Saturday, July 31, 2004

Efeito Borboleta

Primeiramente gostaria de agradecer aqueles que têm tido o cuidado de passar por aqui e ler meus textos. Imagino que ainda seja cedo para caracterizar uma espécie de tendência nisso ou a construção de um público fiel, até porque comecei há exatamente 48h. Contudo fico imensamente satisfeito em saber que existem pessoas que se identificam com minhas idéias. Sugestões são bem vindas, planejo ainda acrescentar algumas coisas ao blog como um novo template, alguma área de links e até um perfil do autor disso tudo que se lê.
Adoro cinema e hoje tive a oportunidade de ver um filme muito interessante tanto do aspecto técnico quanto de enredo. Vi ´Efeito Borboleta´ com Ashton Kutcher ¿ aquele ator canastrão que sempre fez papéis babacas. O filme é bem interessante e é baseado na Teoria do Caos. Presumo que alguns não sabem como essa teoria funciona, por isso explico rapidamente. Ela é mais ou menos como o Orkut ¿ eu, por exemplo, através de 100 pessoas estou conectado a mais de um milhão. A teoria do caos é mais ou menos isso: através de um evento banal, conseqüências catastróficas podem surgir. Por exemplo, um casal anda pela rua com um cachorro, o cachorro late para uma criança que ia passando, a criança assustada avança pela rua, um caminhão tanque freia para desviar dela, tomba e explode junto com alguns carros na via. Portanto, por causa de um latido de cachorro que assustou a criança, algumas pessoas morreram e milhares de reais foram perdidos.
Se aplicada à vida, assim como o filme faz, a teoria dá pano pra manga pra muitas horas de reflexão e outras tantas de discussão. O protagonista vive tentando mudar seu passado a fim de que a repercussão no futuro não seja catastrófica, como os exemplos da Teoria do Caos são. O único problema é que na vida de carne & osso não é assim. Enquanto lá o cara volta ao passado (não vou dizer como porque senão ia contar o filme), aqui, na nossa vida, naturalmente não existe essa possibilidade. Ou se faz tudo certinho de uma tacada só ou então curta as conseqüências de ter falhado.
O filme faz bem o papel de questionar seus espectadores quanto suas opções na vida. Não quero dizer que é inevitável, mas é pelo menos provável que você pense, ao terminar o filme, o que seria de você se não tivesse mudado de escola, ido para festa onde conheceu alguém que era o máximo ou até mesmo nascido onde você nasceu?
A pergunta é bem colocada pelo enredo do filme e a atuação de Kutcher não deixa a desejar mostrando, pelo menos pra mim, que ele não é somente ator para filmes babacas de Hollywood. Sou refratário a filmes americanos, mas esse recomendo sem pestanejar.
Para finalizar não custa se perguntar o mesmo que o diretor tenta incutir em cada espectador, o fato de que a vida pode tomar rumos distintos a partir de um ponto irrelevante, assim como a Teoria do Caos. Não é minha pretensão mudar a vida de ninguém, mas qual repercussão esse texto pode ter na sua vida? Abraço a todos! D.

Nostalgia II

Continuando o tema de ontem, nostalgia, sugiro para aqueles que chegam pela primeira vez a ler minhas linhas que passem os olhos pelo post anterior a fim de entrarem no clima. Porém antes de mais nada sugiro uma passada em blogs de dois irmãos meus: Lenin ¿ http://quepasa.blogger.com.br e Diego ¿ http://diegorc.blogger.com.br , ambos escrevem muito bem. Pronto, comercial feito.
Quanto a Nostalgia, se existisse um índice de nostalgia talvez eu estivesse tão nostálgico hoje como estive ontem. Porém tenho duas teorias que pelo menos em mim se comprovaram verdade até hoje. Tudo bem, elas podem ser simplistas e não ter nenhum embasamento real, porém uma vez que são verdade pra mim, em pelo menos alguém elas funcionam. Uma se aplica a nostalgias de maneira geral e a segunda somente em casos de de derrotas ou dores-de-cotovelo(é com hífen mesmo, de acordo com Houaiss).
Com o passar do tempo é natural que a nostalgia vá diminuindo até estabilizar-se em uma lembrança calorosa, um sentimento gostoso, algo que vem pra ficar como boas recordações e não o ¿desejo de voltar ao passado¿. Porém, em quanto tempo isso acontece? Para mim, 72h. Isso mesmo, setenta e duas horas. Três dias. Cheguei a esse valor através da experiência. Conheço pessoas, porém, para as quais minha teoria não se aplica, que são nostálgicas pela vida inteira, nunca conseguem seguir adiante sem se deixar liberar o passado, que vivem como se o passado fosse o presente e o que vivem atualmente nem se comparasse ao que viveram. Isso não é errado, de maneira alguma, somente não se aplica a mim. Diferentemente, aplicando-se a Teoria das 72h¿, os resultados são quase a jato.
Antes que venha e-mails de todos os recantos do globo desde Kuala Lumpur até Catolé do Rocha (PB) dizendo que eu sou um cachorro-sem-coração(com hífen também), adianto que para mim, pelo menos, a evolução, que para os amantes da nostalgia é retrocesso, do sentimento nostálgico para a boa recordação sem aquele sentimento, por vezes incômodo, de querer voltar ao passado, passa em média em 3 dias. Após esses três dias, guardo lembranças boas dos amigos, amores passados e naufragados, lugares, cones e listas telefônicas voando. Todos ainda moram no meu coração, contudo o ¿desejo de voltar ao passado¿ não existe mais. Para mim após essas nobres 72h o passado pertence ao passado, o presente é curtição e o futuro depende da mulherada.
A outra teoria, é bem mais simples e se aplica aqueles que estão com dor-de-cotovelo e se sentem inconformados com alguma derrota ¿ de alguma forma, um tipo de nostalgia também. Francamente já utilizei essa teoria inúmeras vezes até porque se levar fora tirasse pedaço este que vos escreve já teria batido as botas há muito tempo. Falo da teoria do ¿Ah, foda-se¿, porém em sua versão 1.8T: busque um local silencioso, cruze as pernas em posição estilo ioga, inspire fundo e mentalize seguidamente ¿Ah foda-se¿. Confesso que sou partidário da teoria das 72h, mas essa também é eficaz em alguns aspectos, é igual a Doril® - tomou Doril® a dor sumiu.

Friday, July 30, 2004

Nostalgia

Nostalgia

¿Saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado¿ segundo Houaiss.

Tenho estado um tanto nostálgico desde que voltei Brasília, a capital federal. Não pela cidade, que mesmo sem praia me pareceu bastante agradável, nem pela maestria de sua arquitetura tampouco por lá ser o centro do poder nacional. Em Brasília tive oportunidade de conhecer pessoas incríveis as quais deixaram marcas em mim, em somente uma semana de convivência. Deixe-me introduzir-lhe primeiramente o motivo pelo qual fui ao planalto central.
Fui participar do AMUN ¿ Américas Model United Nations que é uma simulação de uma assembléia geral da ONU. Lá, estudantes fingem ser diplomatas e negociam os interesses de seus países assim como é feito nas Nações Unidas de verdade. O objetivo disso tudo é recriar a atmosfera da ONU para que os estudantes possam aprender mais sobre relações internacionais, política externa e cultura ¿ tanto do país que representam como dos outros. Confesso que a primeira vez que ouvi a definição achei que era uma espécie de jogo babaca para quem não tem o que fazer. Pelo contrário, lá percebi que o AMUN além de ser uma ferramenta de aprendizado das melhores, é uma forma bem interessante de conhecer gente de todo o Brasil em torno de um interesse mútuo que são as relações internacionais.
Olhando o que vivi, percebi como que em uma semana somente, Diego, por exemplo, passou de um mero desconhecido a alguém pelo qual eu tenho grande consideração. Cito seu nome por ter sido o amigo que fiz em menos tempo em minha vida ¿ um segundo irmão. Me questiono porque as coisas acontecem assim de repente e sem motivo aparente. Durante essa semana, uma avalanche de sensações tomou conta de mim: medo de falar em público, satisfação por conhecer novas pessoas, raiva por não conseguir atingir perfeitamente os objetivos do país que representava - Egito, ansiedade por saber que tudo aquilo ia passar, e, por fim, a saudade que se instala sem ser chamada. Para completar, só faltava me apaixonar (algo não tão raro em eventos assim) , mas isso já seria demais em uma semana, pelo menos pra mim. Porém, a paixão (sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão) pelo AMUN, pelas simulações de maneira geral (SOI, UFRGSMUN, MONU, TEMAS) acaba tomando conta de uns de tal forma que, conforme Houaiss, acaba-se por perder a razão.
Durante essa semana, então, vivi intensamente. Além de ter podido conhecer mais profundamente pessoas da minha universidade ¿ até ali os conhecia apenas de vista, pude conhecer também pessoas que em parte mudaram minha vida. De volta à Natal, a nostalgia tomou lugar.Mas, fugindo um pouco da minha realidade, como estudante ou como representante do Egito, quantos AMUNs temos na vida? Porque sentimos saudades daquilo que nos dá saudade?
Respondendo em parte a pergunta, talvez me sinta nostálgico assim porque estou me formando agora e de alguma forma sei o que me espera ao sair da faculdade. Seria uma espécie de pré-nostalgia ou até mesmo saudade daquilo que sei que irei sentir falta no futuro unicamente porque a realidade será outra. O que importa, ao final desse primeiro texto, é compartilhar com vocês como a vida nos ensina lições de onde menos esperamos ¿ as pessoas nos marcam não importa o tempo nem a as circunstâncias.


P.S. Instalei o Houaiss essa semana no meu PC e desde então tenho estado viciado nele.

Thursday, July 29, 2004

Blog

Bem, depois de muito relutar em aderir a moda dos blogs resolvi hoje fincar minha bandeira na web. Muitos podem questionar o motivo, algo justo, contudo não sei bem ao certo o que me levou a dar o braço a torcer. Não sou dos mais xiitas e quando percebo que algo é realmente legal, acabo voltando atrás e entrando na onda também. Não escrevo para ser comercial ou bonito. Nada de lírico ou estético. Pretendo compartilhar com quem passar por aqui, anônimos ou não, algums das minhas opiniões, sentimentos, questionamentos, constatações e afins. O objetivo principal é poder expressar as idéias que às vezes demoram a se materializar, mas que através do texto tomam vida. Para mim o principal de um blog é seu cárater democrático. Talvez não hoje ou em um futuro próximo, mas logo pessoas que não conheço nem conhecerei estarão lendo meus textos, talvez se encontrando em algumas das minhas palavras talvez achando que tudo não passa de abobrinha (ou miolo de melão, se preferirem).
Por hora, é isso. Hoje começo com um texto sobre a nostalgia, sentimento que percebi fazer parte de mim desde que existo mas que só depois de muito apanhar aprendi a lidar. A vida é feita de circunsâncias. A medida que o tempo passe e as páginas rolem poderei definir melhor o real objetivo de hoje estar iniciando um blog, porém sinto como se estivesse me propondo uma tarefa gratificante e, de alguma forma, auxiliadora pois eu mesmo já me vi em diversos textos lidos por aí. A todos desejo uma boa caminhada e espero colaborações. Grande abraço, D.