Friday, February 02, 2007

Visitas II – Presença


Geralmente as visitas quando chegam à casa de alguém são todas melindradas, certinhas e educadas. Eu não fujo desse perfil. Toda novidade, a princípio pelo menos, tende a ser encarada com maior naturalidade à medida que o tempo passa.

Com as quatro jovens que fiz referência abaixo (Visitas I – Olhares), não tem sido diferente. De uma muralha em torno de bons-costumes-travados pode-se perceber ao longo da convivência como são os hábitos de cada uma. Talvez daí derive a frase de que “intimidade é uma merda”.

De calcinha espalhada à areia no box, toalha molhada no sofá e sair deixando a porta aberta, ocorreu-me muito. Há que se estar preparado para isso ao receber alguém, e agora entendo, quando dizem que visita é igual a peixe que passados dois dias começa a feder. Antes de tudo, não estou falando pelas costas das hóspedes. Apenas tento constatar na prática algumas verdades que há muito vêm sendo ditas.

Se tivesse que enumerar um das características que mais admiro é a flexibilidade. Evito quanto possível escrever sobre contemporaneidade por medo de cair nos chavões de globalização e modernidade, contudo saber adaptar-se as nuances que a vida mostra é um bom começo para sermos pessoas melhores. Conheço pessoas mais e menos flexíveis que eu, porém é sempre bom exercitar esse lado e tentar pegar o ponto de vista do outro. Já abordei esse tema por aqui, mas sempre me pego questionando-me a respeito de quanto falta para chegar ao modelo de gente busco ser. Gostaria de saber viver com pouco, contentar-me com menos ainda e rir quando tudo indica o contrário.

Com o já gasto bordão de “ninguém é igual a ninguém”, pode-se perceber que diversas histórias de vida são postas lado a lado por dias (dependendo do caso até horas). A maneira como caminhos se cruzam, e nesse caso específico, possivelmente apenas uma vez, apresenta-se como uma oportunidade ímpar de conviver com hábitos únicos e a partir deles conseguir chegar no parâmetro que se espera de si mesmo.

Para finalizar, ser flexível com os outros é saber ser tolerante consigo mesmo. Em última análise, é sobre si que recai o benefício de engolir um sapo aqui ou ali. E com algum exercício, pode-se rir muito deles e não achar que estamos engolindo algum.

Bem, podem dizer que essa minha conclusão está no estilo morde-e-sopra, no entanto a maneira como se vê a vida altera a forma como nos percebemos no meio. Acho que não expliquei melhor, mas ontem mesmo disseram que meus textos são confusos. A partir de hoje tentarei fazer mais sentido. De toda maneira, as entrelinhas do que escrevo – já percebi – falam talvez mais do que está no “papel” e só entrando na cabeça de quem escreve para depreender todo seu raciocínio.

Divagações à parte, é impagável a cena de acordar e ver minha sala cheia de mulher.

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