Calmamente tomando um scotch em um badalado evento na capital baiana, dia desses, comecei a reparar nos antigos salgadinhos, hoje finger food, que serviam para acompanhar a bebedeira. Com nomes em inglês, francês e japonês, os comensais se jogavam em cima de acepipes que em nada lembram as festas de antigamente. A bem da verdade, como diria uma figura ímpar, "antigamente eu era criança", mas não é preciso voltar muito tempo não. Há 10 anos, por exemplo, o que acompanhava qualquer recepção eram coxinhas, empadinhas e quibes (ou kibes, sei lá). Hoje, os antigos salgadinhos ditos "de massa" ocupam posição inferior em qualquer comilança metida à chique.
O discurso nutricional é de que as coxinhas (aqui representando toda sua classe) são cheias de gorduras trans e de baixo valor nutricional. Pois sim, até parece que o quiche de kani é light-super-diet. A título de informação, qualquer massa de empada, quiche ou coisa que o valha é pura manteiga+farinha.
Dentre os acepipes havia um mini-ravioli frio de pato, carrot de bacalhau (uma lâmina de cenoura enrolada sobre uma saladinha de bacalhau) e o resto eu não lembro afinal já devia ir pelo quarto whiskey... O bom de tudo é que os garçons fazem um marketing absurdo da finger food que até parece que vão lhe vender aquilo... A certa altura, aproveitando o salamaleque de um deles, puxei pro canto e disse:
- Companheiro, e as coxinhas?
- Senhor, infelizmente não trabalhamos com coxinhas.
- Como assim, mataram as coxinhas?!
Ele riu, achou que eu fosse apenas mais um convidado ébrio e desconversou. Não vou mentir que a questão terminou aí. A verdade é que ela ficou martelando em minha cabeça durante muito tempo até que finalmente comi um confit de não sei o quê (ah, convém dizer que esse povo mata o francês, tornando ridícula a cena de quererem soar descolados) e terminei sendo gastronomicamente cúmplice na matança desses ícones da "tradicional mesa da família brasileira".
Por fim não teve jeito. Não providenciaram minhas coxinhas, risóles ou empadinhas. Pedir brigadeiro ou cajuzinho seria motivo de escárnio entre os que, segundo famoso colunista potiguar, "são, querem ser ou não são". Daqui a algum tempo, teremos festas flashback cujo cardápio será exatamente coxinhas, empadinhas e kibes. Os mais brasileiros dos salgadinhos, os quais alimentaram gerações a despeito de qualquer furor médico, hoje são taxados de bregas, oleosos e engordativos. O quente, ou melhor hot, atualmente, é engordar em francês, afinal gordinho gaulês é mais chique que gordinho baiano.
O discurso nutricional é de que as coxinhas (aqui representando toda sua classe) são cheias de gorduras trans e de baixo valor nutricional. Pois sim, até parece que o quiche de kani é light-super-diet. A título de informação, qualquer massa de empada, quiche ou coisa que o valha é pura manteiga+farinha.
Dentre os acepipes havia um mini-ravioli frio de pato, carrot de bacalhau (uma lâmina de cenoura enrolada sobre uma saladinha de bacalhau) e o resto eu não lembro afinal já devia ir pelo quarto whiskey... O bom de tudo é que os garçons fazem um marketing absurdo da finger food que até parece que vão lhe vender aquilo... A certa altura, aproveitando o salamaleque de um deles, puxei pro canto e disse:
- Companheiro, e as coxinhas?
- Senhor, infelizmente não trabalhamos com coxinhas.
- Como assim, mataram as coxinhas?!
Ele riu, achou que eu fosse apenas mais um convidado ébrio e desconversou. Não vou mentir que a questão terminou aí. A verdade é que ela ficou martelando em minha cabeça durante muito tempo até que finalmente comi um confit de não sei o quê (ah, convém dizer que esse povo mata o francês, tornando ridícula a cena de quererem soar descolados) e terminei sendo gastronomicamente cúmplice na matança desses ícones da "tradicional mesa da família brasileira".
Por fim não teve jeito. Não providenciaram minhas coxinhas, risóles ou empadinhas. Pedir brigadeiro ou cajuzinho seria motivo de escárnio entre os que, segundo famoso colunista potiguar, "são, querem ser ou não são". Daqui a algum tempo, teremos festas flashback cujo cardápio será exatamente coxinhas, empadinhas e kibes. Os mais brasileiros dos salgadinhos, os quais alimentaram gerações a despeito de qualquer furor médico, hoje são taxados de bregas, oleosos e engordativos. O quente, ou melhor hot, atualmente, é engordar em francês, afinal gordinho gaulês é mais chique que gordinho baiano.
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