Monday, January 22, 2007

Solidariedade de fumante

Solidariedade de fumante


Em uma rua, alguém lhe pede um chiclete... Imagino que para muitos isso seja motivo de crítica, afinal um estranho pedindo algo é incômodo. Contudo, tenho reparado que essa máxima de pedir algo “emprestado” (entre aspas pois nunca será devolvido mesmo) é bastante relativizada quando o motivo do pedido é um cigarro.
Em mais uma busca de entender como as coisas funcionam, observei alguns episódios a fim de ter conhecimento de causa para discorrer sobre o tema. A idéia era: onde está o constrangimento de pedir um cigarro a um estranho?
Se perguntado a um fumante, possivelmente ele falará em sentimento de classe, pois quem fuma sempre está pronto a oferecer um trago a outro justamente por saber a sensação de querer e não poder sobretudo em um estado de dependência química onde a entorpecência da nicotina compensaria a reprovação social de pedir algo a um estranho.
(Sinceramente não acho que seja totalmente isso... Em uma escala de 1-10 talvez essa sensação valha no máximo 3, mas vamos seguir em frente).
A percepção que tive, porém, indica algo oposto: o que motiva a solidariedade dos fumantes é o sadismo (Aurélio - P. ext. Prazer com o sofrimento alheio). Talvez exagerando pelo peso que o termo ´sadismo´ carrega, explico: considerando, por exemplo, que todo vício é prejudicial e de que o fumante tenha mínima consciência do mal que faz a si, o que o motivaria a ser tão solícito seria uma satisfação em sentir que não está naquela junto. Talvez uma espécie de sentimento de classe mas com fins prejudicais.
Não indo muito além no mérito do cigarro fazer tanto mal assim, concluo sem talvez atingir exatamente o fim de levantar um tema polêmico, meu objetivo inicial. De toda maneira, publico assim mesmo o texto.
Aos fumantes, faço votos para que desistam do hábito.
Aos não-fumantes, peço que comprovem as teses sobretudo a do sadismo. Não deve estar tão longe disso não.

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