Não tenho certeza, mas alguma vertente da ciência psicológica deve explicar a relação que temos com os hábitos dos nossos pais. Não me refiro a aspectos de personalidade. Falo das atitudes do dia-a-dia, as corriqueiras, assim como lavar a louça de luva, limpar o ouvido com palito de dente ou simplesmente fazer suco de laranja com a fruta gelada. Ao meu ver, isso não é personalidade, porém causa uma influência enorme sobre as pessoas.
Fazendo coro ao que Elis disse uma vez "... ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...", hoje de manhã vesti uma sunga assim que acordei. Preciso enfatizar esse "assim que acordei" para o bom do transcorrer do texto: levantei e caí dentro da sunga. Fui tão rápido, ágil e direto que nem Clodoaldo Silva, com seus milênios de sunga sobre todos nós, entraria na tanga, como diz vovó, antes que eu. Discutindo então comigo mesmo o papel da sunga na sociedade, fui levado à conclusão de que roupa de banho é para ser usada ou em piscina ou na praia. Não há escapatória. Beleza, mas quem disse que vou à praia hoje? Tirando o verão, quantas vezes ao ano ponho os pés na areia? Esse sábado, 01 de setembro de 2007, após já 2/3 de ano, acordei com muitas dúvidas e a culpa toda é da sunga. Por que danado eu fui vestir uma sunga em dia nublado aqui em Salvador?
Fiz força para percorrer as quilométricas cerâmicas que separam a cozinha do quarto em um apartamento de 56 m². De sunga e arrastando os pés, tomei um copo d'água, peguei um lápis e comecei a escrever a programação do último dia da semana:
Rapidamente,parei e pensei: - Rapaz, tô igual a meus pais.
Fazendo a matemática, tire aí uns 30 anos e alguns centrímetros de circunferência abdominal, estou vendo a mesma cena de muitos sábados quando ainda morava em Natal. Lembro bem das vezes que meu pai usava sunga e não ia prá praia. Podia fazer sol, chuva ou até remotamente nevar na capital potiguar, mas lá estava ele de sunga dentro de casa.
Elis estava certa, foi então o que pensei. É, mas e as listinhas? Imagine algo que me perseguiu a vida inteira foram as listas, anotações, bilhetes... Eca! Nunca gostei de anotar nada... Até morar só e começar a esquecer do que comer, beber, vestir, comprar e fazer na rua... Rendi-me às listinhas ridículas (mas úteis) as quais abominei durante toda minha existência. Essa é a nuance maternal nesse sábado nublado em Salvador, de sunga e anotando os afazeres numa listinha. Ah, e com um lápis de pau na mão. Conheço poucas pessoas que ainda os utilize, mas no momento lembro só de duas: eu e minha mãe.
Fazendo coro ao que Elis disse uma vez "... ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...", hoje de manhã vesti uma sunga assim que acordei. Preciso enfatizar esse "assim que acordei" para o bom do transcorrer do texto: levantei e caí dentro da sunga. Fui tão rápido, ágil e direto que nem Clodoaldo Silva, com seus milênios de sunga sobre todos nós, entraria na tanga, como diz vovó, antes que eu. Discutindo então comigo mesmo o papel da sunga na sociedade, fui levado à conclusão de que roupa de banho é para ser usada ou em piscina ou na praia. Não há escapatória. Beleza, mas quem disse que vou à praia hoje? Tirando o verão, quantas vezes ao ano ponho os pés na areia? Esse sábado, 01 de setembro de 2007, após já 2/3 de ano, acordei com muitas dúvidas e a culpa toda é da sunga. Por que danado eu fui vestir uma sunga em dia nublado aqui em Salvador?
Fiz força para percorrer as quilométricas cerâmicas que separam a cozinha do quarto em um apartamento de 56 m². De sunga e arrastando os pés, tomei um copo d'água, peguei um lápis e comecei a escrever a programação do último dia da semana:
- oficina
- academia
- lavanderia
- supermercado
Rapidamente,parei e pensei: - Rapaz, tô igual a meus pais.
Fazendo a matemática, tire aí uns 30 anos e alguns centrímetros de circunferência abdominal, estou vendo a mesma cena de muitos sábados quando ainda morava em Natal. Lembro bem das vezes que meu pai usava sunga e não ia prá praia. Podia fazer sol, chuva ou até remotamente nevar na capital potiguar, mas lá estava ele de sunga dentro de casa.
Elis estava certa, foi então o que pensei. É, mas e as listinhas? Imagine algo que me perseguiu a vida inteira foram as listas, anotações, bilhetes... Eca! Nunca gostei de anotar nada... Até morar só e começar a esquecer do que comer, beber, vestir, comprar e fazer na rua... Rendi-me às listinhas ridículas (mas úteis) as quais abominei durante toda minha existência. Essa é a nuance maternal nesse sábado nublado em Salvador, de sunga e anotando os afazeres numa listinha. Ah, e com um lápis de pau na mão. Conheço poucas pessoas que ainda os utilize, mas no momento lembro só de duas: eu e minha mãe.
2 comments:
Hmmm, sabe qual foi a minha programação de ontem:
a) oficina
b) lavanderia
c) livraria
d) Café Santa Clara...
Qualquer semelhança NÃO haverá sido mera coincidência! kkkk
Ah, e hoje, domingo, estou organizando a listinha dos afazeres da semana, com "lápis comum", daqueles que tem uma borrachinha rosa em cima.
É isso...
Bjs!
Boa, boa..
Lembrei bem da época em que morei só. A gente acaba adquirindo os hábitos do que a gente tem referência dentro de casa.. Não tem como negar mesmo, influência pura.
Isso tudo é o reflexo da saudade, da comodidade que temos quando moramos com painho e mainha.. =)
Se uma dia vc voltar, vai lembrar sorrindo de todas essas coisinhas...
Tenho um caderninho que anotava os episódios mais engraçados que passei, coisas do tipo... nunca tinha feito na vida. Hoje em dia leio reconhecendo o quanto contribuiu para eu valorizar certas coisas.
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