Monday, June 18, 2007

Profissões: Dançarina de Forró

Imagine aquela figura com sobrepeso e cabelo retocado de louro agalegado três vezes no último trimestre. Luzes azul, vermelha e verde refletem em sua saia e top cada qual com um palmo de comprimento. Além de tudo ela veste uma coisa meio aveludada-furta-cor. E tome rebolado. De preferência com a bunda virada pra platéia. Vá lá, ninguém se incomoda com isso, ou ao menos se se importasse, não estariam ali.

Não foi meu primeiro show de forró e obviamente não terá sido o último. Entretanto, acho que meus olhos se abriram dia desses para o que se passa nos palcos de forró pelo nordeste afora. Muito embora show de forró não seja o momento ideal para reflexões, pus-me a matutar em plena madrugada natalense sobre o ofício de suas dançarinas enquanto assistia àquela performance no mínimo engraçada.

Acho que em shows de forró tudo é direcionado ao trash. A começar das figuras no palco, o nome das bandas, músicas, danças, trajes, em resumo quase tudo. Pequena ressalva, gosto de forró, de show de forró, de dançar forró, mas ainda tenho um olhar crítico sobre muitos fatos, inclusive os que me interessam.

Dentre a atmosfera forrozeira, imagino que o cantor seja o maior sacana de todos. Além de colocar as "moças" em cima do palco naqueles trajes, o infeliz ainda guarda um ar de cinismo que me fez pensar se as pobres não percebem o ridículo instalado ali. Lá pelas tantas fiquei pensando se elas tinham pai. Não sei, devem ter né? Né possível que todo mundo ali em cima seja órfão. Tomei mais um gole do xixers aguado. Deus permita que nenhum parente meu venha se submeter a isso. Pela caridade.

Dinheiro paga tudo? Por R$10.000,00 eu subiria num palco vestido de dançarina de forró. Fácil. Tomava uma gigantesca e ia pra lá, mas certamente não é o que elas ganham nem mensalmente que dirá por apresentação (nome bonito para não dizer outra coisa).

Tendo isso exposto, pergunto: O que danado leva alguém a ser dançarina de forró? Se o dinheiro não é muito, a exposição é absurda, se os próprios cantores alimentam esse clima de escárnio e o regime de trabalho é um dos piores que alguém pode ter, qual a motivação de subir no palco e dançar "Olha a barriguinha"? Alguém mais lúcido me informe, por favor.

Escrever um texto como esse é andar por uma linha muito tênue entre julgamento e preconceito. Nunca nem conversei com uma dançarina de forró, ou seja, meu embasamento no assunto é nada. Sinceramente, gostaria de conhecer uma. Perguntar algumas coisas, tirar dúvidas, sei lá. Quebrar o mito que construí sobre essas profissionais. Escrever texto preconceituoso é que não dá, mas por enquanto fico só na tietagem.

Thursday, June 14, 2007

Salada Museo Renault

Salada Museo Renault


Comi essa salada uma vez que estive em Buenos Aires há dois anos. Desde então, vinha com ela na cabeça mas nunca tinha executado... Até ontem. Resultou numa surpresa muito boa, primeiro por conseguir fazê-la após tanto tempo mesmo só tendo comido uma vez, depois pelo prato em si que é leve, ácido, muito saboroso e serviu como ótima entrada. Acompanhou um Salton Poética Brut Rosé.

Salada Museo Renault - http://www.mrenault.com.ar
6 pessoas

5 pés de baby rúcula (equivalem a mais ou menos 2 pés da rúcula grande)
300g de presunto parma
400g de camarão

Vinagre balsâmico
Azeite de oliva
Pimenta-do-reino
Sal

Após lavar e deixar de molho em vinagre, seque bem a rúcula e reserve. Temperar o camarão com sal e pimenta-do-reino, levar a fogo por 3-5 minutos, deixar esfriar e reservar. Preparar o parma em lascas (geralmente dividir as fatias ao meio, com a mão mesmo).

Para o molho, misturar 3 partes de azeite para 2 de vinagre balsâmico, uma pitada de sal e duas de pimenta-do-rein. Bater por um minuto e usar enquanto ainda não tiver se separado.

Misturar em uma tigela as rúculas secas, o camarão morno/frio e o parma em lascas. Regar com o molho recém-emulsificado.