- Eu sempre soube que ia morrer só, disse o jovem indígena.
- Mas rapaz... Não diga uma besteira dessas, afirmou seu amigo lá pela sexta dose de uísque.
- Não, não... A gente nasce só e morre só... Não tem que mude minha idéia, replicou o silvícola.
Ora, antes de ter ouvido essa máxima de nascer e morrer só, confesso que acreditava em amor à primeira vista. No entanto, essa conversa rolou há muito tempo... Por pena de exagerar, não vou dizer que era na época que acreditava em papai noel afinal não faz tanto tempo assim... Mas, ao longo desse curto tempo que não sei precisar, deixei de acreditar em muitos mitos e passei a construir outros. Dentre esses o de que todos morreríamos sozinhos. Fatalista? Talvez, porém ainda assim real, senão realista.
Muitos têm me perguntando o motivo de viajar sozinho. Confesso que geralmente ocorre-me uma conjunção deles, por exemplo: minhas potenciais companhias às vezes não tem tempo, dinheiro, interesse ou uma combinação dos três. Baseado na tese do meu querido amigo indígena, cujas iniciais são V.M., a gente nasce e morre só. Ponto final.
Vantagens? Andando sozinho é possível alcançar algo muito sublime que é apreciar a própria companhia. Não sei se consigo definir bem, mas acho que é uma espécie de se sentir momentaneamente completo consigo mesmo. Há uma sensação de liberdade bastante grande, porém há riscos nessa empreitada. Segurança, um momento de doença ou algo assim, há que ser enfrentado como muita calma e serenidade. O bom e o ruim estão ali para serem vividos, em grande parte, solitariamente. É bom isso? Para mim, sim. Contudo por outro lado conheço pessoas que jamais sairiam num projeto desses.
No fim das contas, nunca se está completamente só. Nos albergues é comum existirem pessoas que também viajam só e igualmente querem alguma companhia para fazer um programa qualquer. Muito dificilmente, fica-se sem ter o que fazer ou com que fazê-lo.
A cada retorno chego em casa já de costas. Tem sido comum voltar pensando em qual viagem irei fazer. Por hora pretendo gastar meu resto de férias na Colômbia e Venezuela. E para 2008 quero percorrer América Central. Para que não siga só mais uma vez, desde já sinta-se convidado.
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Now playing: Mombojó - Absorva
via FoxyTunes
- Mas rapaz... Não diga uma besteira dessas, afirmou seu amigo lá pela sexta dose de uísque.
- Não, não... A gente nasce só e morre só... Não tem que mude minha idéia, replicou o silvícola.
Ora, antes de ter ouvido essa máxima de nascer e morrer só, confesso que acreditava em amor à primeira vista. No entanto, essa conversa rolou há muito tempo... Por pena de exagerar, não vou dizer que era na época que acreditava em papai noel afinal não faz tanto tempo assim... Mas, ao longo desse curto tempo que não sei precisar, deixei de acreditar em muitos mitos e passei a construir outros. Dentre esses o de que todos morreríamos sozinhos. Fatalista? Talvez, porém ainda assim real, senão realista.
Muitos têm me perguntando o motivo de viajar sozinho. Confesso que geralmente ocorre-me uma conjunção deles, por exemplo: minhas potenciais companhias às vezes não tem tempo, dinheiro, interesse ou uma combinação dos três. Baseado na tese do meu querido amigo indígena, cujas iniciais são V.M., a gente nasce e morre só. Ponto final.
Vantagens? Andando sozinho é possível alcançar algo muito sublime que é apreciar a própria companhia. Não sei se consigo definir bem, mas acho que é uma espécie de se sentir momentaneamente completo consigo mesmo. Há uma sensação de liberdade bastante grande, porém há riscos nessa empreitada. Segurança, um momento de doença ou algo assim, há que ser enfrentado como muita calma e serenidade. O bom e o ruim estão ali para serem vividos, em grande parte, solitariamente. É bom isso? Para mim, sim. Contudo por outro lado conheço pessoas que jamais sairiam num projeto desses.
No fim das contas, nunca se está completamente só. Nos albergues é comum existirem pessoas que também viajam só e igualmente querem alguma companhia para fazer um programa qualquer. Muito dificilmente, fica-se sem ter o que fazer ou com que fazê-lo.
A cada retorno chego em casa já de costas. Tem sido comum voltar pensando em qual viagem irei fazer. Por hora pretendo gastar meu resto de férias na Colômbia e Venezuela. E para 2008 quero percorrer América Central. Para que não siga só mais uma vez, desde já sinta-se convidado.
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