Friday, December 10, 2004

Ângulos

Sinceramente me encanta a forma quase mágica que as pessoas têm de ver as coisas por diferentes pontos de vista. Discurso democrático e petista à parte, somente o fato de ouvir e muitas vezes entender outras perspectivas sobre o mesmo assunto, enriquece e no caso dos meus textos, motiva. A referência ao PT aí acima foi só para lembrar que depois vou terminar um texto que fala de política, um tema que evito abordar e até mesmo emitir opinião unicamente porque toda vez que opino me sinto enfiado em meio a vermelhos e termino pichado de neoliberal, sem falar nos destemperos que vez por outra rolam.
Um dos pontos positivos de um bom blog e de todo meio de comunicação unilateral (a aula por exemplo, que é, talvez, o supra-sumo da antidemocracia, afinal só o professor fala e a própria turma, muitas vezes, cria um clima de constrangimento e auto-reprovação que só reforçam o caráter unilateral da comunicação) é a possibilidade de exprimir qualquer tipo de opinião sem oferecer-se ao risco da censura direta ou pelo menos imediata. Por ser unilateral e democrático, vem aqui quem quer, lê o que se passa aqui quem assim optou sem é claro ter a possibilidade ou mesmo o recurso direto de exprimir-se de volta. Continuo sendo democrático, mas encaro isso como sendo positivo afinal dá isenção a quem escreve, até porque ninguém é obrigado a continuar lendo.
Entretanto, esse caráter unilateral, no meu caso pelo menos, tem sido prejudicial ultimamente. De tão unilateral, tenho tido um critério muitíssimo elevado antes de publicar qualquer texto meu. Obviamente eles não agradam a todos e de fato por ser unilateral, talvez eu nem devesse me preocupar com isso. Mas acabo me encucando com o que digito e no final enrolo enrolo enrolo e não mando nada pra frente.
Nessa luta de publico X não-publico, há dias em que estou mais a fim de colocar pra frente o que produzi e ao publicar, recebo comentários de interpretações que nunca passaram, ou talvez passariam, pela minha cabeça. Esse texto vai ao ar como se fosse um espelho, não para que eu me veja, mas para que venha outro espelho, e então, com sua nova imagem, me mostre algo que não vi.

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