Em uma cidade como Salvador, é comum surgirem diferentes empreendimentos todos os anos, e por seu caráter turístico, a cidade vem sendo brindada ao longo do tempo com ampla variedade de restaurantes. Bastante incensado desde sua abertura, o Jóia Sushi Lounge recebeu até prêmio da Veja Salvador na categoria “Melhor happy hour” e ao longo de pouco mais de um ano tornou-se point para boa comida e bebida no bairro do Itaigara.
Desde que cheguei aqui, já fui algumas vezes ao Jóia não por sua cozinha pouco inventiva, mas sobretudo pelo ambiente onde em muitos dias da semana há um dj residente, um público jovem e, infelizmente, filas intermináveis. Até aí tudo bem, afinal é natural que haja demanda para um lugar dessa natureza. Há inclusive, certa recomendação para só ir com reserva, visto a popularidade da casa. Bom para o Jóia, bom para Salvador e bom para quem tem reserva. Em tempo, só vou com reserva mesmo.
Na última sexta-feira, porém resolvemos esticar até a Jóia (sem reserva) e após uma aceitável espera de meia hora, fomos levados à mesa. Cabe aqui um parêntese para o ar blasé das hostesses. Não entro na generalização de todas elas, porém essas últimas foram selecionadas, suponho, consoante seu ar “de leve descaso” com a clientela. É como se colocássemos figuras de ar “modelal” para atender uma clientela sedenta por consumir as iguarias de um novo local que basicamente imita o que se vê em grandes cidades. Sinceramente sinto um privilégio imenso em poder comer ali. Às vezes acho que a típica relação de consumo é invertida em locais da moda. O cliente que se sinta felizardo em pode tomar assento e não o proprietário em receber consumidores que, a propósito, deixam em média de R$60-80/pessoa/noite.
Colocados à mesa, começamos o pedido e, o até então aceitável, beirou o ridículo quando o pobre garçom deu voltas ao explicar que não havia camarão, siriguela, nirá, vodka e cream cheese. Saí totalmente convencido. Afinal, quem vai a um japonês comer camarão ou nirá? E outra: quem mandou querer vodka com siriguela em dia de sexta? O melhor teria sido perguntar o quê tem e não fazer pedidos, afinal o suprimento do mais básico em um cardápio de restaurante passou longe dali.
Comparando, se for ao Rio Vermelho, no Acarajé de Regina (também premiado pela Veja), facilmente haverá tudo que se incluiu no cardápio, ainda mais em dia sexta. Espero que a síndrome de que “toda vassoura nova varre bem” não tenha atingido o Jóia. Por gostar do ambiente, irei lá mais uma vez. Afinal, nem sempre estamos nos nossos melhores dias.
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