Tuesday, August 17, 2004

A fauna vai à tevê

A boa de hoje até outubro na televisão brasileira não será João Kleber, Clodovil ou mesmo Casseta & Planeta. Estamos à beira de ver toda a fauna brasileira, o que há de mais trash e sem noção, nas telas às terças, quintas e sábados: o horário eleitoral gratuito para os vereadores.Confesso que assisto televisão raramente, mas perder essa verborragia nem pensar. Hoje, por exemplo, pude ver alguns dos candidatos a câmara e suas propostas. Esse será meu compromisso pós-almoço durante o período eleitoral.
Sem contar com o já batido ¿FORA ALCA, FORA FMI, FORA LULA¿, a pérola do dia foi um candidato que ¿se eleito acabarei com o desemprego construindo sanitários públicos e colocando dois guardas municipais para tomar conta¿. Segundo minha avó, é por isso que ele não ganha: Deus não dá asa à cobra.
Em contrapartida, vê-se as fórmulas gastas e idéias re-re-re-re-visitadas de toda campanha eleitoral. Sou taxativo em dizer que nosso processo democrático é fajuto na medida em que o poder econômico supera a real intenção de votar ideologicamente em alguém. Como já disse no post da Radiobrás, quem elege esses que estão nas câmaras, assembléias e senado, não é a classe média politizada, porém a classe cuja ¿ajuda¿ do político padrinho vem suprir a necessidade que o Estado, tocado pelo mesmo político, não atinge.
Não quero dizer que todos políticos são corruptos, nem acho que as alianças estejam erradas. Não culpo Lula por se aliar a Sarney ou mesmo ao deputado do PC do B ter votado a favor da reforma da previdência. Coerência é fundamental e com vistas a isso o Diário de Natal em sua edição de 15/08/2004 perguntou ao presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte o que ele achava do registro em cartório de promessas de campanhas. Respeito sua posição contrária ao tema, mas continuo me questionando onde está a coerência política.
É imperativo que nesse momento eleitoral, nós, isentos da influência do poder econômico para votar , tentemos incutir naqueles que nos cercam o real motivo de vivermos uma democracia: o povo poder escolher em quem se vota. Se o povo não é independente para escolher, a democracia é falha.
Para mim, é pura diversão ver os vereadores no ¿horário eleitoral gratuito de acordo com a lei 9504/97¿, porém é duro saber que boa parte daquilo não passa de falácias e que a necessidade, e não ideal democrático, irá decidir mais uma eleição.

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