Esforço
[Dev. de esforçar.]
S. m.
1. Mobilização de forças, físicas, intelectuais ou morais, para vencer uma resistência ou dificuldade, para atingir algum fim:
Ontem na academia, com a típica cara feia de quem faz esforço, ouvi alguém dizer “No pain, no gain”. Como forma de motivação, a frase é bastante interessante, contudo comecei a raciociná-la em termos de abrir concessões. É necessário passar pelo componente doloroso para então alcançar o almejado. Parece bobo interpretar esse ditado, entretanto o que se vê comumente é a busca pelo alvo sem passar pelo sacrifício. Nessa época onde tudo é plástico, abrir concessões, fazer uma troca de A por B incorrendo em um custo seja ele pessoal, financeiro ou emocional, soa fora de época e até irreal.
Nunca em nossa história, vivemos uma época tão carpe diem. Evitarei entrar no clichê de que o mundo está mudando. Não irei por aí. Percebi, entretanto, que a idéia imediatista de vida carrega consigo a falsa noção de que não é necessário esforçar-se. Nos incutem diariamente uma idéia de que a vida é fácil. Pelo contrário, ela é feita de pequenas concessões que abrimos no dia-a-dia para então podermos disfrutá-la em sua plenitude. Suponho que as pessoas vivam tão angustiadas hoje justamente por terem perdido a noção de que o esforço é o caminho para chegar onde se quer. Não existem atalhos para ter sucesso com amizades, amor ou dinheiro. No dia-a-dia não há megasena para o povão, nem BBB 7 para peão de obra. Hollywood é um nome distante que, atrozmente, 99% da população brasileira não saberia nem escrever, quanto mais falar.
É chato falar desse tema. Vão achar que estou desapontado com isso ou aquilo. Pois bem, não quero adotar uma perspectiva fatalista, somente acho que as pessoas têm perdido ao longo do tempo a idéia de semear. Dificilmente se escuta falar de algum esforço. Ao longo do tempo construímos diversos heróis nacionais, mas pouco fala-se da “ralação” de cada um deles até chegar lá.
No mercado financeiro, por exemplo, é comum ver gente falar de ir em busca de seu primeiro milhão sem nem mesmo conseguir diminuir sua despesa com celular. Na academia todo mundo quer ficar sarado, mas ninguém abre mão de encher a cara. E no amor é onde reside o que há de pior nisso tudo: se vê gente em busca de sua “metade da laranja”, porém sem disposição para abrir qualquer mínima concessão.
Não acho que haja culpado nisso. Imagino que cada qual esteja cumprindo seu papel e os meios de comunicação estão estruturados para direcionar seu público ao consumo. Ao que me parece, a idéia é incutir nas pessoas que certos tipos ou níveis de consumo as levarão a um determinado patamar de existência com as quais elas sonham, porém não estão dispostas a pagar o preço. Em resumo, travestem o sacrifício em prol do espetáculo. É como se o artista quisesse o aplauso antes da apresentação. Simples.
O preço que se paga por não querer pagar o preço de viver gera frustrações. A vida não é um passeio, mas diariamente esse é o mote que tentam empurrar goela abaixo.
[Dev. de esforçar.]
S. m.
1. Mobilização de forças, físicas, intelectuais ou morais, para vencer uma resistência ou dificuldade, para atingir algum fim:
Ontem na academia, com a típica cara feia de quem faz esforço, ouvi alguém dizer “No pain, no gain”. Como forma de motivação, a frase é bastante interessante, contudo comecei a raciociná-la em termos de abrir concessões. É necessário passar pelo componente doloroso para então alcançar o almejado. Parece bobo interpretar esse ditado, entretanto o que se vê comumente é a busca pelo alvo sem passar pelo sacrifício. Nessa época onde tudo é plástico, abrir concessões, fazer uma troca de A por B incorrendo em um custo seja ele pessoal, financeiro ou emocional, soa fora de época e até irreal.
Nunca em nossa história, vivemos uma época tão carpe diem. Evitarei entrar no clichê de que o mundo está mudando. Não irei por aí. Percebi, entretanto, que a idéia imediatista de vida carrega consigo a falsa noção de que não é necessário esforçar-se. Nos incutem diariamente uma idéia de que a vida é fácil. Pelo contrário, ela é feita de pequenas concessões que abrimos no dia-a-dia para então podermos disfrutá-la em sua plenitude. Suponho que as pessoas vivam tão angustiadas hoje justamente por terem perdido a noção de que o esforço é o caminho para chegar onde se quer. Não existem atalhos para ter sucesso com amizades, amor ou dinheiro. No dia-a-dia não há megasena para o povão, nem BBB 7 para peão de obra. Hollywood é um nome distante que, atrozmente, 99% da população brasileira não saberia nem escrever, quanto mais falar.
É chato falar desse tema. Vão achar que estou desapontado com isso ou aquilo. Pois bem, não quero adotar uma perspectiva fatalista, somente acho que as pessoas têm perdido ao longo do tempo a idéia de semear. Dificilmente se escuta falar de algum esforço. Ao longo do tempo construímos diversos heróis nacionais, mas pouco fala-se da “ralação” de cada um deles até chegar lá.
No mercado financeiro, por exemplo, é comum ver gente falar de ir em busca de seu primeiro milhão sem nem mesmo conseguir diminuir sua despesa com celular. Na academia todo mundo quer ficar sarado, mas ninguém abre mão de encher a cara. E no amor é onde reside o que há de pior nisso tudo: se vê gente em busca de sua “metade da laranja”, porém sem disposição para abrir qualquer mínima concessão.
Não acho que haja culpado nisso. Imagino que cada qual esteja cumprindo seu papel e os meios de comunicação estão estruturados para direcionar seu público ao consumo. Ao que me parece, a idéia é incutir nas pessoas que certos tipos ou níveis de consumo as levarão a um determinado patamar de existência com as quais elas sonham, porém não estão dispostas a pagar o preço. Em resumo, travestem o sacrifício em prol do espetáculo. É como se o artista quisesse o aplauso antes da apresentação. Simples.
O preço que se paga por não querer pagar o preço de viver gera frustrações. A vida não é um passeio, mas diariamente esse é o mote que tentam empurrar goela abaixo.
*Em tradução livre, algo como “sem dor, sem lucro”.
1 comment:
Entro na nova repaginação do seu blog pela primeira vez, parabéns pelo texto!! Sensato, sincero e sintético. Abraço
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