Wednesday, January 31, 2007

Músicas potencializadoras de drinks

Ultimamente acompanhei a polêmica sobre as propagandas de cerveja (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u131119.shtml). Para quem tiver preguiça de clicar no link, a idéia central da quizumba é a utilização de propagandas erotizadas para alavancar o consumo da bebida.
Não entendo nada de publicidade, mas um pouco de drinks. Pensando em resolver essa questão, pus me a pensar em algo que pudesse alavancar ainda mais as vendas de cerveja e bebidas alcoólicas em geral. Antes de tudo, não sou acionista da AMBEV nem levo Johnnie Walker no nome; somente em diversos percursos na BR-324 dediquei-me a resolver a questão, ou ao menos, apresentar soluções as quais inclusive já enviei às grandes players do mercado mundial de bebidas. Resta ver se as implantarão.
Sem entrar no mérito homossexual de dizer “ai, essa música é a minha cara” – recurso que jamais utilizo e repreendo com veemência se ouvir algo similar a meu redor – é inegável dizer que certas músicas trazem boas lembranças, e dentro dessas recordações, pretendo centralizar nas que trazem lembranças amorosas.
Se estou em um bar e, por exemplo, tocam Coldplay, Odair José, bregas em geral, boleros (talvez leve exagero), sou o primeiro a pedir mais uma rodada a fim de celebrar o caráter dor-de-cotovelo da canção*. Evitei comentar Los Hermanos porque aí já seria demais e não pretendo comentar sobre fossa profunda ou corte de pulsos. Outro dia, estava em um bar, prestes a sair, quando então começou a tocar “Não vejo mais você faz tanto tempo... Que saudade que eu sinto... De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços... Agora que faço eu da vida sem você...”. Não estou certo de quem seja a música e melhor não atirar no escuro, porém senti-me violentamente tentado a pedir outra rodada somente para ouvir a música. Essa canção não representa nada para mim e antes de seu sucesso há alguns anos, não sabia de sua existência, porém, naquele momento, ela gerou um consumo médio de R$ 10,00 em um determinado bar da noite potiguar. Ora, supondo que o consumo total da noite havia sido de R$ 100,00, em um momento de “motivação musical”, tal demanda foi acrescida em 10%. Agora, me diga, a poupança de Juliana Paes aumenta em 10% o consumo de Antarctica? Creio que não.
Há algo subliminar com as canções e talvez o marketing ainda não tenha percebido esse poder da música. Não pretendo entrar pelo conteúdo business-economiquês, porém fica o registro de meu profundo questionamento a respeito das práticas de comunicação das empresas do ramo. Colocar músicas tocantes nos bares aumenta muito mais significativamente o consumo de bebida, além de tentar deserotizar um pouco a imagem que temos de país.
Por fim, como comentado acima, repassei meu humilde escrito às gigantes do mercado do álcool. Por hora, um amigo sueco confidenciou que lá em Estocolmo só se fala em mim e, por isso, a Absolut irá comprar meu passe. Nunca imaginei que esse blog pudesse me levar tão longe.


*Outros exemplos de músicas potencializadoras de drinks: Bruno e Marrone, sertanejos em geral; alguns pagodes, samba, partido alto e congêneres; forrós de A a Z; et cetera. Comentei as que me vieram à cabeça, contudo existem outras, incluindo também vasto material-dor-de-cotovelal-importado-do-estrangeiro.

Friday, January 26, 2007

Verso em Iza

I

A lembrança que resta até ver
Esse sorriso que consome
Some
Na memória que martiriza

De Iza, cuja presença escraviza

Melhor se não fuma
Ainda quando não sabe
Que em seu vício, fiquei viciado

No poder por seus olhos contemplado
Nessa presença que onde chega minimiza

Belle, de tout, de coup, de jour

Poema, tempo, vida
De umas épocas pra cá
Tudo se encerra em Iza

II

Mas Iza está em toda parte
A vejo em muitas mulheres
Das quais quase não lembro
Muitas que de mim não sabem

Mas com ela é diferente
Nesse andar meticuloso
Que quando ri, ri gostoso

Mas Iza personifica
Toda graça, fulgor, malícia
Que se espera em uma Iza

Eterniza

Mas Iza é isso

A vejo em outras mulheres
A busco em muitas Izas

Até que um dia contemple Iza
Aquela sim
Cuja alma escraviza

Monday, January 22, 2007

Solidariedade de fumante

Solidariedade de fumante


Em uma rua, alguém lhe pede um chiclete... Imagino que para muitos isso seja motivo de crítica, afinal um estranho pedindo algo é incômodo. Contudo, tenho reparado que essa máxima de pedir algo “emprestado” (entre aspas pois nunca será devolvido mesmo) é bastante relativizada quando o motivo do pedido é um cigarro.
Em mais uma busca de entender como as coisas funcionam, observei alguns episódios a fim de ter conhecimento de causa para discorrer sobre o tema. A idéia era: onde está o constrangimento de pedir um cigarro a um estranho?
Se perguntado a um fumante, possivelmente ele falará em sentimento de classe, pois quem fuma sempre está pronto a oferecer um trago a outro justamente por saber a sensação de querer e não poder sobretudo em um estado de dependência química onde a entorpecência da nicotina compensaria a reprovação social de pedir algo a um estranho.
(Sinceramente não acho que seja totalmente isso... Em uma escala de 1-10 talvez essa sensação valha no máximo 3, mas vamos seguir em frente).
A percepção que tive, porém, indica algo oposto: o que motiva a solidariedade dos fumantes é o sadismo (Aurélio - P. ext. Prazer com o sofrimento alheio). Talvez exagerando pelo peso que o termo ´sadismo´ carrega, explico: considerando, por exemplo, que todo vício é prejudicial e de que o fumante tenha mínima consciência do mal que faz a si, o que o motivaria a ser tão solícito seria uma satisfação em sentir que não está naquela junto. Talvez uma espécie de sentimento de classe mas com fins prejudicais.
Não indo muito além no mérito do cigarro fazer tanto mal assim, concluo sem talvez atingir exatamente o fim de levantar um tema polêmico, meu objetivo inicial. De toda maneira, publico assim mesmo o texto.
Aos fumantes, faço votos para que desistam do hábito.
Aos não-fumantes, peço que comprovem as teses sobretudo a do sadismo. Não deve estar tão longe disso não.