Monday, February 26, 2007

San Pedro de Atacama I

Introdução

A finalidade principal desse novo blog é servir de exercício para minhas aulas de redação. Entretanto, tenho recebido comentários positivos e sem dúvida o interesse que meus textos venha a causar me dá tremenda motivação para tentar abordar novos temas. Nesse sentido, após a pausa carnavalesca, irei publicar uma série de textos sobre o Deserto do Atacama – ponto alto de uma viagem muito interessante – a fim de dividir as vivências de um lugar igualmente belo e inóspito http://pt.wikipedia.org/wiki/Deserto_do_Atacama.

San Pedro de Atacama I

Nas aulas de geografia, aprendi que os desertos são locais extremamente frios de noite e quentes durante o dia. Por outro lado, já ouvi dizer e, inclusive comprovei na prática, que algo é falar e o outro é viver. Pois bem, se eu tivesse que citar um único ponto do Deserto do Atacama seria sua incrível amplitude térmica. Nos últimos quatro dias, passei de tempetaturas de -10 a 40C.
No deserto mais árido do mundo, o uso de água devia ser o mais racional possível, contudo eu não tinha entendido essa dimensão até ir em busca do hot shower (banho quente), que o albergue (US$10/dia) “ofereceria”. Dos quatro banhos que consegui tomar (nenhum quente), um foi escondido (em tese só haveria água até às 21h, porém nunca chegava às 19) e três foram de caneco. Para quem vem da Bahia, tomar banho de caneco a 0C é uma tarefa complicada e sofrível. Por um momento, confesso, cheguei a me questionar o que eu tinha ido fazer ali.
A essa altura, cabe perguntar a que ponto chega o turismo dito aventureiro. Para quem acha que os serviços, de forma geral, são ruins no Nordeste do Brasil e piores na Bahia, sugiro um estágio atacameño. Sem dúvida, os conceitos mudarão visto que o turismo ali ainda é explorado de maneira amadora (e até diria, típica) por nativos ou pequenos negócios familiares.
San Pedro de Atacama lembrou-me a Pipa de minha infância. Possivelmente ali também devia ter seus percalços (como às vezes ainda ocorre com água, por exemplo), mas imagino que o ar de praia virgem e pequeno povoado, há muito perdido em boa parte do litoral potiguar, mantém-se quase intocado no Norte do Chile. A comparação, em termos geográficos é incompatível, porém vemos duas fases de um turismo alternativo e outro badalado. Sinceramente ainda prefiro o primeiro, embora com os limitadores de sempre.
Voltando do deserto, vim sobre refletindo como situações-limite nos fazem reavaliar posições e hoje, quando liguei a torneira e de fato saiu água, percebi como é comum menosprezar o dia-a-dia em busca de algo sensacional quando na verdade a rotina nos brinda incrivelmente com atos simples como o abrir de uma torneira. De volta à Bahia, escovar os dentes teve um novo valor e assim como já abordei em posts abaixo, a falta de algo traz consigo o benefício de colocá-lo em seu real estado.

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