Como ficará perceptível ao longo dos próximos textos, não sou um turista muito urbano: as cidades, no geral, não me interessam tanto quanto à natureza e o interior. Óbvio que existem cidades que fogem da média e merecem uma visita, entretanto historicamente tenho preferido ares mais locais que cosmopolitas.
Infelizmente, Santa Cruz de la Sierra não tem a nem b. Nem é cosmopolita nem guarda ares de interior. Maior cidade da Bolívia, Santa Cruz tem área mais ou menos similar à de Belo Horizonte e encerra-se aí. Sem maiores atrativos turísticos. Dizem, contudo, que é uma cidade de negócios porém desconheço sua economia principal.
Houve, porém, algo que me chamou bastante atenção: o valor do dinheiro. Santa Cruz é tida como uma das cidades mais caras da Bolívia e para minha surpresa meu dinheiro ali valeu muito. Passei dois dias com um orçamento de US$15/dia. Quinze dólares equivalem a mais ou menos 120 bolivianos.
Enveredando pela gastronomia, comi uma milanesa (bife à parmegianna) em um trailer de praça. Com arroz, batata frita e uma coca-cola saiu por apenas 18 bolivianos (US$2,25). O mais interessante disso foi criar coragem de comer, afinal segurança alimentar na Bolívia é um tema que deve ser levado muito a sério. Talvez merecesse um único texto. Vai aqui uma sugestão aplicável, imagino, a casos onde não exista alimentação aparentemente segura mas onde ainda assim seja necessário fazer uma opção: chegando ao trailer fiquei uns dez minutos só olhando quem eram as figuras que ali comiam. Tinha de tudo, desde trabalhador a família saindo da igreja. Pensei com meus botões "comida de classe média". Ótimo. Era o que precisava para encarar as mesas sebentas e o garçom de unha preta.
Os talheres (Tramontina, lógico) eram engordurados. Para meu espanto, não tinha prato. A comida veio em uma tábua de carne já bastante gasta. Ora, quem cozinha sabe que essas tábuas são terríveis de limpar, imagine então em um trailer de praça com alta rotatividade. Sem dúvida ali existiam resíduos de outros clientes. Confesso que pensei em desistir, mas até então eu já tinha percebido que alimentar-se ali seria encarar certos preconceitos.
O sabor, textura, temperatura e acompanhamentos estavam incríveis. A coca-cola (sem gelo, afinal possivelmente eles não usam água filtrada para isso) estava geladíssima e paradoxalmente, foi bom sentir um sabor doméstico. O camarada ofereceu uma sobremesa que preferi não encarar. Já no retorno para "casa" tomei um ônibus que facilmente era da década de cinqüenta. Por algum motivo, lembrei da Família Buscapé. Paguei 1 boliviano ou o equivalente a R$0,25 e retornei para casa. Barriga cheia, mas 436 pulgas atrás da orelha.
Não acho que ganhei nenhum verme em minha viagem. Pelo contrário, suponho estar mais bem preparado para encarar comida de rua. Em todo caso, se seu objetivo for passear, pule Santa Cruz de la Sierra. Milanesas têm em toda Bolívia.
P.S. Não, não foi essa milanesa que me fez passar mal. Mais na frente eu conto essa passagem.
Infelizmente, Santa Cruz de la Sierra não tem a nem b. Nem é cosmopolita nem guarda ares de interior. Maior cidade da Bolívia, Santa Cruz tem área mais ou menos similar à de Belo Horizonte e encerra-se aí. Sem maiores atrativos turísticos. Dizem, contudo, que é uma cidade de negócios porém desconheço sua economia principal.
Houve, porém, algo que me chamou bastante atenção: o valor do dinheiro. Santa Cruz é tida como uma das cidades mais caras da Bolívia e para minha surpresa meu dinheiro ali valeu muito. Passei dois dias com um orçamento de US$15/dia. Quinze dólares equivalem a mais ou menos 120 bolivianos.
Enveredando pela gastronomia, comi uma milanesa (bife à parmegianna) em um trailer de praça. Com arroz, batata frita e uma coca-cola saiu por apenas 18 bolivianos (US$2,25). O mais interessante disso foi criar coragem de comer, afinal segurança alimentar na Bolívia é um tema que deve ser levado muito a sério. Talvez merecesse um único texto. Vai aqui uma sugestão aplicável, imagino, a casos onde não exista alimentação aparentemente segura mas onde ainda assim seja necessário fazer uma opção: chegando ao trailer fiquei uns dez minutos só olhando quem eram as figuras que ali comiam. Tinha de tudo, desde trabalhador a família saindo da igreja. Pensei com meus botões "comida de classe média". Ótimo. Era o que precisava para encarar as mesas sebentas e o garçom de unha preta.
Os talheres (Tramontina, lógico) eram engordurados. Para meu espanto, não tinha prato. A comida veio em uma tábua de carne já bastante gasta. Ora, quem cozinha sabe que essas tábuas são terríveis de limpar, imagine então em um trailer de praça com alta rotatividade. Sem dúvida ali existiam resíduos de outros clientes. Confesso que pensei em desistir, mas até então eu já tinha percebido que alimentar-se ali seria encarar certos preconceitos.
O sabor, textura, temperatura e acompanhamentos estavam incríveis. A coca-cola (sem gelo, afinal possivelmente eles não usam água filtrada para isso) estava geladíssima e paradoxalmente, foi bom sentir um sabor doméstico. O camarada ofereceu uma sobremesa que preferi não encarar. Já no retorno para "casa" tomei um ônibus que facilmente era da década de cinqüenta. Por algum motivo, lembrei da Família Buscapé. Paguei 1 boliviano ou o equivalente a R$0,25 e retornei para casa. Barriga cheia, mas 436 pulgas atrás da orelha.
Não acho que ganhei nenhum verme em minha viagem. Pelo contrário, suponho estar mais bem preparado para encarar comida de rua. Em todo caso, se seu objetivo for passear, pule Santa Cruz de la Sierra. Milanesas têm em toda Bolívia.
P.S. Não, não foi essa milanesa que me fez passar mal. Mais na frente eu conto essa passagem.
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