Monday, January 17, 2005

Bezerra da Silva

Uma das grandes verdades é a de que a história se repete. Hoje morreu Bezerra da Silva, um dos grandes ícones do samba e influência de muitos integrantes da MPB ¿ sambistas ou não. Pernambucano, Bezerra era o espírito da malandragem, termo que se até se mistura com sua própria carreira, porém não vou falar exatamente de sua biografia. Aos que se interessem por sua trajetória, vale a pena olhar http://www.samba-choro.com.br/artistas/bezerradasilva e http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/bezerra-da-silva.asp .
Infelizmente aposto que o defunto Bezerra fará a mesma trajetória de grandes brasileiros, músicos ou não, que passaram suas vidas à margem da mídia para só então se tornarem cult e venerados pela cultura pop: Cartola, Noel Rosa, Ernestro Nazareth, Jackson do Pandeiro. Coincidência ou não, todos representavam mais ou menos o mesmo estilo de música, e, regra geral, eram consumidos pela mesma camada social. Post mortem, contudo, foram alçados à fama algo que nem de longe tiveram em vida. Um fenômeno Van Gogh à brasileira.
Por outro lado uns podem dizer que a mídia está aí pra ganhar dinheiro e não pra divulgar a cultura popular, correto. Porém a nação brasileira vem perdendo seus ¿futuros ícones pops¿.Aonde chegaremos, não sei, mas até lá muitos bezerras, franciscos, josés, antônios o ostracismo midiático em detrimento de um arremedo de cultura importada.
É no mínimo interessante como a morte, algo tido como ruim, romantiza e endeusa quem ¿ficou na geladeira¿ por anos a fio. A mídia faz seu papel em colocar o que devemos consumir. A sociedade, principalmente jovem, vem repetindo comportamentos elitistas frente à cultura popular... Em uma sociedade branca, música de preto tem que morrer pra fazer sucesso.

Saturday, January 01, 2005

Orkut I

Escrevi esse texto ontem para colocar como minha descrição no Orkut:

Acredito em Deus com todas as minhas forças e amo muito minha família. Com um pouco menos de força, porém ainda forte, acredito em amizade verdadeira, livre comércio, amor à primeira vista, no potencial de cada um e na capacidade que temos de mudar o mundo. Não acredito em coisas grátis, fórmulas mirabolantes, tarot e tudo que for esotérico, sucesso sem dedicação, sexo sem amor e amor sem paixão. Não gosto muito das minhas poesias, mas também não jogo fora nem deixo de escrever. Dizem que sou muito capitalista, apenas voto na direita, acredito na livre iniciativa e não sou chegado à idéias comunistas e vermelhas, embora tenha votado em Lula. Cozinho desde muito tempo e acho que tenho me aprimorado, mas nunca tive coragem de levar isso como carreira embora muitos já tenham me recomendado. Crio receitas inusitadas, mas nunca anoto nada. Na verdade, nunca gostei de anotar nada. Se pudesse só beberia vinho o resto da vida, até já fiz um curso, porém ainda me sinto principiante. Basicamente me sinto principiante em tudo que fiz na vida. Às vezes isso me angustia, mas tento sempre ver por outro lado. Já dormi no chão, em posto de gasolina, na porta de casa. Fora as comuns, já peguei carona em caminhão-pipa, trator e carroça. Umas vezes por necessidade, outras por curtição. Às vezes me acho aventureiro, mas sempre medindo os riscos, ou seja, sou mais ou menos aventureiro. Pra mim risco não se teme, calcula. Acertei em escolher Administração e depois me formar, mesmo tendo pensando em fazer Arquitetura, Odonto e Direito.Tirando a universidade, por onde passei fui um aluno meio indisciplinado, porém já encontrei uma corrente pedagógica que explica minha relação com a escola e talvez daqui a uns 50 anos elas tratem melhor as crianças ditas mal-comportadas. Durmo com facilidade e ao volante já foram 3x. Depois de festas ligo de madrugada para os meus amigos, porém, por motivos óbvios, poucos atendem. Sou felizardo por tê-los, mas também tenho muitos distantes com os quais tenho carinho enorme. Sou um péssimo contador de piadas, já começo a rir antes de contar principalmente se for a do ipi-ipi-urra. Poucas coisas me tiram do sério, afinal não há por quê stress se o fim é a morte.