Friday, August 31, 2007
Curso Bolsa de Valores - Natal/RN - 20,21 e 22/9
Wednesday, August 22, 2007
Doce de Cajá
Optar por cajá tem seus motivos, afinal nos últimos anos tem sido cada vez comum mais a mistura do que é regional com a técnica tradicional resultando assim em inusitadas combinações como essa que me proponho agora.
A idéia é fazer uma tartelette (pequena torta) de cajá. A tartelette é uma receita originariamente francesa, entretanto dela só utilizarei a massa. O cajá entra como sendo o ingrediente regional a fim de oferecer ao prato um cárater mais fusion. Até agora, só tive tempo de fazer o doce de cajá (que será o preenchimento) junto com uma base provavelmente de créme patisier ou creme de leite ou açúcar e manteiga, não sei ainda. Em todo caso, segue a receita do doce o qual pode ser consumido puro (é diferente pois o cajá mesmo em um doce conserva um pouco da acidez e amargor), acompanhado de algo que lhe quebre essa doçura/acidez como creme de leite ou ainda, caso mais líquido, em forma de calda para acompanhar todo tipo de sobremesa.
A receita é simples e quase desnecessária. É mais ou menos a mesma idéia de qualquer doce de fruta.
400g de polpa de cajá
600g de açúcar
500ml de água
3 paus de canela
Derreta a polpa ainda congelada em uma panela ou tacho (eu usei uma panela para paella), adicione a água, o açúcar e, depois que tudo estiver líquido, adicione a canela em pau. Leve ao fogo baixo e espere até engrossar (pelo menos 1h).
Turismo - Poncho, conga e iPod (VEJA - 20/08/2007).
Turismo
Poncho, conga e iPod
Comida ruim, ônibus horríveis, trem da morte: jovens redescobrem os encantos do caminho para Machu Picchu
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Na década de 70, era praticamente um rito de passagem: o jovem cabeludo punha a mochila nas costas e um livro cheio de bobagens de Eduardo Galeano na cabeça, cruzava a Bolívia e seguia até Machu Picchu, a magnífica cidade inca no topo dos Andes peruanos. Moviam-no uma visão idealizada da "nossa América Latina", popular na época, e o roteiro barato (sem falar em outros baratos nos quais o trajeto era pródigo). Sem um pingo de latino-americanidade na alma, mas igualmente cheia de sonhos juvenis, uma nova geração está retomando a trilha para Machu Picchu. São viajantes dispostos a passar frio, comer mal, não tomar banho e viver uma aventura inesquecível. Quem pode, claro, leva um iPod para amenizar as agruras do caminho. "Eu e meus amigos estamos na idade de perguntar o que queremos para o futuro. Passar por sufocos como esse ensina a lidar melhor com os problemas que possam aparecer", teoriza o estudante de administração Guilherme Gnipper, 23 anos, de São Paulo. "Pode parecer bobagem, mas vou porque quero me encontrar, me conhecer espiritualmente", diz a estudante de direito Amanda Magri, 20 anos, que, em nome da aventura, se dispôs a abdicar do ritual da escova e se matriculou em uma academia (uma semana antes, mas se matriculou).
Gnipper e Amanda fazem parte de um grupo de onze jovens que passaram o mês de julho trilhando a América do Sul – foram à internet trocar experiências, fizeram seu roteiro, arrumaram a bagagem (duas mochilas cada um) e, no Terminal Rodoviário da Barra Funda, em São Paulo, animadíssimos, tomaram o ônibus para Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e de lá para Porto Quijarro, na Bolívia. Aí embarcaram nele mesmo – o "trem da morte", que continua na ativa, mais limpo e ajeitado, mas ainda quente, lotado de ambulantes e repleto de exotismos para jovens de classe média que em seu habitat nunca viram coisa parecida. "Toda parada entra gente vendendo comida", descreve Amanda. Ao todo, foram 132 horas de trem e ônibus, sem falar na trilha a pé de cinco dias, cada um apoiado em seu cajado – "Virou meu melhor amigo. Cheguei até a conversar com ele", conta o analista de sistemas Andre Savioli, 24 anos –, para alcançar Águas Calientes, o vilarejo vizinho a Machu Picchu. Uma caminhada difícil, certamente, mas até tranqüilizante depois da experiência rodoviária no último trecho peruano, que continua igualzinho como era nos anos 70, segundo relatos da antiga turma do poncho e conga. "Pegamos um ônibus velho, com piso de tábua, que andava espremido entre a montanha e o abismo. O motorista dirigia feito louco. Foi assustador", lembra a estudante de filosofia Maristela Aiko Mochizuki, 19. Em todas as paradas, o grupo optou por acomodações simples, com banheiro coletivo (Amanda levou lencinhos umedecidos, para quando o banho era impraticável). Comeu muito frango ("frito, pingando gordura") e gastou bolivianos ou soles nas mesmíssimas coisas que encantavam os mochileiros de outrora: flautas de madeira, ponchos, gorros e agasalhos de alpaca.
Blog irmão
A quem se interessar, por favor não hesite em visitar - http://ebmn.blogspot.com .
Por último, inicio aqui um painel à direita com "blogs amigos", dentre os quais, listo o seu como primeiro.
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Now playing: Bob Marley & the Wailers - Revolution
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Monday, August 20, 2007
XXXV Corrida Duque de Caxias
Em meu caso, porém, além dos resultados típicos, ontem pude participar da XXXV Corrida Duque de Caxias. 1200 corredores largaram às 08:00h para enfrentar 10km em um dia de pouco sol e uma chuvinha fina, mas chata. O campeão terminou em 29 minutos, já eu levei 1:02 para fazer o mesmo trajeto. Atingi dois objetivos: a) completar a prova; b) não ser o último colocado.
Em provas assim, é interessante ver a diversidade de pessoas. Havia crianças (possivelmente não aguentariam correr os 10km mas estavam lá ainda assim), idosos (os quais correriam bem mais que boa parte dos meus amigos) e obviamente os profissionais. Para eles, talvez 5% do número de atletas, o objetivo é vencer. Para nós, claro, a idéia é curtir e completar a prova. Também pudera, é impossível concorrer com alguém que tem 1,60m, 50kg e corre há anos. Muitos são o típico "chassi de grilo" - figuras sem o mínimo de gordura corporal ou musculatura. Nesse meio tempo, eu, comendo poeira e vendo esse povo "made in Sénégal" correndo lá longe, lembrei da definição do Menino Maluquinho:
Ele tinha o olho maior que a barriga
tinha fogo no rabo
tinha vento nos pés"
Viajei bem ao lembrar de Ziraldo, mas em que se deve pensar quando se corre e toma chuva?
Continuando a respeito do début em corridas de rua, seguem os treinamentos que utilizei:
Iniciante 5km
Avançado 5km
Iniciante 10km
Avançado 10km
Meia-maratona
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Now playing: Dire Straits - Romeo And Juliet
Thursday, August 16, 2007
Férias IX - Hospedagem
Por exemplo, na última noite da viagem, estava em Cochabamba, Bolívia e tinha o plano "perfeito": havia conseguido o número de um albergue bem recomendado e quando chegasse à rodoviária iria ligar para eles e assegurar minha cama. A idéia era a prova de falha... Até que, chegando à rodoviária, descobri que ela havia fechado à meia-noite (eram duas da manhã), fique numa rua esquisita e novamente fui assolado por aquele velho pensamento ("que danado eu tô fazendo aqui?"). Do nada, saí andando e encontrei a "Hospedaje del Sol", uma pousada de 5a categoria, ao custo de R$5,00/noite... Bela merda. Já se pode imaginar o nível né? Acho que dali pra frente meus anti-corpos piolhais cresceram exponencialmente. No final, pra variar, foi uma experiência muito engradecedora, aventureira e acima de tudo formadora de caráter (carachter building). No geral, pelo menos, é melhor evitá-las o quanto possível, até por razões de segurança.
Dividi o apartamento com um local (infelizmente, risco iminente), porém no final tudo ficou tranqüilo, adormeci com o cara falando da namorada, mãe, pai, Evo Morales e etc. Quem tiver a oportunidade de fazer trajeto similar vai perceber que 99% das pessoas adoram contar toda sua vida pessoal para quem acabaram de conhecer. Se é bom ou ruim não sei, mas ajuda muito a dormir.
Wednesday, August 08, 2007
Três anos de blog
Comemorando, fiz algumas alterações, a saber:
- Separei todas poesias que publiquei até hoje e abri no lado direito da tela - Poesias;
- Criei mais um tópico de links chamado "Leituras Diárias" com os links que visito diariamente, 365 dias ao ano;
- Reorganizei o arquivo para facilitar a busca por textos antigos;
- Iniciei a revisão de alguns textos passados já que na migração alguns deles perderam acentos e coisas parecidas;
- Comecei a separar texto por texto que veio do blog anterior para que eles possam ser acessados isoladamente;
- Por último, só como mais uma ferramenta, descobri o now playing que mostrará a música que esteja tocando no computador na hora que escrevo o texto. Não sei bem qual a finalidade disso, porém já é algo a mais que se coloca e por isso é justo mencioná-lo.
No plano da escrita, publiquei meu primeiro conto "A vendedora de lentes de contato", história cuja idéia é abordar como se constrói e desconstrói um mito a respeito de alguém. Pretendo, inclusive, insistir no tema e utilizá-la mais vezes.
Por hora é isso, fico satisfeito em continuar escrevendo, mesmo que às vezes existam lapsos enormes entre um texto e outro, e me alegra mais ainda saber que tenho leitores freqüentes.
A todos, meu muito obrigado.
Monday, August 06, 2007
A vendedora de lentes de contato
Mas, como se chega nelas? Provavelmente, quem lida com o público deve sofrer assédio o dia inteiro. Ainda mais ela: aquela combinação cabelos-olhos e muita, mas muita classe. Sei lá, ela poderia vender ferraris ou até capim pegando fogo. Fato era que a relação de consumo caminhava a medida que lentes, colírios e outras novidades para o mercado oftamológico iam sendo acumuladas em casa. Transpor o simples contato travado na compra das lentes parecia um mundo e assim permaneceu por um tempo. E convenhamos, mulher classuda nunca abre a guarda.
Antes de tudo é bom precisar o que se entende por classe. Dizem que é aquele ar blasé a partir do qual uns cagam nas cabeças dos outros sem se fazerem percebidos, odiados e em alguns casos até apreciados. Não se sabe ao certo quem definiu isso, mas desde já vale ressaltar o caráter apelativo do verbo cagar. Melhor desdenhar.
Sua classe carregava um certo desinteresse constante por tudo que fosse corriqueiro. Aquele sorrisso poderia estar em capa de revista de implante dentário. Era aquele monte de dente branco, polido, simétrico. Nada porém que aparentasse um mínimo interesse em que lhe cruzasse a mão pelo balcão. Aquilo tudo era frio, muito assim "crédito ou débito?".
Até tomar um fora, corte ou repulsa similar valeria a pena, pensou. Saindo um dia à noite, encontrou a tal dona comendo espetinho com cachaça numa esquina. Sim, ela tinha a suposta classe comendo churrasquinho, mas ruiu-se todo o mito ao ver farinha no canto da boca, os olhos vermelhos da fumaça para não comentar do cheiro de carvão molhado após os tradicionais dois beijinhos. Eca, nunca mais compro lente, sentenciou.
Vestida em Diesel, a vendedora usava óculos. Vai ver que ela não acreditava no que vendia. De repente, ela estava ali só para limpar a vista. De repente, somente querendo ser inflamável. Não sei, ali era classe demais pra um míope qualquer.
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Now playing: Mombojó - Minar
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Férias VIII - Apreciar a própria companhia
- Mas rapaz... Não diga uma besteira dessas, afirmou seu amigo lá pela sexta dose de uísque.
- Não, não... A gente nasce só e morre só... Não tem que mude minha idéia, replicou o silvícola.
Ora, antes de ter ouvido essa máxima de nascer e morrer só, confesso que acreditava em amor à primeira vista. No entanto, essa conversa rolou há muito tempo... Por pena de exagerar, não vou dizer que era na época que acreditava em papai noel afinal não faz tanto tempo assim... Mas, ao longo desse curto tempo que não sei precisar, deixei de acreditar em muitos mitos e passei a construir outros. Dentre esses o de que todos morreríamos sozinhos. Fatalista? Talvez, porém ainda assim real, senão realista.
Muitos têm me perguntando o motivo de viajar sozinho. Confesso que geralmente ocorre-me uma conjunção deles, por exemplo: minhas potenciais companhias às vezes não tem tempo, dinheiro, interesse ou uma combinação dos três. Baseado na tese do meu querido amigo indígena, cujas iniciais são V.M., a gente nasce e morre só. Ponto final.
Vantagens? Andando sozinho é possível alcançar algo muito sublime que é apreciar a própria companhia. Não sei se consigo definir bem, mas acho que é uma espécie de se sentir momentaneamente completo consigo mesmo. Há uma sensação de liberdade bastante grande, porém há riscos nessa empreitada. Segurança, um momento de doença ou algo assim, há que ser enfrentado como muita calma e serenidade. O bom e o ruim estão ali para serem vividos, em grande parte, solitariamente. É bom isso? Para mim, sim. Contudo por outro lado conheço pessoas que jamais sairiam num projeto desses.
No fim das contas, nunca se está completamente só. Nos albergues é comum existirem pessoas que também viajam só e igualmente querem alguma companhia para fazer um programa qualquer. Muito dificilmente, fica-se sem ter o que fazer ou com que fazê-lo.
A cada retorno chego em casa já de costas. Tem sido comum voltar pensando em qual viagem irei fazer. Por hora pretendo gastar meu resto de férias na Colômbia e Venezuela. E para 2008 quero percorrer América Central. Para que não siga só mais uma vez, desde já sinta-se convidado.
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Now playing: Mombojó - Absorva
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Férias VII - Preconceitos
Da mesma maneira funciona com construções coloniais. Após passar por locais como Pelourinho, Parati e Ouro Preto, por exemplo, o que mais de colonial pode interessar? Estaria sendo restritivo? Talvez, mas a realidade é que não se pode ver nem fazer de tudo. A verdade é que meu olhar turístico, muito inferior ao técnico, reputa tudo que for colonial baseado em um parâmetro que tenho pré-estabelecido assim como todas as praias segundo um preconceito.
Por exemplo, eu não agüento mais entrar em igreja. Só aqui na Bahia já estive em dezenas e assim também tem sido em todo nordeste, Brasil, América do Sul, Europa (logicamente) e onde quer que andei. Fatalmente, desenvolvi um preconceito gigantesco em relação a visitar igrejas. Talvez seja esse meu olhar turístico, mas hoje dou uma passadinha por fora, às vezes entro e pronto.Imagino que ao chegar a Ásia e Leste Europeu aí sim as construções religiosas possam me interessar mais, até o momento, entretanto, sigo com meu preconceito pautado em diversas visitas que renderam mais ou menos a mesma coisa.
Concluída a introdução (que infelizmente tomou um texto todo), pretendia falar de Arequipa cidade que é patrimônio histórico da humanidade e mundialmente conhecida pelo seu centro colonial (agradável surpresa pois parece um Pelourinho bastante moderno, limpo e cosmopolita).
Fica para o próximo texto, porém imagino que o tema preconceitos com relação a pontos turísticos pode ser mais bem explorado.
A América do Sul, no geral, excetuando Argentina e Chile, é vista com certo preconceito por nós brasileiros. Para mim, é bem mais comum ouvir gente (inclusive na família) que já foi a Europa n vezes, mas nunca a um destino sul-americano. A isso, infelizmente, atribuo o preconceito, o mesmo que em muitos pontos sou consciente de ter e que em tantos outros insisto em não abrir mão.
Viajar pela América do Sul é um bom negócio: é divertido, seguro, bastante cultural e sobretudo barato.
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Now playing: Mombojó - Cabidela
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Férias VI - Bater boca em língua estrangeira
Pode parecer fácil, porém pra mim foi mais complicado pensei. Além do que, 99% de quem lhe cercar terá a leve impressão de que você é doido.Também pudera... Conceitos bem populares aqui no Brasil como Direito do Consumidor, Procon e afins não existem por ali. Não quero exagerar, talvez existam, mas não são atuantes. Fato é, o turista em muitos casos é o pato da história e isso é muito desagradável.Durante os dezesseis dias em que andei por Bolívia e Peru, me recordo mais ou menos aí de umas dez ocasiões onde precisei arregaçar as mangas no idioma de Cervantes e soltar o verbo.
Tudo bem, podem dizer que sou meio confusista, mas a verdade é que, como falei, por essa região impera a desorganização e, em alguns infelizes casos, a idéia de que todo turista é um alvo em potencial. Desde vender o que não existe, fazer os outros de besta e mentir, o cara faz de tudo. Tive a triste impressão de que o que se quer ouvir é o que será respondido. Em resumo, todos os ônibus serão diretos, toda água filtrada, toda apartamento com aquecimento, etc. Caso o oposto seja o desejável, você também vai ter a resposta que quis.
O que leva alguém a fazer isso é uma questão que rondou minha mente por muito tempo. Ainda penso nisso, em certas ocasiões. Para os estrangeiros, percebi, é muito comum se ver sendo enganado mas se deixar levar por pena de exigir algum direito. Não é regra, mas existe muito. Por isso foi que muitas vezes não abri mão de fazer valer o que achava correto, muito embora o valor em questão fosse R$10,00.
Por esses casos, alguém potencialmente mais irritadiço como eu precisa ou entrar no clima ou então bater de frente com meio mundo. Sou franco em dizer que no começo me irritei mais, porém do meio pro final já estava mais amadurecido em termos locais e deixei passar muita coisa.
Ironicamente as pessoas acham que você é doido por estar batendo boca por aí, mas quem se importa? Não era dali, não fui pra ficar. O que valem são histórias pra contar.
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Now playing: Mombojó - Estático
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Sunday, August 05, 2007
Férias V - A caminho de Cusco
Começou quando não me permitiram sair do albergue por conta de uma "dívida" de 4 bolivianos (o mesmo que a fortuna de R$1,00). Esse é mais um caso onde viajar lhe abre os horizontes e aqui explico: quem nesse país chamado Brasil gosta de moeda? Ninguém que eu conheça e assim também sou. Na minha conta havia uma garrafa de água de 4 bolivianos, eu só tinha uma nota de cinqüenta, o cara não tinha troco, ninguém trocava 50 e eu seguia ali na frente dele. Discuti com a figura e saí sem pagar os 4 bolivianos. Não entendi porque ele se sentia tão insultado com minha nota de cinqüenta. Welcome to Bolivia. Não há dinheiro trocado no país... Ahhhh, caso consiga umas notinhas de 5, 10 e moedas, então, guarde com força. A propósito, cruze os dedos ao ir num caixa eletrônico: a esmagadora maioria só tem nota de 100 ou 50. É hilário, juro que me senti naquele jogo de baralho em que o otário fica sempre com o mico. A diferença é que o primata da questão representava 1/3 de um salário mínimo local.
Saindo do albergue congelante, fui a rodoviária a fim de chegar ao eldorado inca - Machu Picchu. Lá, houve o segundo quiproquó do dia. Para resumir, comprei uma passagem na companhia A que me "revendeu" para a B, a qual mandou para a C e logo para D e E. O destino La Paz-Cusco teria que encerrar-se no meio por conta de uma greve (mais comum que mendigo em Salvador) e a senhora índia não queria me reembolsar. O valor não seria muito - o equivalente aí a R$10,00. Não houve jeito, não haveria restituição nenhuma. Acudi pela polícia (instituição não tão confiável), muito contentemente saí com meu dinheirinho e um terrível "gosto de sangue"* na boca...
Cheguei na empresa E e disse que havia pago pelo roteiro completo (sem reembolso). Tudo bem, colou pensei. Na entrada do ônibus, Evo Morales Motorista me interpelou:
M - motorista
D - Daniel
M - Tu pasaje?
D - No me dieron.
M - Pero hay que tener una para viajar.
D - Sí, claro, pero Carmen no me dío nada.
M - ¿Quién es Carmen?
D - La señora de Transcontinente.
M - Bueno, no vas a viajar sin tiquete y hay que bajarse.
D - No me bajo y sí voy viajar!!!!!!
Nesse momento, Evo levantou-se, descolou o bucho do volante e veio em direção a esse herói que vos brinda a história. Então, Dandanzinho gritou:
D - ARRIBA!!!!!!!!!!
Pronto, eu havia acabado de chamar um motorista de ônibus prá porrada... GRAÇAS AO BOM JESUS, apareceu a turma do deixa-disso, a tal Carmen surgiu, colocou panos mornos e eu entrei gritando pro motorista "loco, loco, loco". Minha virilidade foi bater em Marte, mas depois fiquei pensando no risco que corri. E se o cara chegasse perto mesmo? Eu ia encarar? Ia correr? E se fosse preso? É, de cabeça quente ninguém pensa nisso. Sorte minha que tudo (até então) resolveu-se.
Eram 08:30 da manhã... Estava em jejum, com frio, gripado e brigando... O dia podia ter encerrado aí, mas não...
No caminho, comprei metade do staff do ônibus com biscoitos. Era cookie pra cá, cookie pra lá. E no fim a tal Carmen já me chamava de Dani... Tudo não foi à toa... Eu ia precisar dela para me colocar no segundo ônibus pouco antes da fronteira. Como conseguiria ir para uma 6a empresa de ônibus e cruzar a fronteira sem bilhete? Era culpa de Carmen, mas ela podia me abandonar e eu ter que gastar o tão suado reembolso para comprar outra passagem. Estava decidido a levar melhor sobre ela (que também não era flor que se cheirasse), o motorista, o sistema de transporte público da Bolívia, o cara que quis me cobrar R$1,00 como se fosse uma fortuna e todas pessoas que tentaram me enrolar em uma semana de andes.
Chegando em Copacabana, o ônibus "directo" parou por duas horas, almoçamos e nos colocaram na 6a empresa de ônibus. Minha pouca paciência já tinha ficado na primeira barraca de frango assado da rodoviária e quando o peruano que nos levaria a Cusco disse que o máximo que conseguiria chegar seria Puno eu comecei a me irritar... Argumentei que tinha pago o roteiro completo (mentira dos infernos, eu tinha sido reembolsado), que era um absurdo, que eles dependiam do turismo e blá blá blá... Modéstia a parte eu consigo ganhar algumas pessoas no papo e foi assim com essa figura... Ele me colocaria na 7a empresa de ônibus sem ter que pagar nada, ótimo.
O resto transcorreu tranqüilo, incluindo a terrível pizza vegetariana (o que viria ser minha única refeição do dia), à tarde comprei um passeiozinho pelo Lago Titicaca - o lago navegável mais alto do mundo. Super interessante.
No fim das contas, o peruano só conseguiu me mandar para Arequipa (cidade objeto do próximo post). Para mim, a partir da metade do caminho tudo seria lucro, afinal só paguei 50%. O trajeto La Paz - Cusco converteu-se em La Paz - Arequipa e supostas 12h de viagem viraram 19.
Minutos antes de sair da rodoviária de Puno, vi uma propaganda de um albergue em Arequipa e um endereço de msn. Entrei no msn, fiz minha reserva e a de um brother inglês que ia também. Pronto, tudo estava "garantido". A aventura, essa sim, desde o início esteve garantida.
*Gosto de sangue - sinônimo para sede de vingança.
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Now playing: Mombojó - O mais vendido
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