coloquei, confirmar ou não os valores que nos são impostos. Até aqui, segundo minha balança, o que me passaram não é real. Ainda bem.

Friday, October 29, 2004

VIAGEM

É certo que os textos não têm sido tão freqüentes como no começo. Talvez por que com o tempo nos acostumamos à mesmice das coisas ou até porque tenho estado sem tempo ou saco de escrever. Na verdade, as idéias me vêm a cabeça mas é como se o palito de fósforo demorasse a chegar na minha mão e quando ele me chega, não risco. Por outro lado, quando sento para escrever, como agora, sinto uma avalanche de idéias tamanha, umas até meio velhinhas, que o motivo original da minha escrita vai embora e acabo escrevendo sobre outro assunto.
Bem, o motivo do post de hoje, seguindo a quase média de um por semana, é uma espécie de mea culpa pelos que não serão postados nos próximos 40 dias. Explico. Ontem, logo cedo, viajei e só volto em dezembro, mas precisamente dia 10. Não pretendo escrever sobre a viagem em si, acho que um parágrafo é suficiente para sintetizar 40 dias. Sendo assim, enrrolações aparte, após me formar vou poder realizar uma viagem que planejei fazer durante as minhas férias de UFRN. Pobre ilusão. Graças a todas as greves que enfrentei, três no total, nunca consegui conciliar férias de trabalho com férias escolares.
De agora até dezembro, tentarei relatar algumas idéias que me vem à cabeça nesses dias que vou estar fora. Segundo o grande Miguel Añez, é mudando de ambiente que se tem grandes déias. Sendo assim, estou indo em buscas delas ou até dos fósforos. Só me resta risca-los.

Thursday, October 21, 2004

SOI 2004

Para mim ficou claríssimo que adoro simulações. Primeiramente pela simulação em si, uma vez que aprendo um bocado de coisas novas, de áreas que não têm nada a ver com a minha. Dessa perspectiva elas são altamente enriquecedoras. Além disso têm as discussões em si que acabam envolvendo os participantes a um ponto onde a simulação passa a ser realidade. Porém o melhor são as pessoas, estranhas no começo, mas que ao final são recém-grandes-amigos.
É complicado muitas vezes para quem nunca foi a um modelo (leia-se pais e amigos) entender porque cargas d´água alguém vai discutir tópicos que não influem em nada nos rumos da política internacional. Para aqueles que não sabem o que é SOI ou Modelo de Nações Unidas http://www.soi.com.br/soi.htm .
Em mais uma despedida chego mais uma vez à conclusão que já tirei de tantas outras SOIs que vivi: as pessoas são a diferença. Elas marcam, entram umas pelas vidas das outras e no final vão embora... Se não fosse elas a vida não seria mesma e o que parece sem sentido nunca seria mágico.

Monday, October 18, 2004

Vacinado

Vacinado
Curado

Seu olhar de despedida
Marca o que não existiu
Pesa sobre o passado
No qual ambos não éramos

Atordoado
Com sua lembrança fútil
Minhas desculpas esfarrapadas
Suas frases evasivas

Marcado pela saudade gostosa
Vacinado, Curado
Desse vírus que é você

Friday, October 01, 2004

Miguel Mossoró - O prefeito da Cidade do Sol

Ontem tive uma das saídas mais animadas de 2004. Talvez seja exagero, porém não é todo dia que se sai com o mais novo ícone da cultura pop potiguar. Tive a graça de fazer parte da comitiva que seguiu Miguel Mossoró na última noite de manifestações eleitorais.
Começando no Beco da Lama, recanto que dispensa maiores explicações considerando-se o nome, a Marola 36 (cinco carros comigo) percorreu boa parte da zona leste levantando a multidão e atraindo a atenção dos que quase dormiam às 11h da noite de uma quinta-feira. Íamos em direção a UTI DO CALDO, porém antes fomos a CDL ¿ Câmara dos Dirigentes Lojistas, pois Miguel queria falar com os empresários. Finalmente chegando à UTI, praticamente esvaziamos o bar pois cinqüenta carros saíram para Petrópolis levando bandeiras, cartazes e adesivos do 36.
Talvez pelo seu carisma e simplicidade, Miguel amedronta alguns grandes nomes da política potiguar ao mesmo tempo que humilha outros ao fazer uma campanha que é muitas vezes tomada por brincadeira e amadorismo. Sendo de protesto ou não, o voto nele resume a insatisfação do eleitorado natalense com os políticos profissionais, aqueles que fazem da política uma mera oportunidade de negócio.
Em todo lugar que chegávamos o candidato era recebido com palmas e gritos de apoio. Dentre outras figuras que o apóiam abertamente, está o presidente da OAB-RN, que até discursou no Beco atraindo a atenção da mídia para a antes Marola, agora Maremoto 36.
Terminamos a noite no Barraco, antro fashion de Natal, quando a essas alturas eu já era reconhecido como sendo cabo de Miguel fato que percebi quando ele me chamou pelo nome. Adentrei o Barraco ao lado de Mossoró sob aplausos e gritos de `Mi-guel, Mi-guel, Mi-guel´.
Nosso prefeito foi ao delírio em saber que os jovens estão com ele. A política à moda antiga seduz e rende votos a Miguel. O que antes era apenas leite encanado, a ponte Natal-Noronha e a mãozada nos gringos, se tornou algo de proporções gigantescas que o próprio militar nem em seu mais remoto sonho preveria. É, em Natal, o segundo turno só haverá graças a ele, ao Maremoto 36.

Tuesday, September 07, 2004

Nova cara

O blog agora está de cara nova. Há exatamente uma semana mudei o template e coloquei uma partezinha para comentários. Não foi por acaso que não postei nesse tempo. Coincidentemente retirei o contador por essa semana somente para ver o que as pessoas comentavam sobre os meus escritos. Pretendo postar duas vezes por semana algo como segunda e quinta ou terça e sexta, um post da semana e outro do fim-de-semana.
Agora, com essa área de comentários espero poder interagir com os que passam por aqui, porém favor não criar expectativas demais com o que escrevo. São só minhas idéias.

Um forte abraço, D.

Sunday, August 29, 2004

Colateral

Ontem fui ao cinema assistir Colateral (www.collateral-themovie.com). O filme trata de um matador contratado que toma um táxi em Los Angeles para em uma noite cumprir sua meta de matar cinco testemunhas que irão depor contra um de seus clientes na manhã seguinte.
A princípio gostaria de dizer que o filme vale a pena ser visto, diferente de uns que vi nas últimas semanas como Ken Park e Eu Robô. Porém alguns pontos necessitam ser ressaltados para melhor contextualizar a produção.
Há que se dizer que o diretor senão copiou pelo menos inspirou-se em alguns pontos de Dia de Treinamento com Denzel Washington, a começar da cidade de Los Angeles, da relação bem X mal colocadas sobre dois personagens e o interessantíssimo drama de consciência que há em ambos filmes. O motorista de táxi, obviamente, passa toda a película tentando se desvencilhar do matador, porém cada vez mais ele se compromete afinal em última análise ele é cúmplice. O diretor fez bem em envolver o espectador na trama. Eu, pelo menos, me perguntei diversas vezes o que faria se tivesse na posição de Max, o taxista.
A atuação de Tom Cruise mostra que ele pode ir desde O Último Samurai a filmes como esse, além de claro fazer o gênero Missão Impossível, produção cuja gravação iria coincidir com Colateral porém a pedido do ator foi modificada para que pudesse atuar no dois.
Uma pena é que a certa altura o filme passa de uma trama psicológica para uma vertente mais Jackie Chan (Hora do Rush I e II) de fazer filmes. A ação e a velocidade das imagens ofusca toda a trama que havia sido enredada e no fim senti aquele gosto de fórmula gasta de sessão da tarde. Colateral caminha bem estruturado até quase o fim quando começam os carros voando, perseguições em metrôs e todo aquele conhecido blá blá blá.
Nas minhas resenhas sobre filmes geralmente sou um pouco ácido com as produções hollywodianas e não americanas. Por Hollywood entenda-se filmes feitos para vender, levar multidões às salas e nada mais. Seria como se comparássemos Kelly Key a algum grande artista da MPB, muito embora KK também possa produzir coisas de melhor nível.

Monday, August 23, 2004

Monografia III

Sei que há alguns eu dias eu não posto, mas não é por mal. É unicamente por falta de temas interessantes a serem tratados. Explico. Apresentei monografia na quarta passada e consegui um 9,0. Missão cumprida. Completei os créditos. Desde quarta então eu venho só curtindo, saindo e virando a noite por aí. As idéias de poesia têm surgido, estou com três no momento e oportunamente coloco aqui. O bom é alternar textos com poesias para não cansar os amigos e desconhecidos que já me visitaram aqui 419 vezes.
Introduções à parte, é interessante como sempre buscamos mais. A principio não falo do ideal capitalista de acúmulo, mas de uma vontade de seguir e querer mais. Confesso que fiquei espantado comigo mesmo quando um dia após a monografia eu já tinha algumas idéias legais para um projeto de mestrado. Para quem não sabe monografia exige um pouco do aluno e isso me gerou certa angústia, o lógico então seria que eu não fosse em busca de algo que talvez me faça mais angustiado ainda com a pressão por prazos, as leituras exigidas e a cobrança dos professores. Errado. No outro dia eu estava com o projeto na cabeça, no sábado eu comecei a escrever e hoje já estou colocando no computador todos os planos para leva-los a discussão e ver no que dá. Estranho?
Sinto uma vontade de seguir com isso mesmo sabendo que por um lado me será muito bom, assim como por outro me fará quase arrancar os cabelos que restam. Imagino que seja similar com muitas pessoas, a esperança nunca é perdida e a coragem de lutar sempre supera um estresse acadêmico, um amor que magoou ou um projeto que trouxe mais custos que benefícios.
Como seria chato e monótono se não houvesse desafios e riscos a correr. O interessante é saber medir, balancear e ver quanto podemos arriscar seja no amor, com os amigos e até nos projetos pessoais. A diferença entre remédio e veneno está na dose.

Wednesday, August 18, 2004

Mulher de rosa


Mulher de rosa

Sempre de rosa
Vestida de flor
Cor de menina
Atiça domina fascina

Traje de pétalas
Boca de mulher
Pintada de rosa
Mulher ou flor?

Sorriso avalassador
Em sua boca rosa
Vem pra mim
Torna minha vida cor-de-rosa

Tuesday, August 17, 2004

A fauna vai à tevê

A boa de hoje até outubro na televisão brasileira não será João Kleber, Clodovil ou mesmo Casseta & Planeta. Estamos à beira de ver toda a fauna brasileira, o que há de mais trash e sem noção, nas telas às terças, quintas e sábados: o horário eleitoral gratuito para os vereadores.Confesso que assisto televisão raramente, mas perder essa verborragia nem pensar. Hoje, por exemplo, pude ver alguns dos candidatos a câmara e suas propostas. Esse será meu compromisso pós-almoço durante o período eleitoral.
Sem contar com o já batido ¿FORA ALCA, FORA FMI, FORA LULA¿, a pérola do dia foi um candidato que ¿se eleito acabarei com o desemprego construindo sanitários públicos e colocando dois guardas municipais para tomar conta¿. Segundo minha avó, é por isso que ele não ganha: Deus não dá asa à cobra.
Em contrapartida, vê-se as fórmulas gastas e idéias re-re-re-re-visitadas de toda campanha eleitoral. Sou taxativo em dizer que nosso processo democrático é fajuto na medida em que o poder econômico supera a real intenção de votar ideologicamente em alguém. Como já disse no post da Radiobrás, quem elege esses que estão nas câmaras, assembléias e senado, não é a classe média politizada, porém a classe cuja ¿ajuda¿ do político padrinho vem suprir a necessidade que o Estado, tocado pelo mesmo político, não atinge.
Não quero dizer que todos políticos são corruptos, nem acho que as alianças estejam erradas. Não culpo Lula por se aliar a Sarney ou mesmo ao deputado do PC do B ter votado a favor da reforma da previdência. Coerência é fundamental e com vistas a isso o Diário de Natal em sua edição de 15/08/2004 perguntou ao presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte o que ele achava do registro em cartório de promessas de campanhas. Respeito sua posição contrária ao tema, mas continuo me questionando onde está a coerência política.
É imperativo que nesse momento eleitoral, nós, isentos da influência do poder econômico para votar , tentemos incutir naqueles que nos cercam o real motivo de vivermos uma democracia: o povo poder escolher em quem se vota. Se o povo não é independente para escolher, a democracia é falha.
Para mim, é pura diversão ver os vereadores no ¿horário eleitoral gratuito de acordo com a lei 9504/97¿, porém é duro saber que boa parte daquilo não passa de falácias e que a necessidade, e não ideal democrático, irá decidir mais uma eleição.

Monday, August 16, 2004

Única

Única

Complicada extravagante linda
Sempre única
Singela perfeita sutil
Quem além de ti?

Sincero, não entendo
Admiro o que não vejo
Escuto mas não compreendo

Única: cativa pra sempre
Invade o peito
Embaralha o pensamento

Especial sendo única
Complicada porque não entendo

Peculiar sendo assim
A única que foge de mim

Sunday, August 15, 2004

Mora Comigo

Mora Comigo

Mora comigo
Eu lavo passo limpo
Mora comigo
Na beira da praia
Mora comigo
Seu cozinheiro amante amigo
Mora comigo
Pra noite não ser tão fria
E o vinho não ser amargo

Mora comigo
Vem ver o sol nascer
Mora comigo
Pois sem ti eu não vivo

Escrever poesias

Sempre gostei de escrever porém a monografia veio me ajudar a romper com alguns medos que eu tinha quanto a minha escrita. Monografia entregue, a vontade de escrever continuou e foi aí que a idéia do blog surgiu: poder compartilhar o que penso.
Na enxurrada literária veio a poesia, algo que nunca tinha tentado antes, mas que também tenho gostado de fazer. Contudo não pretendo colocar só poesia aqui. A primeira ´Mora comigo´ foi concebida rapidamente, algo em torno de 15 minutos, na quinta-feira passada. Antes de mais nada, ela não é endereçada a ninguém. Naturalmente me inspirei em situações do dia-a-dia, mas não pretendo enviar o convite a ninguém num futuro próximo.
Coroando essa nova vertente do blog, essa semana irei coloca-lo em um novo formato, incluindo área para comentários, links, perfil e o que mais der na telha. O objetivo-mor não é escrever o que talvez outros queiram ler, mas retratar idéias com as quais alguns leitores se identifiquem. Com os comentários que eventualmente virão, poderei interagir e até discutir com quem lê e compartilha o que se passa na minha cabeça.
Mudando de pau pra cacete, a diferença homem X mulher é latente, pensando nisso escrevi ´Única´ poesia que retrata a maneira como se vê uma mulher embora nem sempre seja possível compreende-la.

Thursday, August 12, 2004

Ligações inesperadas

Ditados não faltam para ressaltar as vantagens de ser lembrado. Só é lembrado quem é visto, quem é vivo sempre aparece e por aí vai. Tenho um hábito que cultivo há muito tempo que é o de ligar pros amigos. Porém ligo quando quero, e, às vezes, quando quero, não é a hora mais indicada. Digamos que eu ligue quando as pessoas estariam geralmente dormindo, porém há exceções. Meu intuito não é acordar ninguém. Porém se essa é a forma através da qual eu demonstrarei à outra parte todo meu apreço e admiração, logo tudo se torna justificável.
Ontem tive a experiência de ligar para três amigos, dos quais só dois atenderam. Na verdade, o primeiro me deu o telefone do segundo que estava dormindo e por fim resolvi ligar para uma terceira(essa tava na balada) com a qual falei rapidamente mas a linha caiu. Trocamos algumas palavras e no fim senti o desejo de missão cumprida. Gostaria que todos soubessem que naquele momento eles passaram pela minha cabeça, assim como na semana passada liguei pro meu primo, meu irmão e etc. Sou partidário dos bons momentos que cauterizam a mente. Um beijo roubado, uma placa de trânsito roubada, uma ligação inesperada, são eventos marcantes que acabam sendo guardados pelo resto da vida. Quando se liga para alguém assim no meio da noite, a menos que você esteja dirigindo (como eu estava), imagino que a única coisa que importe naquele momento seja o seu interlocutor.
Um amigo argentino que fiz na Califórnia aprendeu a seguinte frase ¿Estou ligando porque estou com saudades¿, convém dizer que foi uma luta imensa até que ele conseguisse memorizar a frase, ou seja, os que pensam que espanhol é igual a português, não tão com nada. Mas bem, o cara ligou algumas vezes para dizer a frase recém-aprendida, não só pra mim, mas para diversos amigos, falantes do português ou não. Em suma, a prática está se alastrando por toda América, logo logo Bush liga pra Lula de madrugada para reforçar os laços de cooperação Brasil X EUA.
Pelo caráter pessoal da ligação inesperada, sugiro que só se ligue para pessoas queridas, no celular, e muuuuuuuuito de vez em quando, senão o efeito é reverso e o rótulo de chato, inevitável.

Monday, August 09, 2004

Guerra de Marketing

Sou refratário a filmes americanos assim como disse em um dos posts abaixo. Unicamente porque, com raras exceções, seus filmes são sem roteiro e totalmente comerciais. Bem, dois pontos altamente subjetivos.
Domingo assisti ´Eu, robô´e ele não passa de uma propaganda de 120 minutos na qual eu consumidor pago para ser bombardeado por marcas e situações que unicamente me induzem a pensar que Audi é um carro moderno e resistente; All Star é o tênis dos policiais fortes, viris e eficientes; Fedex (de novo!) é a marca que não importa como, sempre levará a encomenda que quero onde quero na hora combinada (mesmo que mande um robô) e por último que JVC é a marca de imagem e dados, e não Sony. Explico.
Alguns podem achar que sou partidário da Teoria da Conspiração, corrente ideológica que se acha sempre vítima de uma conspiração, mas durante todo o filme um robô COINCIDENTEMENTE chamado Sonny acaba fugindo de uma das regras que é a de que as máquinas não podem ter sentimentos, ou seja, ele é um aparelho defeituoso. Tudo isso em contraposição, ao aparelho de som JVC que não é um modelo de 2035 (época do filme), mas um dos dias atuais que obviamente funciona perfeitamente. Será tudo isso somente coincidência? Com quais valores querem me comercializar o entretenimento pelo qual pago caro? Em se tratando de um embate de marcas de imagem, por que tudo no filme gira em torno de imagens, projeções, resumindo áudio e vídeo? Em 2035 não haverá nada físico? Somente som e imagem? Ah, empurra goela abaixo que eu gosto...
Filmes que são marketing puro não são novidade. Posso falar de uma dezena de filmes que exploram a Nova Iorque pós 11 de setembro. Em todos eles NYC é segura, limpa e ensolarada. Spiderman I e II, Maid in Manhattan, Efeito Borboleta, Eu Robô. Esses me vêm a cabeça agora enquanto escrevo, porém a lista é enorme. Também lançado em 2001 tem Náufrago com Tom Hanks. A única coisa que entendo dali é que se eu mandar Fedex minha encomenda chega de qualquer maneira, a mesma mensagem que tentam passar na película que vi ontem.
Uma pena que a sétima arte esteja sendo tão banalizada por Hollywood. Não estou sendo preconceituoso com o cinema americano. Preconceito, qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico, segundo Houaiss, requer a falta de exame crítico, porém esse filme só fez reforçar o já propalado nome para as produções de lá: enlatados...

Friday, August 06, 2004

Radiobrás

Alguém já se deu ao diligente trabalho de ouvir a Voz do Brasil? Ou melhor, alguém que você conhece escuta a Voz do Brasil? Bem, ontem, cozinhando, liguei o rádio e calhou de cair justo nela. Como não sou radical, resolvi ouvir o programa com atenção a fim de saber o que eles transmitem e o por quê de ser tão odiado. Basta lembra que há alguns houve um movimento para tira-la do ar. Até que não seria mau negócio...
Criada na década de 30 durante o Estado Novo a Radiobrás foi arma política do governo de Getúlio Vargas, de 1930-1945. Ditador, ele necessitava expor suas idéias e convencer as massas de que estava realmente correto. Bem, isso é passado, em mais alguns anos a Radiobrás completa 70 anos, porém nada mudou.
A atual Voz do Brasil, embora estejamos vivendo num regime democrático, vem sendo usada pelos governos pós 88 da mesma maneira como ambas ditaduras a utilizaram. Sinceramente pelo que ouvi na transmissão, achei que estava na Dinamarca e não tinham me avisado. O locutor, com aquele tom de voz característico, iniciava cada frase com ou o presidente Lula...ou o governo federal..., após algum tempo ou você cai no blá bla blá ou acaba atirando o rádio pela janela. Contudo, insisti ainda um pouco mais pois queria formar opinião a respeito do programa que emite as notícias que fazem diferença no seu dia-a-dia (sic). Segundo Jeffrey Steingarten, crítico culinário da Vogue e autor de O homem que comeu de tudo, é necessário provar algo três vezes para poder emitir um parecer realmente embasado. Seria querer demais desse pobre escriba ouvir aquele lixo noturno mais que uma vez...
Se você existe, você é político e isso é fato. Eu, despretensionamente, estou de alguma maneira formando opinião em você, leitor. Contudo eu não me utilizo de um órgão de Estado para uma política de governo. A atual administração federal usa do Estado para atingir seus fins e não o contrário.
Classe média não elege ninguém, já diriam os conhecedores de marketing político nem escuta Voz do Brasil ¿ basta fazer uma pesquisa em seu ciclo de amigos pra constatar que a população urbana educada politicamente não consome esse tipo de baboseira ideológica. Talvez seu avô, provavelmente como o meu, nascido na década de 30, a escute, mas eles são exceção e se a escutam é por outra razão.
Se por essa altura você tiver desistido de ouvi-la, não tenha pressa. Há uma parte jurídica muito interessante, porém ela é uma menor parte informativa envolta em um mar de propaganda política e manipulação ideológica das populações rurais, em grande parte, aqueles que decidem eleições e se rendem ao apelo econômico em detrimento da democracia efetivamente exercida.
Remontando a um dos posts anteriores, sugiro que você encare a transmissão como sendo uma tarefa a ser cumprida e não como um lazer, até porque entretenimento passa longe dali. Se mesmo após meu estímulo você não quiser sintonizar o rádio às 19h, eu até entendo: seu ouvido não é pinico...


P.S. Com vistas a minar a Voz do Brasil, pelo menos da maneira que me veio a mente, criei uma comunidade no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=258821 . Lá, além de engrossar a fileira dos que se opõem ao despotismo desse programa, você encontrará meu perfil. Grande abraço!

Carta a um amigo

Entreguei essa carta ao meu grande amigo Flocos quando de sua partida à Europa. Aos que interesserarem acompanhar suas andaças aí vai seu blog: http://www.micabe.blogger.com.br

Divirtam-se,

D.


Natal 06 de Agosto de 2004 (01:06)

Caro amigo,

Sentirei sua falta quando você estiver em outras terras. Sua presença junto a nós faz com que eu perceba como Deus tem o cuidado de colocar pessoas especiais em minha vida e uma delas é você.

Durante sua estada fora é provável que você tenha momentos marcantes: bons e ruins. Quanto aos bons aproveite porque eles farão você sorrir mais na frente. Quanto aos ruins saiba que eles farão crescer. Lá na frente você poderá rir bem mais por ter passado por tudo, isso e poder ser um homem mais maduro. A vida é uma sucessão de experiências que juntas redundarão em quem Felipe Gurgel, Felipe, Lipe ou somente Flocos será. Viva cada momento de sua experiência estrangeira, pois em cada um deles algo novo será mostrado e com certeza aprendido.

Saiba que o crescimento vem acompanhado de dor. Se vier a senti-la, lembre que eu, a torcida do América e mais um monte de gente estaremos com você. Sempre.

Tudo que você vive aqui em termos de sensações também vai rolar quando você estiver fora, porém elevado ao cubo. Experiência que você não vai esquecer jamais e que certamente vai fazer com que você volte um pouco mudado, mas não menos querido.

Sinto que estamos perto de ficarmos longe. O fim da minha graduação me abre diversas portas, assim como tambem ocorrerá com você, levando a diversos caminhos. Caso os nossos caminhos não se cruzem guarde junto a certeza que você vai no peito - lugar de amigos - mas no seu caso, irmão.

Se por ventura a essa altura você estiver emocionado, saiba que também estou agora em materializar o que você significa. A emoção nos traz mas pra perto da nossa essência e a mão trêmula de agora sempre vai ser a firme em te apoiar.

Ria, chore, beba, vomite, grite, cante, pule, aproveite, acredite...

Falar de você é simples já que somos semelhantes em muitos pontos. Contudo é dificil juntar o que eu diria em seis meses em alguns minutos de leitura.

Inteligente, você sabe o lugar que ocupa para cada um que você aqui deixa.

Por último três conselhos:

Não confie em qualquer pessoa;

Não beba o que lhe oferecem;

Nao dê lugar a saudade. Natal estará aqui. Há 400 anos tem sido assim.

Desde já lembre-se: todo carnaval tem seu fim. Vá com Deus, do amigo e irmão,

Daniel

Wednesday, August 04, 2004

Monografia II

Terminei ontem minha monografia e já a levei pro orientador olhar. Amanhã entrego definitivamente e espero só o dia de apresentar. Pelo que ouvi, não vão querer me encurralar na frente de todo mundo, muito menos me reprovar. Estou bastante aliviado, esse semestre foi dureza, mas sendo o último tudo valeu a pena.
No último post atribui todos os males da atualidade à monografia o que é verdade. Porém, muitos gostam de monografia. Tanto que até choram, esperneiam e se agarram ao professor pedindo mais uma para divertir as noites de sábados e as tarde de churrasco. Para mim pelo menos ela foi sofrível, não estava no clima de fazer algo do tipo, mas simplesmente tive, uma vez que não faço parte dos que escolhem o que e quando fazer.
Uma amiga minha sempre me falou de um livro intitulado ´Depende de como você vê´ , não sei era herança de família ou segredo de Estado, contudo não cheguei a ver o tal livro mas a ouvi contar e recontar tudo dele durante horas. Destinado ao público infantil, ele tenta colocar para as crianças a idéia de que a vida pode ser vista por diversos ângulos, lição que alguns adultos precisam ainda aprender...
Como estaria o mundo hoje caso todos, desde pequenos, tivessem lido e entendido o o que o ´Depende de como você vê´ diz? Imagino que os intolerantes seriam exceção e com eles iriam boa parte dos males que nos assolam atualmente.
Dei adeus à minha filha, monografia, porém outros projetos estão por vir. Cada qual com seus aspectos bons e ruins, só depende como eu veja.

Sunday, August 01, 2004

Monografia

Clichê - frase que se banaliza por ser muito repetida, transformando-se estereótipo, de fácil emprego pelo emissor e fácil compreensão pelo receptor; lugar-comum, chavão.

Seguindo a proposta do blog, a qual pretendo seguir fielmente ou até mesmo muda-la para que siga fiel a mim, hoje escreverei sobre o que mais me aflige atualmente, a tal da monografia. Temida por 99% dos alunos, de acordo com dados da Royal Academy of Engineering, aqui no Brasil e em Natal, não é diferente. Junte-se a isso o velho costume de ir deixando tudo para última hora e estão prontos os ingredientes para o stress, correria, abandono do convívio social, trabalhos mal feitos e em alguns casos até reprovação.
Sou totalmente contrário à teoria de que o brasileiro deixa tudo para a última hora. Primeiramente nem da Globo eu gosto e ela é mestre em usar esse clichê, geralmente em abril, quando é a época de entregar as declarações do imposto de renda (outro absurdo nacional que eventualmente discutirei aqui, mas não sei até que ponto você está disposto a saber o que penso sobre o papel do Estado). Se as coisas são deixadas para última hora deve haver um motivo pra tal, até porque ninguém é imbecil a ponto de seguidamente se estressar com a própria falta de habilidade de gerir o tempo. Porque então não se diz que o brasileiro deixa tudo pra última hora em se tratando de assistir a copa do mundo? Ou tirar férias? Fazer o churrasco de fim-de-semana? Aproveitando o ensejo, se tirarmos da Globo seus clichês ela fica sem nada.
Na vida, apenas uns poucos ricos e sortudos, dentre outras exceções, têm a opção de fazerem o que querem na hora que bem entendem e pronto. Contudo, a grande maioria, tem que se propor interações sociais, ora legais ora sacais, como faculdade, trabalho, chefe, vizinhos et cetera. Infelizmente esse não é meu caso, porém tento levar as coisas numa boa e dentro dos prazos. Segundo um filósofo Nepalês Xung Hira Chim III ¿a vida é uma seqüência de rotinas, festa é a exceção, é por essa busca de fazer de cada dia uma festa que o mundo hoje está à beira do caos¿. Para embasar novamente Chim, temos o caso do Juiz Nicolau Lalau que teoricamente não precisaria desviar recursos, para viver porém o fez na busca incessante pelo luxo.
Termino compartilhando com cada um de meus quase-leitores-de-sempre minhas questões quanto à rotina e a obrigação de fazer certas coisas. Piadas e clichês aparte, às vezes me sinto espremido entre prazos e sugado pelas obrigações que só me contrariam, como a maledeta monografia, titulo desse texto dominical. Saiba que você não está só em sua batalha, certamente diária, de encarar o que acaba muitas vezes por lhe fazer mal, mas tem que ser feito. Ás vezes com bom humor e um tanto de paciência, tudo se leva numa boa. Eu, por exemplo, como bom brasileiro seguindo o clichê global, preferi escrever e postar esse texto ao invés de voltar pra minha monografia que deve ser entregue amanhã... De repente, a Globo tem seu quê de razão.

Monografia finalizando, amanhã ponho a cruz no calvário.

Forte abraço, D.

Saturday, July 31, 2004

Efeito Borboleta

Primeiramente gostaria de agradecer aqueles que têm tido o cuidado de passar por aqui e ler meus textos. Imagino que ainda seja cedo para caracterizar uma espécie de tendência nisso ou a construção de um público fiel, até porque comecei há exatamente 48h. Contudo fico imensamente satisfeito em saber que existem pessoas que se identificam com minhas idéias. Sugestões são bem vindas, planejo ainda acrescentar algumas coisas ao blog como um novo template, alguma área de links e até um perfil do autor disso tudo que se lê.
Adoro cinema e hoje tive a oportunidade de ver um filme muito interessante tanto do aspecto técnico quanto de enredo. Vi ´Efeito Borboleta´ com Ashton Kutcher ¿ aquele ator canastrão que sempre fez papéis babacas. O filme é bem interessante e é baseado na Teoria do Caos. Presumo que alguns não sabem como essa teoria funciona, por isso explico rapidamente. Ela é mais ou menos como o Orkut ¿ eu, por exemplo, através de 100 pessoas estou conectado a mais de um milhão. A teoria do caos é mais ou menos isso: através de um evento banal, conseqüências catastróficas podem surgir. Por exemplo, um casal anda pela rua com um cachorro, o cachorro late para uma criança que ia passando, a criança assustada avança pela rua, um caminhão tanque freia para desviar dela, tomba e explode junto com alguns carros na via. Portanto, por causa de um latido de cachorro que assustou a criança, algumas pessoas morreram e milhares de reais foram perdidos.
Se aplicada à vida, assim como o filme faz, a teoria dá pano pra manga pra muitas horas de reflexão e outras tantas de discussão. O protagonista vive tentando mudar seu passado a fim de que a repercussão no futuro não seja catastrófica, como os exemplos da Teoria do Caos são. O único problema é que na vida de carne & osso não é assim. Enquanto lá o cara volta ao passado (não vou dizer como porque senão ia contar o filme), aqui, na nossa vida, naturalmente não existe essa possibilidade. Ou se faz tudo certinho de uma tacada só ou então curta as conseqüências de ter falhado.
O filme faz bem o papel de questionar seus espectadores quanto suas opções na vida. Não quero dizer que é inevitável, mas é pelo menos provável que você pense, ao terminar o filme, o que seria de você se não tivesse mudado de escola, ido para festa onde conheceu alguém que era o máximo ou até mesmo nascido onde você nasceu?
A pergunta é bem colocada pelo enredo do filme e a atuação de Kutcher não deixa a desejar mostrando, pelo menos pra mim, que ele não é somente ator para filmes babacas de Hollywood. Sou refratário a filmes americanos, mas esse recomendo sem pestanejar.
Para finalizar não custa se perguntar o mesmo que o diretor tenta incutir em cada espectador, o fato de que a vida pode tomar rumos distintos a partir de um ponto irrelevante, assim como a Teoria do Caos. Não é minha pretensão mudar a vida de ninguém, mas qual repercussão esse texto pode ter na sua vida? Abraço a todos! D.

Nostalgia II

Continuando o tema de ontem, nostalgia, sugiro para aqueles que chegam pela primeira vez a ler minhas linhas que passem os olhos pelo post anterior a fim de entrarem no clima. Porém antes de mais nada sugiro uma passada em blogs de dois irmãos meus: Lenin ¿ http://quepasa.blogger.com.br e Diego ¿ http://diegorc.blogger.com.br , ambos escrevem muito bem. Pronto, comercial feito.
Quanto a Nostalgia, se existisse um índice de nostalgia talvez eu estivesse tão nostálgico hoje como estive ontem. Porém tenho duas teorias que pelo menos em mim se comprovaram verdade até hoje. Tudo bem, elas podem ser simplistas e não ter nenhum embasamento real, porém uma vez que são verdade pra mim, em pelo menos alguém elas funcionam. Uma se aplica a nostalgias de maneira geral e a segunda somente em casos de de derrotas ou dores-de-cotovelo(é com hífen mesmo, de acordo com Houaiss).
Com o passar do tempo é natural que a nostalgia vá diminuindo até estabilizar-se em uma lembrança calorosa, um sentimento gostoso, algo que vem pra ficar como boas recordações e não o ¿desejo de voltar ao passado¿. Porém, em quanto tempo isso acontece? Para mim, 72h. Isso mesmo, setenta e duas horas. Três dias. Cheguei a esse valor através da experiência. Conheço pessoas, porém, para as quais minha teoria não se aplica, que são nostálgicas pela vida inteira, nunca conseguem seguir adiante sem se deixar liberar o passado, que vivem como se o passado fosse o presente e o que vivem atualmente nem se comparasse ao que viveram. Isso não é errado, de maneira alguma, somente não se aplica a mim. Diferentemente, aplicando-se a Teoria das 72h¿, os resultados são quase a jato.
Antes que venha e-mails de todos os recantos do globo desde Kuala Lumpur até Catolé do Rocha (PB) dizendo que eu sou um cachorro-sem-coração(com hífen também), adianto que para mim, pelo menos, a evolução, que para os amantes da nostalgia é retrocesso, do sentimento nostálgico para a boa recordação sem aquele sentimento, por vezes incômodo, de querer voltar ao passado, passa em média em 3 dias. Após esses três dias, guardo lembranças boas dos amigos, amores passados e naufragados, lugares, cones e listas telefônicas voando. Todos ainda moram no meu coração, contudo o ¿desejo de voltar ao passado¿ não existe mais. Para mim após essas nobres 72h o passado pertence ao passado, o presente é curtição e o futuro depende da mulherada.
A outra teoria, é bem mais simples e se aplica aqueles que estão com dor-de-cotovelo e se sentem inconformados com alguma derrota ¿ de alguma forma, um tipo de nostalgia também. Francamente já utilizei essa teoria inúmeras vezes até porque se levar fora tirasse pedaço este que vos escreve já teria batido as botas há muito tempo. Falo da teoria do ¿Ah, foda-se¿, porém em sua versão 1.8T: busque um local silencioso, cruze as pernas em posição estilo ioga, inspire fundo e mentalize seguidamente ¿Ah foda-se¿. Confesso que sou partidário da teoria das 72h, mas essa também é eficaz em alguns aspectos, é igual a Doril® - tomou Doril® a dor sumiu.

Friday, July 30, 2004

Nostalgia

Nostalgia

¿Saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado¿ segundo Houaiss.

Tenho estado um tanto nostálgico desde que voltei Brasília, a capital federal. Não pela cidade, que mesmo sem praia me pareceu bastante agradável, nem pela maestria de sua arquitetura tampouco por lá ser o centro do poder nacional. Em Brasília tive oportunidade de conhecer pessoas incríveis as quais deixaram marcas em mim, em somente uma semana de convivência. Deixe-me introduzir-lhe primeiramente o motivo pelo qual fui ao planalto central.
Fui participar do AMUN ¿ Américas Model United Nations que é uma simulação de uma assembléia geral da ONU. Lá, estudantes fingem ser diplomatas e negociam os interesses de seus países assim como é feito nas Nações Unidas de verdade. O objetivo disso tudo é recriar a atmosfera da ONU para que os estudantes possam aprender mais sobre relações internacionais, política externa e cultura ¿ tanto do país que representam como dos outros. Confesso que a primeira vez que ouvi a definição achei que era uma espécie de jogo babaca para quem não tem o que fazer. Pelo contrário, lá percebi que o AMUN além de ser uma ferramenta de aprendizado das melhores, é uma forma bem interessante de conhecer gente de todo o Brasil em torno de um interesse mútuo que são as relações internacionais.
Olhando o que vivi, percebi como que em uma semana somente, Diego, por exemplo, passou de um mero desconhecido a alguém pelo qual eu tenho grande consideração. Cito seu nome por ter sido o amigo que fiz em menos tempo em minha vida ¿ um segundo irmão. Me questiono porque as coisas acontecem assim de repente e sem motivo aparente. Durante essa semana, uma avalanche de sensações tomou conta de mim: medo de falar em público, satisfação por conhecer novas pessoas, raiva por não conseguir atingir perfeitamente os objetivos do país que representava - Egito, ansiedade por saber que tudo aquilo ia passar, e, por fim, a saudade que se instala sem ser chamada. Para completar, só faltava me apaixonar (algo não tão raro em eventos assim) , mas isso já seria demais em uma semana, pelo menos pra mim. Porém, a paixão (sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão) pelo AMUN, pelas simulações de maneira geral (SOI, UFRGSMUN, MONU, TEMAS) acaba tomando conta de uns de tal forma que, conforme Houaiss, acaba-se por perder a razão.
Durante essa semana, então, vivi intensamente. Além de ter podido conhecer mais profundamente pessoas da minha universidade ¿ até ali os conhecia apenas de vista, pude conhecer também pessoas que em parte mudaram minha vida. De volta à Natal, a nostalgia tomou lugar.Mas, fugindo um pouco da minha realidade, como estudante ou como representante do Egito, quantos AMUNs temos na vida? Porque sentimos saudades daquilo que nos dá saudade?
Respondendo em parte a pergunta, talvez me sinta nostálgico assim porque estou me formando agora e de alguma forma sei o que me espera ao sair da faculdade. Seria uma espécie de pré-nostalgia ou até mesmo saudade daquilo que sei que irei sentir falta no futuro unicamente porque a realidade será outra. O que importa, ao final desse primeiro texto, é compartilhar com vocês como a vida nos ensina lições de onde menos esperamos ¿ as pessoas nos marcam não importa o tempo nem a as circunstâncias.


P.S. Instalei o Houaiss essa semana no meu PC e desde então tenho estado viciado nele.

Thursday, July 29, 2004

Blog

Bem, depois de muito relutar em aderir a moda dos blogs resolvi hoje fincar minha bandeira na web. Muitos podem questionar o motivo, algo justo, contudo não sei bem ao certo o que me levou a dar o braço a torcer. Não sou dos mais xiitas e quando percebo que algo é realmente legal, acabo voltando atrás e entrando na onda também. Não escrevo para ser comercial ou bonito. Nada de lírico ou estético. Pretendo compartilhar com quem passar por aqui, anônimos ou não, algums das minhas opiniões, sentimentos, questionamentos, constatações e afins. O objetivo principal é poder expressar as idéias que às vezes demoram a se materializar, mas que através do texto tomam vida. Para mim o principal de um blog é seu cárater democrático. Talvez não hoje ou em um futuro próximo, mas logo pessoas que não conheço nem conhecerei estarão lendo meus textos, talvez se encontrando em algumas das minhas palavras talvez achando que tudo não passa de abobrinha (ou miolo de melão, se preferirem).
Por hora, é isso. Hoje começo com um texto sobre a nostalgia, sentimento que percebi fazer parte de mim desde que existo mas que só depois de muito apanhar aprendi a lidar. A vida é feita de circunsâncias. A medida que o tempo passe e as páginas rolem poderei definir melhor o real objetivo de hoje estar iniciando um blog, porém sinto como se estivesse me propondo uma tarefa gratificante e, de alguma forma, auxiliadora pois eu mesmo já me vi em diversos textos lidos por aí. A todos desejo uma boa caminhada e espero colaborações. Grande abraço, D.