Saturday, September 10, 2005

Mochila

Ter casa é um bom negócio. A princípio não me refiro às quatro paredes, alugadas ou próprias. A verdade é que esses tempos percebi que viver pra lá e pra cá é tão interessante quanto parece... Nesse período pude perceber duas coisas: posso viver com muito menos itens e que casa nas costas é coisa de caramujo.
Primeiramente falando da diminuição de itens, imagine só resumir tudo que se veste, calça e usa para higiene pessoal em 23kg... Para fins de comparação, segundo a Procter & Gamble um jeans pesa 700g, um par de meias e uma cueca 50g cada e, com alguma imaginação, um suéter 350. Raciocínios matemáticos à parte, já se vê que não é tarefa simples resumir sua vestimenta em meia saca de café. Todo esse papo de roupa me faz lembrar minha ida à Patagônia (assunto já tratado logo abaixo) onde toda minha bagagem pesava 12kg, porém não é bom nem lembrar a quantidade, o estado e a freqüência com a qual eu mudava de roupa, a exceção das íntimas, naturalmente. Voltando ao tema de diminuir itens, tudo que eu deixei em casa talvez vestiria umas três outras pessoas. Coisas que até então eram tidas como essenciais para mim, porém hoje, pela necessidade ou opção, não me fazem a mínima falta.
A respeito dos moluscos gastrópodes, eles são meu último objeto de admiração. Às vezes viajo tornando coisas corriqueiras em descobertas super interessantes e o fato de imaginá-los com tanta mobilidade me inspira a copiar os pequenos animais e aprender com eles a livrar-me do que não é essencial à minha existência e permanência terrena.
Concluindo, caso tenha despertado curiosidade, meu aparato na ida à Argentina se resumia à 2 calças, 1 bermuda, 7 camisas, 7 cuecas, 7 pares de meia, 1 casaco, 1 gorro, 1 par de tênis e 1 de sandálias. Experiência interessante. Segudo a Procter & Gamble e a Aerolineas Argentinas, isso dá mais ou menos 12kg fora o peso da mochila. Vale a pena tentar, sobretudo para minhas infrequentes leitoras, em sua maioria frescas, que desmobilizam sem muita dificuldade 30kg de roupas para se enfeitar rumo à faculdade...
Brincadeiras a parte, espero voltar a escrever com uma freqüência maior que bimestralmente nesse blog de idas e vindas... Instável como o mundo, instável como o balanço do pra lá e pra cá.

Friday, March 25, 2005

1,585m

1,585m

Ele amava pele
Gosto toque cheiro
Perfume dentro e fora
Frasco de um metro e cinqüenta e oito e meio

Forma de concha
Linda dormindo
Linda só de olhar
Cheiro de pele quando dorme
Cheirar tocar passar

Pra ti

Recito bem baixinho
Amiga amante cheiro de pele
Única
Num frasco de um metro e cinqüenta e oito e meio

Thursday, March 17, 2005

Antes fosse

Antes fosse...

Leveza
Graça
Amor Vadio

Paixão de araque
Viver de passado
Melhor sem você

Vem e fica
Dói mas passa
Adeus sua graça
Adeus minha paz

Era feliz sem te conhecer
Era mais eu
Sem você

Sunday, February 20, 2005

Mar Adentro

Seria bom ter opinião formada sobre tudo. De repente seria mais simples se posicionar sempre para assim entender o mundo. A dúvida limita e o conhecimento liberta.Por outro lado, é ótimo não ter opinião sobre zilhões de coisas, não se comprometer nem se prender ao que foi dito ¿ algo muito comum na vida política.
A polêmica é interessante pelas diversas maneiras como se pode encara-la. E em se tratando dela, vale a pena ver ´Mar Adentro´ um dos concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro, que fala sobre a eutanásia e o suposto direito que os indivíduos têm de decidirem sobre a própria vida. Em linhas gerais, o protagonista foi mergulhador na juventude até que ficou tetraplégico em um acidente no mar. Desde então, comparada com sua vida anterior, era preferível morrer a viver atado à uma cama.
Além da bela fotografia, o filme é fiel em explorar os dois lados da eutanásia, uma imparcialidade não tão comum no cinema atual.
Mudar de opinião não é feio, talvez até melhor do que não ter nenhuma. Difícil às vezes é escolher.

Tuesday, February 01, 2005

A era do administrador - Stephen Kanitz

Tá na Veja dessa semana (02-08/01). Não é exatamente supervalorizando a profissão, mas convém ouvir o que ele tem a dizer, afinal ele sabe muito.

----------------------------------------------------------
A era do administrador - Stephen Kanitz

"Em 2006, o candidato da oposição que
demonstrar boa capacidade gerencial será
um forte candidato à sucessão de Lula"


Por que os Estados Unidos são o país mais bem-sucedido do mundo?
Porque são um país que resolveu o problema da miséria e da estagnação
econômica, ao contrário do Brasil?

O segredo americano, e que você jamais encontrará em nenhum livro de
economia, é que os Estados Unidos são um país bem administrado, um
país administrado por profissionais.

Dezenove por cento dos graduados de universidades americanas são
formados em administração. Administração é a profissão mais
freqüente, e portanto a que dá o tom ao resto da nação.

Infelizmente, o Brasil nunca foi bem administrado. Sempre fomos
administrados por profissionais de outras áreas, desde nossas
empresas até o governo. Até recentemente, tínhamos somente quatro
cursos de pós-graduação em administração, um absurdo!

De 1832 a 1964 a profissão mais freqüente no Brasil era a de
advogado, e foi essa a profissão que exerceu a maior influência no
país, tanto que nos deu a maioria de nossos presidentes até 1964. A
revolução de 1964 acabou com a era do advogado e a legalidade, e
tivemos a era do economista, que perdura até hoje.

Nos próximos dez anos isso lentamente mudará. O Brasil já tem 2.300
cursos de administração, contra 350 em 1994. Estamos logo depois dos
Estados Unidos e da Índia.

Administração já é hoje a profissão mais freqüente deste país, com
18% dos formandos. Antes, nossos gênios escolhiam medicina, direito e
engenharia. Agora escolhem medicina, administração e direito, nessa
ordem.

Há dez anos tínhamos apenas 200.000 administradores, e só 5% das
empresas contavam com um profissional para tocá-las. O resto era
dirigido por "empresários" que aprendiam administração no tapa. Por
isso, até hoje 50% das empresas brasileiras quebram nos dois
primeiros anos e metade de nosso capital inicial vira pó.

O que o aumento da participação dos administradores na gestão das
empresas significará para o Brasil? Uma nova era muito promissora.
Finalmente seremos administrados por profissionais, e não por
amadores. Daqui para a frente, 75% das empresas não quebrarão nos
primeiros quatro anos de vida, e nossos investimentos gerarão
empregos, e não falências.

Em 2010, teremos 2 milhões de administradores formados, e se cada um
empregar vinte pessoas haverá 40 milhões de empregos novos. Será o
fim da exclusão social.

Administradores nunca foram ouvidos por políticos e deputados nem
concorriam a cargos públicos. Em 2010, é muito provável que teremos
nosso primeiro presidente da República formado em administração. Por
incrível que pareça, nunca tivemos um executivo no Executivo.

Muitos de nossos ministros e governantes aprendiam administração no
próprio cargo, errando a um custo social imenso para a nação. Foi-se
o tempo em que o mundo era simples e não havia necessidade de ter um
curso de administração para ser um bom administrador.

Em 2006, o candidato da oposição que demonstrar boa capacidade
gerencial será um forte candidato à sucessão de Lula. João Paulo
Cunha, do PT, já o alertou de que, "se houver um bom administrador,
ele conquistará o eleitorado da periferia".

Não quero exagerar a importância dos administradores, mas somente
lembrar que eles são o elo que faltava. Ordem não gera progresso,
estabilidade econômica não gera crescimento de forma espontânea,
sempre há a necessidade de um catalisador.

Não será uma transição fácil, pois as classes dominantes não aceitam
dividir o poder que têm. Há muita gente interessada em manter essa
bagunça e desorganização, como vivem denunciando Luiz Nassif, Arnaldo
Jabor e José Simão. Gente que é contra supervisão, eficiência e
organização.

Administradores têm pouco espaço na imprensa para defender suas
idéias e soluções. Em pleno século XXI, sou um dos raros
administradores com uma coluna na grande imprensa brasileira, e mesmo
assim mensal. Peter Drucker há quarenta anos tem uma coluna semanal
em dezenas de jornais americanos, ele e mais trinta gurus da
administração.

Administradores têm outra forma de encarar o mundo. Eles lutam para
criar a riqueza que ainda não temos. Economistas e intelectuais lutam
para distribuir a pouca riqueza que conseguimos criar, o que só tem
gerado mais impostos e mais pobreza.

Se esses 2 milhões de jovens administradores que vêm por aí ocuparem
o espaço político que merecem, seremos finalmente um país bem
administrado, com 500 anos de atraso. Desejo a todos coragem e boa
sorte.


Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)

Monday, January 17, 2005

Bezerra da Silva

Uma das grandes verdades é a de que a história se repete. Hoje morreu Bezerra da Silva, um dos grandes ícones do samba e influência de muitos integrantes da MPB ¿ sambistas ou não. Pernambucano, Bezerra era o espírito da malandragem, termo que se até se mistura com sua própria carreira, porém não vou falar exatamente de sua biografia. Aos que se interessem por sua trajetória, vale a pena olhar http://www.samba-choro.com.br/artistas/bezerradasilva e http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/bezerra-da-silva.asp .
Infelizmente aposto que o defunto Bezerra fará a mesma trajetória de grandes brasileiros, músicos ou não, que passaram suas vidas à margem da mídia para só então se tornarem cult e venerados pela cultura pop: Cartola, Noel Rosa, Ernestro Nazareth, Jackson do Pandeiro. Coincidência ou não, todos representavam mais ou menos o mesmo estilo de música, e, regra geral, eram consumidos pela mesma camada social. Post mortem, contudo, foram alçados à fama algo que nem de longe tiveram em vida. Um fenômeno Van Gogh à brasileira.
Por outro lado uns podem dizer que a mídia está aí pra ganhar dinheiro e não pra divulgar a cultura popular, correto. Porém a nação brasileira vem perdendo seus ¿futuros ícones pops¿.Aonde chegaremos, não sei, mas até lá muitos bezerras, franciscos, josés, antônios o ostracismo midiático em detrimento de um arremedo de cultura importada.
É no mínimo interessante como a morte, algo tido como ruim, romantiza e endeusa quem ¿ficou na geladeira¿ por anos a fio. A mídia faz seu papel em colocar o que devemos consumir. A sociedade, principalmente jovem, vem repetindo comportamentos elitistas frente à cultura popular... Em uma sociedade branca, música de preto tem que morrer pra fazer sucesso.

Saturday, January 01, 2005

Orkut I

Escrevi esse texto ontem para colocar como minha descrição no Orkut:

Acredito em Deus com todas as minhas forças e amo muito minha família. Com um pouco menos de força, porém ainda forte, acredito em amizade verdadeira, livre comércio, amor à primeira vista, no potencial de cada um e na capacidade que temos de mudar o mundo. Não acredito em coisas grátis, fórmulas mirabolantes, tarot e tudo que for esotérico, sucesso sem dedicação, sexo sem amor e amor sem paixão. Não gosto muito das minhas poesias, mas também não jogo fora nem deixo de escrever. Dizem que sou muito capitalista, apenas voto na direita, acredito na livre iniciativa e não sou chegado à idéias comunistas e vermelhas, embora tenha votado em Lula. Cozinho desde muito tempo e acho que tenho me aprimorado, mas nunca tive coragem de levar isso como carreira embora muitos já tenham me recomendado. Crio receitas inusitadas, mas nunca anoto nada. Na verdade, nunca gostei de anotar nada. Se pudesse só beberia vinho o resto da vida, até já fiz um curso, porém ainda me sinto principiante. Basicamente me sinto principiante em tudo que fiz na vida. Às vezes isso me angustia, mas tento sempre ver por outro lado. Já dormi no chão, em posto de gasolina, na porta de casa. Fora as comuns, já peguei carona em caminhão-pipa, trator e carroça. Umas vezes por necessidade, outras por curtição. Às vezes me acho aventureiro, mas sempre medindo os riscos, ou seja, sou mais ou menos aventureiro. Pra mim risco não se teme, calcula. Acertei em escolher Administração e depois me formar, mesmo tendo pensando em fazer Arquitetura, Odonto e Direito.Tirando a universidade, por onde passei fui um aluno meio indisciplinado, porém já encontrei uma corrente pedagógica que explica minha relação com a escola e talvez daqui a uns 50 anos elas tratem melhor as crianças ditas mal-comportadas. Durmo com facilidade e ao volante já foram 3x. Depois de festas ligo de madrugada para os meus amigos, porém, por motivos óbvios, poucos atendem. Sou felizardo por tê-los, mas também tenho muitos distantes com os quais tenho carinho enorme. Sou um péssimo contador de piadas, já começo a rir antes de contar principalmente se for a do ipi-ipi-urra. Poucas coisas me tiram do sério, afinal não há por quê stress se o fim é a morte.