Sunday, March 25, 2007

Guia para Engarrafamentos

São Paulo é dona do pior trânsito do Brasil. Por outro lado, Salvador ao ser a 3ª maior aglomeração urbana do país, tem ao menos em tese, o 3º pior trânsito. Na verdade, a introdução nesse post de hoje é o que menos interessa.
Consideremos que você esteja às 18h na principal via de qualquer capital ou média cidade brasileira (por exemplo, Maceió). Sem dúvida lá também haverá engarrafamentos. Voltando a Salvador, essa semana o engarrafamento diário foi piorado pela chuva. Tendo isso em mente, pensei: - O que se pode fazer em uma hora assim?
Adianto que o engarrafamento foi longo (ou está) sendo longo e por tabela esse texto – escrito em plena Av. ACM enquanto caminhava 10m/min - é a primeira opção para entretenimento no caos viário urbano. Comecei, então, a refletir sobre o tema e o resultado foi bastante rico, vejamos:

a) PAQUERAR – Dependendo de em qual bairro você esteja, paquerar no trânsito pode ser uma boa saída. Até o momento não conheço nenhum casamento ou envolvimento "de futuro" originado literalmente nas ruas. Aliás, nunca ninguém me relatou haver ficado com alguém novo enquanto esperava o sinal abrir. Antes de gerar desânimo em quem lê, ressalto que em um ambiente totalmente parado há o benefício de deter a atenção (ou pelo menos passividade) de sua paquera. Antes de conhecer as soluções que esse guia oferece, ela (ou ele) estará ali parada, no máximo ouvindo a Voz do Brasil. Já você, chavequeiro, estará procurando sua cara-metade enquanto 99% dos seus companheiros de programa de índio estarão completamente entediados por estarem ali. Hipoteticamente cruzar com belos olhos é bem mais interessante que ficar pensando na morte da bezerra ou até escrevendo texto.
Na situação onde me encontro, perto da Rodoviária de Salvador, só alcanço ver motoboys e uma turma com faixa etária de 50+. Por isso escrevo esse guia. Sugiro saídas de academias, faculdades e colégios (se pedófilo), para uma paquera de melhor rendimento. Sem dúvida, haverá mais potenciais alvos nas imediações desses lugares. Aos leitores com experiência no tema, favor compartilhar.

b) TELEFONAR – Antes de tudo, telefonar ao volante é contra a lei, mas quem não transgride? Hoje, antes de começar o texto, aproveitei para ligar para uma amiga de Natal cujo excelente papo vale ligações até debaixo d´água. À ela, meu muito obrigado pela inspiração para esse longo texto de agora. Em meu caso, cá na Bahia, telefonar é mais custoso afinal boa parte de meus contatos são interurbanos e um rombo na conta mensal não seria bem-vindo no já curto orçamento. Entretanto, desconsiderando dinheiro, e reforçando a tese de que ele foi feito apenas para gastar e passar troco somado ao fato de não estar abordando o custo dos passatempos, adianto que telefonar é uma grande saída contudo nem sempre se é bem atendido já que em numerosas ocasiões seu interlocutor também estará engarrafado, seja em sua cidade ou em outra parte do país.

c) JOGOS - Não acredito que ninguém consiga jogar nada durante um engarrafamento. No entanto, caso você esteja acompanhado de alguém bastante empolgado, imagino que seja possível arrumar algum jogo minimamente satisfatório. Já ouvi falar de xadrez, dama e até futebol (nesse caso tendo que obviamente descer do carro e usar-se da rua, iniciativa duplamente babaca e perigosa). Se você estiver sozinho, ou procure alguma alternativa acima ou então ouça a Voz do Brasil - meio caminho para o corte de pulsos.

d) COMER - Quem é guloso comeria em qualquer momento, seja no trânsito, no trabalho ou no consultório do dentista. Pessoalmente sou completamente contra alimentar-se dentro do carro, primeiro porque as chances de sujar e "dar" barata são astronômicas e depois porque comida deve ser apreciada e não "colocada pra dentro" feito uma forrageira. Acima de tudo, comer atrapalha a paquera (quem pode ser interessante de boca cheia?) e as ligações afinal falar de boca cheia, desde que o mundo é mundo, é grosseria pura e um mínimo de educação doméstica nos primeiros anos de vida evitaria milhares de deslizes mundo afora. Por ser comum no trânsito, coloco essa alternativa aqui mas é feio e deselegante, ainda mais em Salvador onde já vi gente comer até acarajé (!!!!!!!!) enquanto dirige. Uma vez, porém, resolvi provar umas pimentas que havia comprado e me fud* com a boca queimando até chegar em casa. Não deu pra paquerar nem para telefonar, ou seja, além de burro, apressado.

e) LER - Totalmente mentiroso-ordinário-cara-de-pau quem diz que consegue ler durante o trânsito. Vá lá que leituras de outdoors, faixas, frase de caminhão e publicações tais quais Caras, Gente, Contigo! e Capricho requeiram um mínimo de "desembolso mental", mas em todo caso continuo achando que é mentira. Ah, adicionalmente, os livros que comecem com "Como...", "100 motivos/razões/maneiras/soluções...", os de Zíbia Gasparetto, Lya Luft e demais de auto-ajuda podem ser compreendidos perfeitamente até plantando bananeira debaixo d´água em dia de chuva. Esses não contam. Busco alguém que consiga ler enquanto dirige. Ao desafiante, sugiro o Pequeno Princípe para ser lido e interpretado durante um engarrafamento. Em caso positivo, iremos levá-lo para o Livro dos Recordes (mentiroso fino).

f) ESCREVER - Diferente de mim que escrevo nesse exato momento, desconheço qualquer pessoa que tenha escrito um artigo enquanto estava em um engarrafamento. Imagino que sou pioneiro nessa área, mas não que isso necessite alguma habilidade especial. A recorrência dos engarrafamentos, a conta de celular pelas alturas, o ambiente "anti-paquerável" e a descrença nos tópicos anteriores, levaram-me a escrever esse texto (claro, bastante longo, afinal ninguém passa menos que 40´ engarrafado aqui em Salvador).

Não gosto de perder idéias sobre as quais quero escrever, assim que às vezes anoto o tópico e só depois abordo o tema. Hoje, porém, foi diferente. Até já escrevi duas poesias no trânsito, mas joguei fora no outro dia já que não me agradaram.
Por fim, está aberto o espaço para quem conheça outras atividades a serem desempenhadas no dia-a-dia das ruas brasileiras. Pensar em pessoas durante os engarrafamentos também é bom negócio. Baseado nisso escrevi esse post o qual dedico a quem me acompanha anonimamente ou mesmo quem visita esse blog pela 1a vez. Saber que serei lido é motivo suficiente para escrever, mesmo que seja um mero Guia para Engarrafamentos.

2 comments:

Diego R. Canabarro said...

o teu texto foi simplesmente prá dizer: "no trânsito, espere desengarrafar... não conheço ninguém que faça nenhuma das coisas que falei!"
hehehehehe
tenho saudades de ter um blog!

Diego R. Canabarro said...

tem um amigo nosso que já comeu gente em engarrafamento.