"Mas, onde quer que não vos receberem, saindo daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles". (Lucas 9:5).
É verdade que não sou grande especialista em Bíblia, contudo esses dias andei lembrando desse verso e traçando alguns paralelos entre ele e o dia-a-dia. O contexto é de alguém que vai levar uma mensagem a uma determinada localidade e não é bem aceito pelos receptores. Verso praticamente auto-explicável.
Se visto como perda, a não recepção de uma mensagem ou intuito pode gerar traumas e inseguranças a quem se lança na aventura de viver. Diversas vezes falaram que "rapadura é doce, mas não é mole" e que "quem tem medo de cagar, não coma". Fato é, muito já se explorou sobre o risco de tomar decisões, envolver-se, arriscar-se, enfim, viver. Entretanto, tive extrema dificuldade em encontrar ditados ou mensagens a respeito das derrotas.
Em detrimento de um parâmetro de vitória e vida bem sucedida, vive-se uma angústia na busca por uma repetição de experiências fenomenais que infelizmente não ocorre. Não fomos ensinados a vivenciar qualque tipo de perda. Seja financeira, amorosa ou social, toda estrutura pessoal de alguém é programada e condicionada para ser vencedora. Pena que a regra não seja essa. Perder ensina, porém didático mesmo eu acho que é saber recomeçar.
Em minha vida juntar os cacos tem sido prova de maturidade. Ao longo dos anos tenho aprendido que nem sempre é possível vencer, alcançar, atingir e conquistar. Em muitas ocasiões, o mais prudente é "sacudir o pó dos pés". Alegremente, tenho sido ensinado a bater a poeira, juntar os cacos e tocar o barco. Naturalmente, em meio a alguma dor e sofrimento. No geral, ainda bem, o saldo é positivo.
A quem interessar, encaro derrotas olhando para dentro: sem culpas, ressentimentos ou busca por justificativas. Olha-se onde errou, o que poderia ter sido feito e ainda o que fica para ser aproveitado. Após mirar-se nesse espelho, bater a poeira é o próximo passo e por fim abrir-se para a vida, afinal ela requer vivência em plenitude. Já lotei minha cota de experiência pela metade.