Ultimamente, tem sido comum ficar reparando em pessoas que gostam de falar bonito. Primeiramente, é interessante como a língua portuguesa tem milhares de palavras e para cada uma delas, outros montes de sinônimos. Tanto é, que frequentemente nos vemos em dúvida quanto à ortografia (p.ex.: x, z, s, ss ou ç). Eu, por exemplo, geralmente escrevo esses posts com o Aurélio aberto e de vez em quando ponho a definição do Dicionário para abordar algum tópico.
Sobre incrementar a linguagem com palavras escolhidas a dedo e a fim de melhor argumentar o falar bonito, lembrei dos que andam alardando o “juridiquês”. Em tese, os advogados e demais do meio jurídico detém um conhecimento de língua maior que a média da população, contudo não deixa de ser incômodo escutar um português inacessível para o grande público – a massa que fala português. O ápice do ridículo é usar o latim (em minha opinião, idioma de missa). Aí sim, é o atestado de completa “fazeção de média”. Já generalizando, todo mundo que cita algo em latim está por excelência querendo aparecer.
O prof. Pasquale, por exemplo, nacionalmente conhecido como autoridade em língua portuguesa, tem um linguajar simples e acessível. Se ele, tido como o ba-bã-bã em português não fala complicado, por que seu tio que não completou a 4ª série insiste em seguir nessa? Haja “cimancol” para esses que escolhem palavras pouco faladas para parecerem cultos. Ah, não vou nem citar os que inventam ou falam errado aquilo que escolheram para “tirar uma” de informados.
Demonstrar erudição é pedante e por vezes o dito culto leva titulo de chato ou ridículo. Não são necessários tantos exemplos, afinal todos temos um amigo, vizinho, parente ou similar que adora puxar palavras do Houaiss (daqueles de mil e tantas páginas) e largar em dia de almoço de domingo ou mesa de bar. Às vezes é rir para não chorar, afinal em uma época onde temos buscado simplificar, é de admirar a proliferação dos que falam bonito. Além de inspiração para post em blog, esses têm se tornado motivo de graça, ou chacota, como diriam eles.
Em um país com tantas diferenças, não vejo sentido em criar mais uma barreira para compreensão entre os diferentes estratos sociais. O português culto, refinado e formal é bom e prazeroso de se falar, entretanto o que se vê nas ruas é o do dia-a-dia, aquele cujas bases talvez remontam às senzalas e que hoje prolifera-se na periferia. Falar bonito e empolar* o vocabulário serve apenas para aumentar o já gigantesco fosso sócio-cultural que temos aqui. Imagino estar fazendo minha parte, assim que a partir de hoje irei adotar o “a gente fomos” e o “nós fumo”, se não conseguir me comunicar melhor pelo menos servirá para rir. Um excelente remédio nos dias atuais.
*empolar2
[De empola + -ar2.]
V. t. d.
1. Fazer ou causar empolas em.
2. Tornar pomposo, bombástico: empolar as frases; empolar o estilo.
Sobre incrementar a linguagem com palavras escolhidas a dedo e a fim de melhor argumentar o falar bonito, lembrei dos que andam alardando o “juridiquês”. Em tese, os advogados e demais do meio jurídico detém um conhecimento de língua maior que a média da população, contudo não deixa de ser incômodo escutar um português inacessível para o grande público – a massa que fala português. O ápice do ridículo é usar o latim (em minha opinião, idioma de missa). Aí sim, é o atestado de completa “fazeção de média”. Já generalizando, todo mundo que cita algo em latim está por excelência querendo aparecer.
O prof. Pasquale, por exemplo, nacionalmente conhecido como autoridade em língua portuguesa, tem um linguajar simples e acessível. Se ele, tido como o ba-bã-bã em português não fala complicado, por que seu tio que não completou a 4ª série insiste em seguir nessa? Haja “cimancol” para esses que escolhem palavras pouco faladas para parecerem cultos. Ah, não vou nem citar os que inventam ou falam errado aquilo que escolheram para “tirar uma” de informados.
Demonstrar erudição é pedante e por vezes o dito culto leva titulo de chato ou ridículo. Não são necessários tantos exemplos, afinal todos temos um amigo, vizinho, parente ou similar que adora puxar palavras do Houaiss (daqueles de mil e tantas páginas) e largar em dia de almoço de domingo ou mesa de bar. Às vezes é rir para não chorar, afinal em uma época onde temos buscado simplificar, é de admirar a proliferação dos que falam bonito. Além de inspiração para post em blog, esses têm se tornado motivo de graça, ou chacota, como diriam eles.
Em um país com tantas diferenças, não vejo sentido em criar mais uma barreira para compreensão entre os diferentes estratos sociais. O português culto, refinado e formal é bom e prazeroso de se falar, entretanto o que se vê nas ruas é o do dia-a-dia, aquele cujas bases talvez remontam às senzalas e que hoje prolifera-se na periferia. Falar bonito e empolar* o vocabulário serve apenas para aumentar o já gigantesco fosso sócio-cultural que temos aqui. Imagino estar fazendo minha parte, assim que a partir de hoje irei adotar o “a gente fomos” e o “nós fumo”, se não conseguir me comunicar melhor pelo menos servirá para rir. Um excelente remédio nos dias atuais.
*empolar2
[De empola + -ar2.]
V. t. d.
1. Fazer ou causar empolas em.
2. Tornar pomposo, bombástico: empolar as frases; empolar o estilo.
1 comment:
Amigo...
pois então veja essa porra que aconteceu na casa do caralho. http://youtube.com/watch?v=K6lO1rfW6F8
Nada mais hodierno e espetaculoso do que bradar cumprimentos às quatro intersecções do mundo!
abração
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