Saturday, October 30, 2004

Porto Alegre

Cheguei a Porto Alegre hoje às 6 da manhã. Antes de mais nada, é fácil perceber como construímos valores sem qualquer embasamento real. Também chamados de preconceito. No vôo até aqui vim repassando tudo que me tem sido dito há tempos sobre o sul do país, Porto Alegre e os gaúchos. Se pensar bem, a balança do preconceito, uma medida do que se tem por idéia de algo que não se viveu e o que efetivamente foi vivido para poder elaborar conceitos, pende para que eu pense como e aja como preconceituoso. Em grande parte as pessoas são moldadas para julgar, para dizer se algo é bom ou ruim, preto ou branco, sem necessariamente vivenciar aquilo. Primeiramente o que importa é essa reflexão que tive hoje, algo como se eu dissesse que um eventual preconceito (algo não acho não tenho) não irá influenciar minha percepção e desfrute do tempo aqui. Em segundo lugar, ouvi muito bem daqui e afinal isso foi o que me tirou de casa. Afinal, se não tivesse a expectativa de me divertir, não teria deixado Natal.
Na medida do possível, vou colocar o que tenho feito dia-a-dia. Por hora, a reflexão do preconceito já abre caminho para encarar a experiência de maneira previamente positiva.
Saindo daqui vou a Buenos Aires, Patagônia Argentina, Mendoza, Santiago do Chile, Atacama, Norte da Argentina e por fim volto a Porto, para então fazer meu caminho de volta à Cidade do Sol.
Em termos de valores, certamente já carrego inúmeros a respeito dos argentinos, patagônicos, chilenos, andinos e todas classes de gente. Cabe a mim somente e a cada qual que se coloque a mesma questão que me coloquei, confirmar ou não os valores que nos são impostos. Até aqui, segundo minha balança, o que me passaram não é real. Ainda bem.

Friday, October 29, 2004

VIAGEM

É certo que os textos não têm sido tão freqüentes como no começo. Talvez por que com o tempo nos acostumamos à mesmice das coisas ou até porque tenho estado sem tempo ou saco de escrever. Na verdade, as idéias me vêm a cabeça mas é como se o palito de fósforo demorasse a chegar na minha mão e quando ele me chega, não risco. Por outro lado, quando sento para escrever, como agora, sinto uma avalanche de idéias tamanha, umas até meio velhinhas, que o motivo original da minha escrita vai embora e acabo escrevendo sobre outro assunto.
Bem, o motivo do post de hoje, seguindo a quase média de um por semana, é uma espécie de mea culpa pelos que não serão postados nos próximos 40 dias. Explico. Ontem, logo cedo, viajei e só volto em dezembro, mas precisamente dia 10. Não pretendo escrever sobre a viagem em si, acho que um parágrafo é suficiente para sintetizar 40 dias. Sendo assim, enrrolações aparte, após me formar vou poder realizar uma viagem que planejei fazer durante as minhas férias de UFRN. Pobre ilusão. Graças a todas as greves que enfrentei, três no total, nunca consegui conciliar férias de trabalho com férias escolares.
De agora até dezembro, tentarei relatar algumas idéias que me vem à cabeça nesses dias que vou estar fora. Segundo o grande Miguel Añez, é mudando de ambiente que se tem grandes déias. Sendo assim, estou indo em buscas delas ou até dos fósforos. Só me resta risca-los.

Thursday, October 21, 2004

SOI 2004

Para mim ficou claríssimo que adoro simulações. Primeiramente pela simulação em si, uma vez que aprendo um bocado de coisas novas, de áreas que não têm nada a ver com a minha. Dessa perspectiva elas são altamente enriquecedoras. Além disso têm as discussões em si que acabam envolvendo os participantes a um ponto onde a simulação passa a ser realidade. Porém o melhor são as pessoas, estranhas no começo, mas que ao final são recém-grandes-amigos.
É complicado muitas vezes para quem nunca foi a um modelo (leia-se pais e amigos) entender porque cargas d´água alguém vai discutir tópicos que não influem em nada nos rumos da política internacional. Para aqueles que não sabem o que é SOI ou Modelo de Nações Unidas http://www.soi.com.br/soi.htm .
Em mais uma despedida chego mais uma vez à conclusão que já tirei de tantas outras SOIs que vivi: as pessoas são a diferença. Elas marcam, entram umas pelas vidas das outras e no final vão embora... Se não fosse elas a vida não seria mesma e o que parece sem sentido nunca seria mágico.

Monday, October 18, 2004

Vacinado

Vacinado
Curado

Seu olhar de despedida
Marca o que não existiu
Pesa sobre o passado
No qual ambos não éramos

Atordoado
Com sua lembrança fútil
Minhas desculpas esfarrapadas
Suas frases evasivas

Marcado pela saudade gostosa
Vacinado, Curado
Desse vírus que é você

Friday, October 01, 2004

Miguel Mossoró - O prefeito da Cidade do Sol

Ontem tive uma das saídas mais animadas de 2004. Talvez seja exagero, porém não é todo dia que se sai com o mais novo ícone da cultura pop potiguar. Tive a graça de fazer parte da comitiva que seguiu Miguel Mossoró na última noite de manifestações eleitorais.
Começando no Beco da Lama, recanto que dispensa maiores explicações considerando-se o nome, a Marola 36 (cinco carros comigo) percorreu boa parte da zona leste levantando a multidão e atraindo a atenção dos que quase dormiam às 11h da noite de uma quinta-feira. Íamos em direção a UTI DO CALDO, porém antes fomos a CDL ¿ Câmara dos Dirigentes Lojistas, pois Miguel queria falar com os empresários. Finalmente chegando à UTI, praticamente esvaziamos o bar pois cinqüenta carros saíram para Petrópolis levando bandeiras, cartazes e adesivos do 36.
Talvez pelo seu carisma e simplicidade, Miguel amedronta alguns grandes nomes da política potiguar ao mesmo tempo que humilha outros ao fazer uma campanha que é muitas vezes tomada por brincadeira e amadorismo. Sendo de protesto ou não, o voto nele resume a insatisfação do eleitorado natalense com os políticos profissionais, aqueles que fazem da política uma mera oportunidade de negócio.
Em todo lugar que chegávamos o candidato era recebido com palmas e gritos de apoio. Dentre outras figuras que o apóiam abertamente, está o presidente da OAB-RN, que até discursou no Beco atraindo a atenção da mídia para a antes Marola, agora Maremoto 36.
Terminamos a noite no Barraco, antro fashion de Natal, quando a essas alturas eu já era reconhecido como sendo cabo de Miguel fato que percebi quando ele me chamou pelo nome. Adentrei o Barraco ao lado de Mossoró sob aplausos e gritos de `Mi-guel, Mi-guel, Mi-guel´.
Nosso prefeito foi ao delírio em saber que os jovens estão com ele. A política à moda antiga seduz e rende votos a Miguel. O que antes era apenas leite encanado, a ponte Natal-Noronha e a mãozada nos gringos, se tornou algo de proporções gigantescas que o próprio militar nem em seu mais remoto sonho preveria. É, em Natal, o segundo turno só haverá graças a ele, ao Maremoto 36.