Friday, July 30, 2004

Nostalgia

Nostalgia

¿Saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado¿ segundo Houaiss.

Tenho estado um tanto nostálgico desde que voltei Brasília, a capital federal. Não pela cidade, que mesmo sem praia me pareceu bastante agradável, nem pela maestria de sua arquitetura tampouco por lá ser o centro do poder nacional. Em Brasília tive oportunidade de conhecer pessoas incríveis as quais deixaram marcas em mim, em somente uma semana de convivência. Deixe-me introduzir-lhe primeiramente o motivo pelo qual fui ao planalto central.
Fui participar do AMUN ¿ Américas Model United Nations que é uma simulação de uma assembléia geral da ONU. Lá, estudantes fingem ser diplomatas e negociam os interesses de seus países assim como é feito nas Nações Unidas de verdade. O objetivo disso tudo é recriar a atmosfera da ONU para que os estudantes possam aprender mais sobre relações internacionais, política externa e cultura ¿ tanto do país que representam como dos outros. Confesso que a primeira vez que ouvi a definição achei que era uma espécie de jogo babaca para quem não tem o que fazer. Pelo contrário, lá percebi que o AMUN além de ser uma ferramenta de aprendizado das melhores, é uma forma bem interessante de conhecer gente de todo o Brasil em torno de um interesse mútuo que são as relações internacionais.
Olhando o que vivi, percebi como que em uma semana somente, Diego, por exemplo, passou de um mero desconhecido a alguém pelo qual eu tenho grande consideração. Cito seu nome por ter sido o amigo que fiz em menos tempo em minha vida ¿ um segundo irmão. Me questiono porque as coisas acontecem assim de repente e sem motivo aparente. Durante essa semana, uma avalanche de sensações tomou conta de mim: medo de falar em público, satisfação por conhecer novas pessoas, raiva por não conseguir atingir perfeitamente os objetivos do país que representava - Egito, ansiedade por saber que tudo aquilo ia passar, e, por fim, a saudade que se instala sem ser chamada. Para completar, só faltava me apaixonar (algo não tão raro em eventos assim) , mas isso já seria demais em uma semana, pelo menos pra mim. Porém, a paixão (sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão) pelo AMUN, pelas simulações de maneira geral (SOI, UFRGSMUN, MONU, TEMAS) acaba tomando conta de uns de tal forma que, conforme Houaiss, acaba-se por perder a razão.
Durante essa semana, então, vivi intensamente. Além de ter podido conhecer mais profundamente pessoas da minha universidade ¿ até ali os conhecia apenas de vista, pude conhecer também pessoas que em parte mudaram minha vida. De volta à Natal, a nostalgia tomou lugar.Mas, fugindo um pouco da minha realidade, como estudante ou como representante do Egito, quantos AMUNs temos na vida? Porque sentimos saudades daquilo que nos dá saudade?
Respondendo em parte a pergunta, talvez me sinta nostálgico assim porque estou me formando agora e de alguma forma sei o que me espera ao sair da faculdade. Seria uma espécie de pré-nostalgia ou até mesmo saudade daquilo que sei que irei sentir falta no futuro unicamente porque a realidade será outra. O que importa, ao final desse primeiro texto, é compartilhar com vocês como a vida nos ensina lições de onde menos esperamos ¿ as pessoas nos marcam não importa o tempo nem a as circunstâncias.


P.S. Instalei o Houaiss essa semana no meu PC e desde então tenho estado viciado nele.

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