Saturday, July 21, 2007

Férias I - Introdução

Idealmente férias seriam momentos de relaxamento, paz, tranquilidade, época de descobrir o novo, gastar dinheiro, beber, comer e acima de tudo divertir-se. Em parte, sim.

Aos muitos que andaram perguntando sobre minhas últimas férias onde passei 16 dias entre Bolívia e Peru, tenho um agrado: começo hoje a relatar esses dias que renderiam facilmente um livro, mas vou resumir em mais ou menos dez textos.

Meus programas não são de índio. Antes que você chegue ao final e pense isso, desde já adianto que a diversão é sempre presente, embora, óbvio, existam contratempos aqui ou ali.

Durante esses últimos dezesseis dias, caminhei 85km, acampei três noites, subi a 4700 e desci a 1200m, cumpri uma promessa de ver Machu Picchu, servi-me de comida de rua no Peru, tomei muito chá de coca (infelizmente não dá barato nenhum), gripei, tive diarréia. E peguei -15C com vento. É frio mesmo, não é só um número não.

Ah, arrumei uma briga com um motorista de ônibus e após ter sido enrolado mil vezes, finalmente passei a perna em sua colega vendedora de passagens. Não adianta me recriminar, eu me senti muito bem ao conseguir enganar alguém embora o produto da artimanha tenha sido parcos R$10,00.

Continuando, bebi um fermentado de milho muito massa. Chama-se Chicha, mas do resto eu não entendi nada que o cara dizia. Falando em álcool, fui a umas festas muito boas onde um drink era R$1,00 e enganosamente consegui o feito de ser rico antes de beber. Sem dúvida, é uma sensação maravilhosa, pena que para alcançá-la seja necessário ir até a... Deixa pra lá!

Por falar em ir até aquele lugar, passei por seis aeroportos em um dia só (quem mandou viajar com milhas?). Com isso, consegui reafirmar meu já batido bordão de que nada de graça presta. Viajei de "graça" sim, porém devo ter deixado minha paciência em alguma das muitas escalas.

Aprendi diversas frases em quechua (dialeto local), inclusive tendo praticado várias cantadas nas quais não obtive sucesso. É, eu nem queria pegar indias mesmo... O riso, certamente, era do ridículo e não do interessante de me ver falando algo que me parecia um japonês de quinta categoria, porém que carrega séculos de resistência cultural.

Naturalmente, eu não queria ter voltado. É sempre assim. Volto para casa já de costas. Nesse tempo não senti falta da minha cama, nem do meu apartamento. Senti falta de pessoas, mas materialmente nada me fez muita falta. Poderia seguir mais seis meses na mesma pisada, inclusive recebi uma oferta de trabalho em Cusco. Por pouco não fico.

A quem tiver a paciência de ir até o último relato, desde já lanço o meu "você é bastante sortudo". Gasto uma grana, tempo, pernas, paciência e você leva tudo mastigado né? Se daí você ri, daqui eu gargalho.

Divirta-se.

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